IndieSugestão
março é hoje
CICLO Desistir ou resistir, eis a questão
Dia 5ESTRELA SOLITÁRIA, Wim Wenders, França / Alemanha / EUA, M/ 12, 2005, 122’
Estrela Solitária marca o regresso da colaboração entre Wim Wenders, realizador alemão com uma longa e notável carreira, e o escritor e argumentista Sam Shepard, mais de vinte anos depois de assinarem juntos um dos mais belos filmes do cinema contemporâneo: Paris.Texas, Mostrou nesse filme a sua capacidade para registar as características de certa parcela do povo americano e do ambiente muito peculiar de determinadas zonas do Sul dos Estados Unidos. Em Estrela Solitária retoma um tanto o mesmo rumo, através de um conto de sua autoria muito bem trabalhado para argumento cinematográfico com a colaboração de Sam Shepard, que em paralelo desempenha o principal papel.
Dia 12CLIMAS, Nuri Bilge Ceylan, Turquia / França, M/ 12, 2006, 101’
O realizador e argumentista Nuri Bilge Ceylan estreia-se como protagonista junto da sua mulher, Ebru Ceylan, num filme que analisa com extrema crueza, e por vezes até um humor mordaz, as alterações da temperatura emocional de uma relação. O amor, o compromisso e o desejo vão do calor intenso ao frio gélido, do Verão mediterrânico ao rigoroso Inverno do leste. Climas (vencedor do Prémio Fipresci na edição de 2006 do Festival de Cannes) é um drama íntimo, onde as faces são a paisagem e onde, à falta de palavras, os sentimentos se revelam. Climas entra destemidamente num território caro ao que conhecemos por "cinema moderno": a intimidade conjugal, a radiografia da relação de um casal. Não por acaso, os nomes que mais têm sido citados a propósito de "Climas" são nomes de cineastas italianos - Antonioni ou Rossellini. O tipo de aproximação ao casal e à intimidade operado por Ceylan, entre silêncios e mistérios, ecoa de facto algum do cinema desses "avatares" italianos da modernidade, sem que haja nele qualquer matéria referencial.
Dia 19A PONTE, Eric Steel, EUA / Reino Unido, M/ 12, 2006, 93’
Muitas pessoas optam por pôr termo à vida na Golden Gate Bridge mais do que em qualquer outro local no mundo. O concreto número de mortes nesse local é chocante mas talvez de forma alguma surpreendente. Se alguém se quiser suicidar, existe uma estranha lógica em seleccionar uma forma que é quase sempre fatal e um local que é mágico, misteriosamente belo.
O realizador e equipa de filmagem passaram o ano todo de 2004, um ano inteiro, a olhar cuidadosamente para a Golden Gate Bridge com câmaras ligadas durante todo o dia, a filmar a maior parte dos vinte e quatro suicídios e muitos outros que resultaram em tentativas falhadas. Adicionalmente o realizador captou quase 100 horas de entrevistas incrivelmente francas, profundamente pessoais e muitas delas tocantes, com as famílias e amigos destes suicidas, com testemunhas que estavam a caminhar, a andar de bicicleta, a conduzir na ponte, a surfar, a fazer Kiteboarding ou a andar de barco por baixo da ponte, e também com muitos de outros suicidas. A PONTE é um documentário alarmantemente profundo e poético, uma jornada visual e visceral por um dos tabus mais graves da vida. É um filme que vai garantidamente perdurar na sua mente depois de sair do cinema, quer queira, quer não. - Première Magazine
Dia 26O ESCAFANDRO E A BORBOLETA, Julian Schnabel, França / EUA, M/ 12, 2007, 122’
A 8 de Dezembro de 1995, um acidente vascular cerebral (AVC) mergulha o jornalista Jean-Dominique Bauby num coma profundo. Ao acordar, descobre que todas as suas funções motoras estão deterioradas. Está encerrado no seu corpo - apenas consegue controlar o movimento de um olho. E será esse órgão a sua ligação com o mundo e com a vida. Será a piscá-lo que começa por indicar "sim" ou "não" até avançar para a sinalização de letras do alfabeto, construindo palavras e frases. Será assim também que escreverá "O Escafandro e a Borboleta", cujas frases memorizou antes de ditar. Esse livro e este caso verídico estiveram na base deste filme protagonizado por Mathieu Amalric e realizado por Julian Schnabel, que conquistou o prémio de melhor realizador em Cannes 2007.
Oliveira em Brooklyn
A Brooklyn Academy of Music, que é assim uma casa/fundação que reúne actividades de música, mas também de teatro, dança e cinema, e onde em ocasiões anteriores já se viu bom cinema português, volta à carga (ao cinema português, entenda-se). Será pelo menos a segunda vez que Manoel de Oliveira estará presente n sala da "cinemateca" do BAM Rose Cinema - e desta vez a propósito de uma enorme retrospectiva de filmes seus. Chamaram-lhe "The Talking Pictures of Manoel de Oliveira" e passarão nela não menos do que quinze longas e mais algumas curtas-metragens do realizador. Na página do BAM sobre a iniciativa há um link para um artigo de Randal Johnson sobre Oliveira, escrito para a ocasião. E, claro, a imagem que ilustra a programação é a de Leonor Silveira em Vale Abraão, ao lado da gaiola e com aqueles olhos abertos gigantes. Às vezes irrita que uma pessoa não possa entrar no metro ali na East Village e saltar umas estações depois, comprar o bilhete e, anonimamente, ver filmes como se nunca tivesse ouvido falar deste tipo que faz este ano um século de vida.
De livros a filmes
Óscares 2008

Estão aí à porta os Óscares2008, altura para fazer apostas, por isso aqui fica o desafio...
A lista completa das nomeações está aqui
Para as principais categorias, temos:
Melhor filme:
There Will Be Blood
No Country For Old Men
Atonement
Juno
Michael Clayton
Melhor realizador
Paul Thomas Anderson - There Will Be Blood
Ethan Coen and Joel Coen - No Country For Old Men
Tony Gilroy - Michael Clayton
Jason Reitman - Juno
Julian Schnabel - The Diving Bell And The Butterfly
Actor Principal
George Clooney - Michael Clayton
Daniel Day-Lewis - There Will Be Blood
Johnny Depp - Sweeney Todd: The Demon Barber Of Fleet Street
Viggo Mortensen - Eastern Promises
Tommy Lee Jones - In The Valley Of Elah
Actriz Principal
Cate Blanchett - Elizabeth: The Golden Age
Julie Christie - Away From Her
Marion Cotillard - La Vie En Rose
Laura Linney - The Savages
Ellen Page - Juno
Actriz Secundária
Cate Blanchett - I'm Not There
Ruby Dee - American Gangster
Saoirse Ronan - Atonement
Amy Ryan - Gone Baby Gone
Tilda Swinton - Michael Clayton
Actor Secundário
Casey Affleck - The Assassination Of Jesse James By The Coward Robert Ford
Javier Bardem - No Country For Old Men
Philip Seymour Hoffman - Charlie Wilson's War
Hal Holbrook - Into The Wild
Tom Wilkinson - Michael Clayton
Beaufort - Joseph Cedar - Israel
The Counterfeiters - Stefan Rudowitzky - Áustria
Katyn - Andezj Wajda - Polónia
Mongol - Sergei Bodrov - Cazaquistão
12 - Nikita Mikhalkov - Russia
e a cristina firmino gravou (tlm) o discurso do doutor honoris causa em literatura comparada especialização em literatura e cinema Manoel de Oliveira!
(é a mesma coisa, mas é só para dizer que abrimos uma conta no You Tube :D
isto é cinema!
NOVOS CORPOS GERENTES CINCELUBE DE FARO 2008 - 2009
MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
Presidente – Alberto Mendonça Neves – Sócio 2380
Vice-Presidente – Eduardo Coutinho – Sócio 1377
Secretária – Cristina Firmino – Sócia 3784
CONSELHO FISCAL
Presidente – João José Vargues – Sócio 2601
Secretária - Margarida Lopes da Costa – Sócia 4052
Relatora – Clarisse Rebelo – Sócia 3265
DIRECÇÃO
Presidente – Anabela Moutinho – Sócia 2954
Vice-Presidente – Graça Lobo – Sócia 2325
Tesoureira – Ana Lúcia Correia – Sócia 2431
Secretária – Veralisa Brandão – Sócia 4105
Vogal – Nuno Santos Silva – Sócio 4088
e é assim:
com a entrada da Ana Lúcia, a Veralisa e o Nuno, já começaram novas ideias a rolar..
entre as quais, abrir a organização do ccf a outros sócios que tenham projectos, queiram colaborar e, mesmo, ser responsáveis por eles!
assim:
está com vontadinha de fazer coisas giras? APAREÇA!!
(e não só neste blog!..)
Não está certo, não
O mais natural na gente é a gente morrer, mas a gente nunca gosta de ver quando a gente morre. E ainda gosta menos quando é gente nova e bonita e que faz filmes. Vão lá ver o que o Heath Ledger fez com uma câmara atrás de uma cantiga do Ben Harper. Ou confirmar a má reputação de Brad Renfro.
Obrigado Manoel de Oliveira
Pelo seu génio indiscutível.
Pela sua força indesmentível.
Pela sua perseverança sem par.
Pela sua erudição e cultura.
Pela sua sensibilidade tocante.
Pelo seu estilo único.
Pelo seu amor à palavra, à imagem, ao som, à música: ao cinema.
.
Obrigado, Manoel de Oliveira, por ter estado na nossa vida desde a 1ª sessão.
Por nela ter estado presente ao longo de quase 52 anos - e os mais que hão-de vir.
Faltavam exibir, na nossa história, duas longas-metragens que realizou – a distinção do Doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Algarve, que em boa hora acolheu essa nossa sugestão saída da Assembleia Geral de Sócios em Janeiro de 2007, e que se irá concretizar no próximo dia 15 de Janeiro, além de nos encher de honra e orgulho, foi o melhor pretexto para finalmente mostrar ao público algarvio essas suas duas obras maiores.
O seu nome, a sua obra, o seu esplendor fizeram-nos crescer como cinéfilos e como seres humanos desde o dia 6 de Abril de 1956. Até hoje. E até sempre.
Bem haja, Manoel de Oliveira.
A Direcção do Cineclube de Faro
Doutoramento Honoris Causa a Manoel de Oliveira pela Universidade do Algarve
Dia 15 de Janeiro, 15h30, Grande Auditório de Gambelas
Exposição bibliográfica e documental sobre Manoel Oliveira - espólio do Cineclube de Faro - no átrio do Grande Auditório de Gambelas
No final da cerimónia o CCF entregará uma gravura dedicada a Manoel de Oliveira da autoria do artista Afonso Rocha, como testemunho de admiração e reconhecimento a este insigne realizador.
Obrigado Manoel de Oliveira
Pelo seu génio indiscutível.
Pela sua força indesmentível.
Pela sua perseverança sem par.
Pela sua erudição e cultura.
Pela sua sensibilidade tocante.
Pelo seu estilo único.
Pelo seu amor à palavra, à imagem, ao som, à música: ao cinema.
Obrigado, Manoel de Oliveira, por ter estado na nossa vida desde a 1ª sessão.
Por nela ter estado presente ao longo de quase 52 anos - e os mais que hão-de vir.
Faltavam exibir, na nossa história, duas longas-metragens que realizou – a distinção do Doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Algarve, que em boa hora acolheu essa nossa sugestão saída da Assembleia Geral de Sócios em Janeiro de 2007, e que se irá concretizar no próximo dia 15 de Janeiro, além de nos encher de honra e orgulho, foi o melhor pretexto para finalmente mostrar ao público algarvio essas suas duas obras maiores.
O seu nome, a sua obra, o seu esplendor fizeram-nos crescer como cinéfilos e como seres humanos desde o dia 6 de Abril de 1956. Até hoje. E até sempre.
Bem haja, Manoel de Oliveira.
A Direcção do Cineclube de Faro
Doutoramento Honoris Causa a Manoel de Oliveira pela Universidade do Algarve
Dia 15 de Janeiro, 15h30, Grande Auditório de Gambelas
Exposição bibliográfica e documental sobre Manoel Oliveira - espólio do Cineclube de Faro - no átrio do Grande Auditório de Gambelas
No final da cerimónia o CCF entregará um testemunho da sua admiração e reconhecimento a este insigne realizador.
Feliz 2008
Já agora, também achei bem interessante a edição dos dois"10 mandamentos" de Cecil B. DeMille.


SINOPSE
A Infância de Ivan, é o primeiro filme do visionário realizador russo, Andrei Tarkovsky. Um filme com um forte impacto emocional e visual, um portento dos muitos temas que Andrei Tarkovsky desenvolverá ao longo da sua lendária carreira. Ivan é um rapaz de 12 anos de idade que vagueia pelas terras russas, fronteiriças com a Alemanha, destruídas pela Segunda Guerra Mundial. Entre os sonhos arrebatados com a sua família ausente e uma realidade composta por crostas de lama e sangue, ficamos a saber que o seu pai, mãe e irmã tinham sido mortos pelos alemães e que desde então Ivan tinha ingressado nos Serviços Secretos do Exército Russo. Apesar de chocante, a sede de sangue e vingança é contra-balançada com a inocência dos seus sonhos e memórias e com a sua lírica ligação à terra, criando imagens de uma infância perdida e de um triste futuro. Protegido e amado pela sua família ocasional, os austeros oficiais russos, Ivan consegue permanecer no exército e acaba por ser colocado noutra missão, que o leva directamente para as linhas de fogo.
Interpretação - Nikolai Burlyayev, Valentin Zubkov, Yevgeni Zharikov, Stepan, Krylov, Nikolai Grinko, Dmitri Milyutenko, Valentina Malayavina
Realização - Andrei Tarkovsky
Argumento - Vladimir Bogomolov
Produção - Mosfilm
Fotografia - Vadin YusovTradução - Alexandre Bazine
REALIZADOR Andrei Tarkovsky
INTÉRPRETES Nikolai Burlyayev, Valentin Zubkov, Yevgeni Zharikov, Stepan, Krylov, Nikolai Grinko, Dmitri Milyutenko, Valentina Malayavina.
Já quase que me tinha esquecido deste grande filme da escola russa de cinema, onde tarkovski é um dos seus grandes realizadores.
O cinema têm destas coisas estamos sempre a recordar grandes filmes, e este a infância de ivan é um filme ímpar.
(Feliz cinema novo!)
(*Está listado no imdb como assistente de realização do Duplo Exílio, do Artur Ribeiro.) Porque hoje é Natal- Do Céu Caiu uma Estrela- de Frank Capra

Do Céu Caiu uma Estrela é um excelente exemplo do cinema sentimental de Frank Capra. A forma simples e eficaz como transmite a mensagem universal de como um homem comum pode transformar (para melhor, claro) a vida dos que o rodeiam é perfeita e o grande charme do filme. Talvez a altura em que o filme estreou (pós-guerra) tenham contribuído para o seu fracasso, mas o acaso (mais uma vez) veio fazer justiça e trazer reconhecimento a uma das mais emblemáticas produções do cinema americano.
Só porque hoje é Natal , Do Céu Caiu Uma Estrela é um exemplo de como o cinema pode ser realmente extraordinário.
Revejam uma das obras primas de Frank Capra.
Oliveira
Algumas biografias dão a data de 11 de Dezembro, outras a de 12, como a do nascimento de Manoel de Oliveira, em 1908, na cidade do Porto. Seja como for, para quem faz 99 anos, uma indecisão assim já deve estar olvidada, de insignificante. Muitos parabéns - que lhe seja tão excelente o tempo que resta como tem mostrado ser o que já passou.
(Imagens do filme Cristóvão Colombo - O Enigma, o mais recente de Manoel de Oliveira, que estreará em 11 de Janeiro de 2008. Na foto de cima, Isabel e Manoel de Oliveira; em baixo, Ricardo Trêpa e Leonor Baldaque. As mesmas personagens, de uma idade a outra.)
Charles Chaplin- documentário na rtp2



"CHAPLIN HOJE" é uma série coordenada por Serge Toubiana, director da Cinemateca Francesa que convida algumas personalidades para falar sobre um determinado filme. A inteligência da escolha faz com que cada uma daquelas personalidades apresente um dos filmes de Chaplin, evidenciando aquilo que acabou por afectar o seu próprio cinema e o modo como passaram a ver o mundo.Uma série de documentários que nos mostra muitas histórias de "bastidores" sobre os filmes de Chaplin, contando curiosidades sobre cada um deles.
Digamos que isto é que é realmente serviço público, uma homenagem a charlie chaplin a quando
da sua morte que faz 30 anos.
Uma série de documentários exibidos durante esta semana de na rtp2 , como sempre a rtp2 continua com a sua programação realmente de "luxo" , é isto que é realmente televisão, e podemos assim rever o génio e o talento deste grande cineasta,actor,....Charles Chaplin.
Obrigado rtp.
vejam que é sempre bom rever charlie chaplin.
Carnival of Souls - 1962

De Cult Movie a Filme de Arte, Carnival of Souls influenciou toda uma geração de realizadores, profundamente sugestionados por suas sequências arrepiantes.
Quase 30 anos se passaram, até que se pudesse avaliar com justiça uma das maiores obras desconhecidas do Cinema de Terror, então destinada a sessões de TV espremidas no horário da meia-noite ou salas europeias dedicadas aos “cults” mais herméticos.
Produzido por uma dupla de aventureiros do Kansas -o realizador de filmes educativos Herk Harvey e o obscuro argumentista John Clifford- Carnival of Souls teve o plot concebido pelo segundo, a partir de uma ideia do companheiro impressionado pela visita a Saltair, um parque aquático abandonado em Salt Lake City.
Aparentemente linear, a história parte de um acidente de carro do qual a ingénua organista de igreja Mary Henry –Candace Hilligoss- escapa (?), imiscuindo-se por uma sequência de acontecimentos bizarros derivados de suposta paranóia.
Mary escolhe uma pensão no interior para morar, onde encontra o atrapalhado conquistador John Linden –Sidney Berger, canastrão que rouba a cena.
Presa numa teia de delírios sucessivos, nos quais vê-se perseguida por uma estranha figura de pancake afeita a aparições em reflexos de vidros e espelhos, conta com a ajuda de um psiquiatra, mas logo percebe ser inútil qualquer tentativa de “cura.”
O final, incongruente para quem tem preguiça de pensar, encerra a obra com um fecho metafísico de múltiplas abordagens.
Entretanto, o que legou a Carnival of Souls seu status de obra-prima do género, foram certos aspectos técnicos amparados pela esplendida fotografia de Maurice Prather, cria da produtora Centron Corporation, pertencente ao próprio Harvey, que dá à fita requintes de um preto-e-branco associável a mestres da categoria de Sven Nykvist ou dos velhos Buñuel da fase mexicana.
Harvey não brincou em serviço: em apenas três dias, fez com que o projecto aproveitasse o embalo do entusiasmo reinante na jovem equipa, amarrando cada plano na base de improvisos decisivos para a evolução da obra: por si majestoso, o Saltair funciona como o ápice do pesadelo vivido por Mary, com sua horda de fantasmas de pancake bailando alucinadamente.
Peça importantíssima do filme, a banda-sonora incidental de órgão composta por Gene Moore, alia-se ao clima sinistro do argumento, uma tapeçaria musical que passa do religioso ao gótico com efeito aterrador, acompanhando o dilema da personagem.
Carnival of Souls ganhou celebridade em suas exibições esparsas e terminou influenciando cineastas que se afirmariam na década seguinte dos 1970, como George A. Romero e David Lynch, este pela sintaxe tortuosa da narrativa.
Mal comparado a episódios da celebrada série televisiva The Twilight Zone, o filme ganharia edições vistosas em DVD, para vingar-se do descaso sofrido durante anos no undeground. Inegavelmente uma gema para apreciação de todas as gerações de cinéfilos adeptas do Cinema de Terror.
Atenção!O plano do desdobramento de Mary Henry numa loja, é especialmente genial.
Por trás de sua cabeça o horizonte se desvanece, com efeito imitado inúmeras vezes em filmes de temática sobrenatural.
Realmente o cinema é fantástico, e descobrir filmes que estão há tanto tempo encerrados nos baús a ganhar teias e pó , é extremamente enriquecedor para nós cinéfilos,realizadores!!!
Existe um site o like television em que se pode ver online com excelente imagem e som e ecrãn completo toda uma colecção de filmes de culto , desde os de terror série b e ficção cientifica, até clássicos como os primeiros filmes de charlie chaplin entre muitas outras raridades cinematográficas.
Vi este Carnival of Souls hoje e fiquei realmente impressionado pelo filme em si, embora em alguns aspectos na representação de alguns actores , a coisa não tenha corrido muito bem , mas o que me impressionou mais foi a atmosfera do filme em si, e a protagonista do filme , fez-me lembrar um bocado de Catherine Deneuve no filme Repulsa de Roman Polansky, aquela sucessão de acontecimentos absurdos , hipnóticos,psicológicos, em Carnival of Souls a permissa é identica.
Fiquei impressionado com o filme , que fiz uma busca há procura de respostas e eis que elas aqui estão.
Um filme de baixo orçamento feito em duas semanas que infleunciou cineastas como romero ou lynch , um filme caracteristico do inicio de carreira de buñuel ou jean couteau , tem de ser mesmo objecto de culto.
Um grande filme de terror psicológico , um filme de culto a ver a descobrir ou redescobrir.
O cinema é realmente fantástico!!!!!!!Fascinante!!!!!
Carnival of Souls(1962)
Realização: Herk Harvey
Com: Candace Hilligoss, Frances Feist, Sidney Berger
Duração: 78 min.(p/b-eua)
dá-me música...

Todas as canções de amor contam a mesma história: "Há muitas pessoas que te amam", "Não posso viver sem ti", "Desculpa, anjo". "As Canções de Amor", realizado por Christophe Honoré e com música composta por Alex Beaupain, conta também a mesma eterna história. As canções, interpretadas pelos próprios actores, desvendam, passo a passo, as emoções, segredos e desejos de um grupo de jovens parisienses.
cinecartaz.publico.pt
... em 12 de dezembro

E por falar de amor, eis O SABOR DA MELANCIA. Amor num duplo sentido: o de uma mulher toldada pela falta de água em Taiwan que está apaixonada por um actor porno; e o do espectador por este filme, que exige a entrega total. Não há mapa para navegar nas obras de Tsai Ming-Liang – entra-se nelas como no comboio-fantasma. Tentar redigir uma sinopse é tarefa possível, mas não adianta nada – a história é apenas um cabide para pendurar ideias, planos, obsessões. Existe sexo (mas ao contrário do que se dizia, não é explícito), existem números musicais que parecem saídos de um musical kitsch em Technicolor, existe uma obsessão por melancias. E existe uma cena inicial que nunca mais abandonará a cabeça de quem a viu: dois corpos a fazer amor e uma melancia – claro – de permeio. Não me perguntem se o filme é “bom” ou “mau”. Apenas posso garantir que é uma experiência irrepetível. E, no que toca ao cinema, isso já é um grande elogio.
João Miguel Tavares
... em 19 de dezembro

Ricardo (Filipe Duarte) é um travesti que perdeu o gosto pela vida depois da morte do namorado. É então confrontado com a alegria de viver de Vasco (Tomás Almeida), o seu sobrinho, um adolescente com Síndrome de Down, que conhece quando regressa à cidade natal que abandonou há anos. Realizado por Luís Filipe Rocha ("A Passagem da Noite", "Adeus, Pai"), "A Outra Margem" foi apresentado no Festival de Montreal onde Filipe Duarte e Tomás Almeida foram distinguidos ex-aequo com o prémio de melhor actor pelas suas interpretações comovedoras. Para o realizador, tratar estes temas que é uma forma de "Iluminar e exibir a humana normalidade dos ''anormais'' é confrontar os ''normais'' com a sua própria e íntima ''anormalidade''. É propor uma ponte de compreensão entre as duas margens".
cinecartaz.publico.pt
Clássicos do cinema de Terror

Viva a todos .Brasil em Portugal
(Lázaro Ramos no papel de André em O Homem que Copiava, Jorge Furtado, 2003)"O dobro de cinco" será dez?
O nome de Lourenço Mutarelli está em alta. E fico feliz que muitas outras pessoas o encontrem, seja por meio das bandas desenhadas, literatura, cinema ou teatro.Comecei a acompanhar seu trabalho justamente em O dobro de cinco (lançado em 1999 pela Devir), que está virando filme nas mãos do realizador Dennisson Ramalho, com Cacá Carvalho (conhecido pelo papel de Jamanta nas telenovelas de Sílvio de Abreu) como protagonista. O dobro... apresenta Diomedes, um detetive mequetrefe, com casamento falido e pouca grana. Ele vê uma oportunidade de se reerguer quando é contratado para encontrar um mágico outrora famoso, o Enigmo.
São quatro BDs que compõe a “trilogia do acidente”: O dobro de cinco, O rei do ponto e A soma de tudo (partes 1 e 2). Os últimos livros se desmembraram por consumir mais páginas e mais tempo de produção (geralmente um ano para cada). Mutarelli nos mostra uma história policial, mas com toda sua particularidade e estilo. Sua arte evolui
a cada volume, com uma riqueza de detalhes impressionante (vide o detalhe do Monastério dos Jerônimos, em A soma de tudo – parte 1). Encantado por Portugal quando foi lançar O dobro de cinco no Festival de Amadora, nomeou Diomedes detetive intercontinental em A soma..., misturando mais mistério e magia de Lisboa, onde se passa parte da história.Para o filme, que infelizmente está previsto para 2009 (!) no Brasil, será misturado mise-en-scène de atores, cenário de BD e efeitos visuais em 3D. “A princípio, seria uma animação, mas o Grampá (desenhista de produção) sugeriu mesclar com o action para ficar mais orgânico”, afirmou um dos produtores, Rodrigo Teixeira. Passando os olhos nas fotos de divulgação que circulam por ai, parece que vamos ter mais um ótimo filme baseado em Mutarelli.
Além de O dobro de cinco, foi adaptado para o cinema O cheiro do ralo (com Selton Mello), seu primeiro romance, e Nina (este com animações baseadas em seus desenhos), todos dirigidos por Heitor Dhalia.
e também extensão doclisboa
ainda mais com o palmarés português.
a margarida cardoso vai estar cá. e foi ela que ganhou o prémio mais importante na competição nacional!
não me admirou. é um filme fabuloso, maduro, inteligente.
Cinatrium
Dia 9, 21h30
AS OPERAÇÕES SAAL, de João Dias, 90´Portugal, 2007
Prémio Midas para melhor filme português presente no festival (distribuição e edição DVD)
Criado por iniciativa do arquitecto Nuno Portas enquanto Secretário de Estado da Habitação e Urbanismo do I Governo Provisório, o Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL) foi um programa de assistência à construção de habitação promovida por Associações de Moradores que visava "apoiar as iniciativas de populações mal alojadas no sentido de colaborarem na reconversão dos próprios bairros investindo os próprios recursos latentes e eventualmente monetários". A Arquitectura Portuguesa do 25 de Abril é o SAAL - movimento ímpar na história do pensamento da arquitectura, que serviu de exemplo e de discussão para muitos outros projectos a nível internacional.
Dia 10, 15h30
& ETC, de Cláudia Clemente, 25´Portugal, 2007
Prémio Tobis para melhor filme português curta-metragem
Fundada em 1973, a "& etc" é uma pequena editora que se rege por parâmetros únicos: não tem fins lucrativos, não publica obras comerciais e aposta em autores desconhecidos. Tornou-se ao longo dos anos uma referência no panorama nacional, conhecida tanto pelo lado plástico/estético dos seus livros quadrados, como pela singularidade dos autores que publica, entre os quais João César Monteiro, Adília Lopes ou Alberto Pimenta. Dois responsáveis desta editora, Vitor Silva Tavares e Rui Caeiro, recordam neste filme alguns episódios passados ao longo das três décadas de aventuras literárias.
A CASA DO BARQUEIRO, de Jorge Murteira, 63´ Portugal, 2007
Prémio Sony para melhor primeira obra portuguesa
Prémio IPJ Escolas para melhor filme português
Paulino é o último barqueiro da Amieira do Tejo. Entre as duas margens do rio é ele quem assegura a ligação. Mas raros são os passageiros e a seu posto de trabalho será brevemente extinto pelo poder. Enquanto isso não acontece, Paulino faz da barraca sobre o rio a sua casa improvisada. Vive ao ar livre e só recolhe quando a chuva, o frio ou o vento apertam. Pede e resmunga uma nova casa em condições. Mas quem o ouve? No Inverno e no Outono, aguarda sozinho os clientes perto da fogueira sobre o vale do rio, atento à passagem dos comboios que raramente trazem fregueses. Na Primavera e no Verão, fica à mesa de sulipas, solitário, mas sempre disponível para partilhar um copo ou um petisco com um turista ocasional.
Dia 10, 21h30
ERA PRECISO FAZER AS COISAS, de Margarida Cardoso, 52´ Portugal, 2007
Grande Prémio Tobis para melhor filme português longa-metragem
Prémio Midas para melhor filme português presente no festival (distribuição e edição DVD)
Alguns dias de Outono durante os ensaios de “O Tio Vânia” de Tchékhov. Actores e encenador procuram o caminho para a construção de qualquer coisa em comum. As suas vozes interiores, as suas dúvidas, confundem-se com as das personagens que tentam alcançar. A casa, o tempo, a idade, a frustração. Não estaremos todos à procura de sentido?
Abi Feijó em Faro
A apresentação terá lugar no Mercado Municipal de Faro no âmbito da mostra do curso de Design de Comunicação da Universidade do Algarve (UALg) intitulada “O Quê? Ao sabor da Ideia”.
De notar que a publicação Brinquedos Ópticos --feita a pensar nas actividades escolares em (pré)cinema-- inclui o dvd com o filme assim como flip books, taumatrópios, zoetrópios, etc. para recortar e montar. Irá existir uma banca com alguns exemplares à venda.
Foi assim, no subsolo
As três sessões que ainda terão lugar já estão esgotadas, mas pode ser que a iniciativa se repita.(Lamento a fraca qualidade da foto, mas a luz lá em baixo não era a melhor, muito menos para uma leiga em fotografia, como sou.)
Verde e amarelo a preto e branco
(Pensa a Baleia em Vidas Sêcas, de Graciliano Ramos: "Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. ... O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes.")Durante o último mês tenho tentado preencher um vazio na retina dos meus olhos. Começava a ser um buraco demasiado largo e, no fim, arriscava cegar para tudo o que já vi. Não comecei por este, mas Vidas Sêcas, de Nelson Pereira dos Santos, é um dos filmes que com maior energia se fixou em mim. Por motivos diferentes e todos marcantes. O filme foi produzido por Luiz Carlos Barreto (LCB). Assim dito, para alguém que pouco ou nada sabia de cinema brasileiro até há, portanto, uns trinta dias, não significava nada. Mas se se quiser escolher um caminho para se adentrar na filmografia brasileira dos últimos quarenta anos, este nome levará a uma das estradas mais largas.
Além de produtor, neste filme LCB fez também a fotografia - foi como fotógrafo que começou e por aí foi também que me chamou a atenção antes de mais nada. Se não houvesse movimento naquelas imagens (em certas sequências, quase não há), o prazer que tirei de ver o filme seria idêntico ao que teria numa exposição da sua obra fotográfica, tenho a certeza. O realizador foi Nelson Pereira dos Santos, outro caminho amplo para o cinema brasileiro.
e há ainda cinema na mina de sal gema
a começar dia 29 de setembro com o seguinte programa:Dia 29 Setembro
CABINE TELEFÓNICA, Joel Schumacher, EUA, 2002, 81’
Dia 6 Outubro
SALA DE PÂNICO, de David Fincher, EUA, 2002, 112’
Dia 13 Outubro
UNDERGROUND – ERA UMA VEZ UM PAÍS, de Emir Kusturica, Sérvia, 1995, 167’
Dia 20 Outubro
A NOITE DOS MORTOS VIVOS, de George Romero, EUA, 1968, 96’
Projecção de 4 filmes divididos em 4 matinés numa das galerias da mina a 230 metros de profundidade, sob a temática da “clausura”. A exibição dos filmes será inteiramente gratuita, mas limitada a um total de 40 inscrições por sessão.
Para formalizar a sua inscrição deverá contactar a Casa da Cultura de Loulé através da morada de e-mail ccloule@iol.pt indicando a sessão pretendida, o nome e o contacto telefónico; a falta de qualquer destes itens poderá inviabilizar a inscrição.
Todas as sessões decorrem aos Sábados e todos os espectadores terão que estar junto às instalações da Mina de Sal Gema (Rua Quinta de Betunes) às 15 horas.
a organização é dos nossos colegas da casa da cultura de loulé (como se vê) e nossa (quanto ao ciclo) e tem, naturalmente, a colaboração da cuf.
cinema nos subterrâneos nunca tinhamos dado!! o ccf é assim: leva-nos às alturas até debaixo de terra...
we're back! (actualizado no dia 17)
cheios de força por essa galáxia adiante!
a ver se encontramos algures nela o subsídio da câmara que nos permitirá sobreviver!
no entrementes, arranjamos óptima programação muuuuuuuito baratinha!
(oh inclemência!, oh martírio!)
se repararem, são 9 sessões entre dias 19 e 3 de outubro e só uma é paga. ah gente generosa que somos nós, hein???
(facto que ciclo-ciclo nosso é só um mini-um, os outros dois são colaborações)
SETEMBRO 2007
CICLO PARA SEMPRE
Cinatrium, Sala 2
Dia 19, 18h, entrada livre
CENAS DA VIDA CONJUGAL, Ingmar Bergman, Suécia, 1973, 167’
Dia 19, 22h, entrada livre
SARABAND, Ingmar Bergman, Suécia, 2005, 120’
Dia 26, 22h, ENTRADA PAGA QUE SOMOS UNS EXPLORADORES
PROFISSÃO: REPÓRTER, Michelangelo Antonioni, Itália, 1975, 126’
CICLO SERRALVES - CINEMA CONTEMPORÂNEO
Teatro Lethes, 22h, entrada livre
Dia 22
KITSUNE (O ESPÍRITO DA RAPOSA), João Penalva, 2001, projecção de vídeo, cor, som, 55'28'' - em duas versões (português e inglês), num total de 2 horas de sessão (aprox.)
Dia 23
A STUDY OF THE RELATIONSHIP BETWEEN INNER AND OUTERSPACE, David Lamelas, 1969, 16mm, p/b, som, 24'
WAVELENGHT, Michael Snow , 1967, 16 mm, cor, som óptico, 45'
SPIRAL JETTY, Robert Smithson, 1970, 16mm, cor, som, 35'
Organização: Museu de Serralves / Câmara Municipal de Faro
CICLO SEMANA DO MAR
Cinatrium, entrada livre
Dia 27, 18h45
A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS, Isabel Coixet, Espanha, 2005, 115'
Dia 29, 18h45
O VELHO E O MAR, Alexander Petrov, Rússia, 1999, 22', animação
PRAIA DA LOTA, Sofia Trincão e Óscar Clemente, Portugal/Espanha, 2001, 30', documentário, com a presença da realizadora
Dia 30, 16h
O PIRATA DAS CARAÍBAS: A MALDIÇÃO DE BLACK PEARL, Gore Verbinski, EUA, 2003, 143’
Dia 1, 18h45
MARIA DO MAR, Leitão de Barros, Portugal, 1930, 70’ filme mudo musicado
Organização: Universidade do Algarve
(tanta trabalheira pro site, tanta trabalheira pra barrinha ao lado! oh inclemência, oh martírio!!)
ah! e ainda sendo queestamos também a colaborar com a câmara municipal de são brás (continuamos, melhor dizendo) nas sessões de cinema que eles promovem, também com entrada grátis, no cine-teatro local, aos domingos pelas 16h30.
Começa amanhã, dia 16, o ciclo Irmãos Marx, com Animal Crackers, por Breton (foi ele, não foi Mirian?) considerado um primor do cinema surrealista. Imperdível! Veja a programação aqui.
Toca a acordar! (Ou, onde é que andamos?)


Da poesia de Fellini
(ontem me chegou pelo correio um livro do qual ainda não consegui me separar. É de um escritor brasileiro chamado Mario Quintana (1906-1994). Ele tece comentários um pouco sobre tudo em seu Caderno H: livro de poesia? de crônicas? de aforismos? De tudo, talvez. E nele encontrei este texto sobre Fellini e não resisti a transcrevê-lo num post.)Get me a ticket to...
Moscovo, Paris, Londres, Turim, Tânger, Madrid, Nova Iorque, what the heck!... Desde que possa sentar-me num cinema, de frente para um écran gigantesco, e veja filmes de acção como este, tanto se me dá. The Bourne Ultimatum tem apenas dois defeitos, e nem sequer são narrativos. Há ali um bocadinho em que descamba para o lamechas, quando o tipinho, depois de descobrir que é matador a soldo, e tal, confronta outro que o vinha assassinar, com o esperado "já pensaste bem no que nos transformaram?" Bullshit, era escusado. O outro é a cena final, dentro de água, mas não adianto. Está mal, full stop. De resto, venham mais quatrocentos e quinze ultimatos, saltos de janelas com vidros partidos, tiros de carros em andamento, apartamentos destruídos pelos polícias, mesas de café insuspeitas e gares perfeitas, cheias e anonimáveis, mortos por inabilidade e inanidades afins. Muitos, muitos mais filmes noir do nosso tempo, sem fito ou intuito, só rostos perdidos nos cenários urbanos. Perdidos por dentro.
Ensinar com técnicas de imagem animada (prendinha para todos os professores)
Está disponível em Guia e tem sete partes: ‘Welcome’, ‘Start’, ‘How to teach’, ‘Make a movie’, ‘Technical set-up’, ‘Techniques e ‘History’.
O professor poderá encontrar informações para, passo a passo, ensinar usando a metodologia necessária à produção de um filme de animação com a ajuda de computadores e câmaras vídeo: como criar uma história, como estruturar um guião, como animar usando técnicas diferentes e como fazer a edição final. Existem instruções para a instalação do equipamento mínimo necessário, escolher as aplicações informáticas mais adequadas entre as disponíveis (em 'open source', isto é, grátis na internet ou de raiz no seu computador) e como gravar e usar uma banda sonora. Poderá consultar, ainda, uma introdução breve à História da Animação. Encontrará, sobretudo, exemplos de planificações de processos pedagógicos elaboradas sobre a exploração destes aspectos.
Este Guia é o resultado de um trabalho de investigação realizado - entre Outubro de 2005 e Agosto de 2007 - por um grupo de especialistas europeus provenientes das seguintes instituições: The University of the West of England, Bristol (Reino Unido); Ciclope Filmes, Porto (Portugal); 9Zeros, Barcelona (Espanha); Kinobuss, Tallinn, (Estónia); School of Education, University of Aarhus, Copenhagen (Dinamarca); e coordenado pelo Animation Workshop, CVU Midt-Vest (Dinamarca).
O projecto foi financiado pela Comunidade Europeia através do programa Leonardo Da Vinci.
Esta imagem faz parte do pequeno filme que resultou do 2º teste do Guia, efectuado em Outubro de 2006, com a Professora Maria José Ramalho e as 20 crianças que, com ela, frequentaram o 1º ano do 1º ciclo do ensino básico da Escola do Alto de Rodes, em Faro, assistidas pela aluna Inês Mendes da Escola Superior de Educação.
Raridades
Explorei-o e descobri um filme que só vi uma vez e há muitos, muitos anos: L'Idée (1930-32, 26') de Berthold Bartosch (www.bibi.vlog.br/archive/2007/06/lidee.html ).
Trata-se de uma média metragem realizada com técnicas de animação e o tema é iluminista: o da liberdade de expressão como valor supremo e frágil, personificado na figurinha de uma mulher nua: a Ideia.
Consta que foi o primeiro filme a usar um instrumento musical electrónico na sua banda sonora: o Ondes Martenot.
Bartosch, nascido checo e falante de alemão austríaco, realizou-a em Paris sobre xilogravuras do belga Frans Masereel, publicadas em livro com o mesmo título do filme e prefácio de Herman Hesse. Com excepção dos conceitos gráficos e música (de Arthur Honegger), tudo no filme pertence a Bartosch: movimento, iluminação, conceitos de espaço e técnicas de animação. O autor usou camadas sobrepostas de vidro (até 4), iluminadas por debaixo, nas quais dispôs silhuetas recortadas em cartão e papel translúcido. A junção e articulação das partes que compõem as silhuetas foi realizada com sabão (no fim da vida, Bartosch comentava a Claire Parker, mulher de Alexeieff, outro realizador importante, que com sabão se podia fazer quase tudo!). O sabão também foi usado para produzir o halo de luz que se vê nas imagens. Esta é a técnica para os grafismos a negro. Para os grafismos a branco a técnica usada foi a da sobre-exposição (até 18 passagens). Esta também foi usada nos casos de multidões a passar transversalmente em relação ao plano da imagem.
Bartosch fez parte da equipa que trabalhou com Lotte Reiniger em dois dos seus filmes: O Ornamento do Coração Enamorado (1919) e As Aventuras do Príncipe Ahmed (1923-26, 81' a 18i/seg) a primeira longa-metragem de que há memória.
(imagem disponível em MovieMail)
Algumas destas informações constam em Russett, R., Starr, C. (1976). Experimental Animation, Origins of a New Art. New York: Da Capo Press, Inc., pp.83-89.
Este site não tem só animações. Convido-vos a explorá-lo.
Marina Estela Graça
Festival Internacional de Vídeo do Algarve 2007-Premiados



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