O CIRCO, Charles Chaplin | CATHERINE MORISSEAU ao piano

DIA 28 ABRIL – TEATRO MUNICIPAL – 21h30
O CIRCO
Charles Chaplin, EUA, 1928, 71’, M/6

Acompanhado ao piano por Catherine Morisseau, com composições originais suas, criadas propositadamente para o filme.

FICHA TÉCNICA
Título original: The Circus
Realização e Argumento: Charles Chaplin
Fotografia: Roland Totheroh, Mark Marlatt, Jack Wilson
Montagem: Charles Chaplin
Interpretação: Charles Chaplin, Al Ernest Garcia, Merna Kennedy, Harry Crocker, George Davis 
Origem: EUA
Ano: 1928
Duração: 70’


ENTRADA GRATUITA PARA SÓCIOS 
COM AS QUOTAS EM DIA


Pianista nascida em Paris, elegi, desde há mais de uma década, Lisboa como cidade-paisagem de criação e composição musicais. Titular de um mestrado em Conception et Mise-en-Oeuvre de Projets Culturels e de uma licenciatura de História de Arte, ambos na Sorbonne, assumi como prioridade a aquisição de uma sólida formação musical clássica em piano. 
Iniciei este percurso aos oito anos de idade, no Conservatório de Bagneux e dei continuidade na École Normale de Musique de Paris antes de partir para Lisboa. Depois de uma passagem pela Escola do Hot Clube de Portugal para complementar a minha formação, integrei diversos projetos, entre os quais o da banda Moi non Plus (música francesa dos anos cinquenta e sessenta com um toque jazzy) onde continuo a tocar, para além de tocar com regularidade na Cinemateca. 
Além de intérprete, é a composição que privilegio enquanto pianista. Estou de momento a terminar a realização do meu primeiro disco no qual escrevi todas as músicas, letras, poesias e todos os arranjos deste projeto em nome próprio. Catherine Morisseau


O CIRCO, Charles Chaplin - CRÍTICA
“O Circo” (1928) é uma das obras-primas de Charles Chaplin, que apesar de não ter o poder de emocionar de “O Garoto” e o subtexto crítico e político de “O Grande Ditador”, é uma das suas comédias mais eficientes e criativas.
Com um argumento simples, Chaplin conta-nos a história de Charlot (o vagabundo), que ao fugir da polícia acaba por interromper a atuação dos palhaços do circo, provocando o riso dos espectadores, que estavam aborrecidos. O diretor do circo contrata-o por achar que ele é um palhaço eficiente. Mas quando ele tenta ter piada, não tem. E quando ele não tenta ter piada, ele tem. Mas o seu principal interesse no Circo era a filha do diretor. Charlot faz de tudo para conseguir atenção dela.  
Em “O Circo” entramos no universo, em tom de homenagem à arte popular, que inspirou Chaplin, a arte de fazer rir. E como em qualquer filme seu, ele traz o romance e o sentimento. Chaplin acaba por fazer uma reflexão sobre o espectáculo, em geral, e mostra as duras condições de se trabalhar num circo.
O filme está recheado de gags visuais, onde o talento de Chaplin na expressão corporal, está presente em grande força em cada cena. Destacam-se as cenas clássicas da jaula do leão, onde tudo o que vemos é verdadeiro, sem nenhum truque. A expressão de medo de Chaplin é real. Ou a cena dos macacos que atacam Charlot. Só Chaplin se lembraria de um cão a ladrar quando ele estivesse numa jaula com um leão. É nesta cena da jaula do leão que temos um ‘olhar de Charlot’, um procedimento bastante comum nos seus filmes, em que ele olha, a determinada altura, para a objectiva, questionando o espectador ou a si próprio.
O final de “O Circo” é um dos finais mais belos de Chaplin. Por outro lado um dos mais tristes, pois ele termina caminhando sozinho. O vagabundo tentaria a sua sorte noutro lugar. Este final ganha ainda maior importância e força se nos lembrarmos que em 1927 surgiu o som no cinema. Avanço tecnológico esse que revolucionou para sempre o cinema, mas que Chaplin apenas viria aceita-lo com o filme “Tempos Modernos” (1936).
“O Circo” foi a produção mais complicada que Chaplin já teve. Pois uma série de desastres não deixavam que o filme fosse feito. Um incêndio destruiu parte da tenda do circo, uma tempestade levou parte dos cenários, as películas são riscadas no laboratório e a sua ex-mulher processa-o e provoca um escândalo mediático, levando a que os seus filmes fossem boicotados. Ao fim de dez meses de paralisação, as rodagens recomeçam e Chaplin termina o filme e estreia-o a 6 de janeiro de 1928.
Passados 85 anos após a sua estreia, “O Circo”, continua a ser um filme obrigatório da filmografia de Chaplin. Ele usa a arte cinematográfica de uma forma tão natural que nem nos apercebemos do seu brilhantismo. No final, como em qualquer filme de Chaplin, acabamos por nos emocionar, pois ele, melhor do que ninguém, combina de forma brilhante e única, a tragédia com a comédia. “O Circo” é portanto uma das suas comédias mais divertidas e criativas de sempre. 
Tiago Resende, cinema7arte.com 



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