CCF representado no Seminário da Agecal em Lagos - e muito bem!
É nesse sentido que tem promovido Seminários para encontro de especialistas e reflexão comum e alargada.
Desta vez, a 27, 28 e 29 de Janeiro, no Centro Cultural de Lagos, organiza o Seminário SERVIÇOS EDUCATIVOS EM ESPAÇOS CULTURAIS, nos quais o Cineclube de Faro estará presente, pela intervenção da nossa Vice-Presidente GRAÇA LOBO no tema "Concepção e organização de serviços educativos – experiências no Algarve". A Graça intervirá às 14h30 de dia 29, falando sobre
PROJECTAR COM FUTURO – Uma experiência de colaboração entre a Direcção Regional de Educação do Algarve e o Cineclube de Faro
O Cineclube de Faro nasceu em 1956 e desde essa data que tem tido actividade ininterrupta. Tal como os princípios programáticos do Movimento Cineclubista, pretende ser um espaço onde projectar filmes é simultaneamente uma estratégia de divulgação de várias cinematografias, correntes e história do cinema, numa perspectiva de formação de um público crítico. É nesse sentido que tem vindo a organizar cursos e seminários e promovido sessões de cinema para associados, escolas e público em geral.
Como corolário desta acção de cariz formativo, passará, a partir do ano de 1997, a ser parceiro da Direcção Regional de Educação do Algarve no Programa JCE Juventude/Cinema/Escola. Este Programa sequencial, tem vindo a formar uma rede de dezenas de escolas, centenas de professores e milhares de alunos com o intuito de promover a literacia visual e a expressão artística.
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O som e a fúria
Kinatay de Brillante Mendonza (2009)
Apesar da obra de Mendonza ser inédita, foi editado em Portugal o DVD de Serbis/Serviços (2008) que custa 9.99€ na FNAC. Existem ainda edições de Tirador (2007) e John John (2007) na Amazon France e de Masahista (2005) na Amazon UK. A Associação Zero em Comportamento levou a cabo uma integral de Brillante Mendonza que teve lugar na Culturgest a semana passada.
Dia 25: "Não existe vitória na vingança" ou Histórias de Caçadeira segundo Jeff Nichols.
Esta é a ideia que escolhi explorar com Shotgun Stories (…). Tantas vezes na literatura, nos filmes, na política e na sociedade, a vingança, e, principalmente, a execução da vingança, é considerada um sucesso. Quer seja no preenchimento do seu voto em arruinar Danglar por parte de Edmund Dantes em O Conto de Monte Cristo ou na queda para a morte de Hans Gruhber em Die Hard, a euforia que sentimos enquanto espectadores a assistir ao vilão receber a sua destinada é inegável. Com Shotgun Stories eu queria trabalhar contra esta noção. Eu queria que a vingança fosse uma coisa estranha de precisar e uma causa não necessariamente defendida pelo espectador. A violência é uma tarefa pouco habitual para estas personagens, assim como o é para a maior parte das pessoas. A sua raiva e emoções são válidas, mas as suas reacções a essas emoções não são precisas. A minha esperança é que Shotgun Stories dê um retrato honesto de pessoas normais e trabalhadoras a responderem à dor e ao desgosto de coração que encontram, e que por vezes criam, nas suas próprias vidas.
Antes da produção eu tinha um argumento que achava bastante honesto.O truque era fazer com que o filme também se parecesse com o argumento. Gary Hawkins, um professor que tive e amigo que me ajudou em Shotgun Stories, disse que o trabalho dos realizadores de documentários era estruturar os seus filmes o mais aproximadamente dos filmes narrativos possível, mas que era o trabalho dos realizadores narrativos aportarem tanta realidade para os seus filmes como a encontrada nos documentários. Parece simples, mas a produção de filme narrativo não é particularmente dada ao realismo (especialmente quando feita em película).
O Sudeste do Arkansas é um lugar de combustão lenta. As pessoas deslocam-se em passos seguros num fundo de quintas vastas. Isto para mim significava um formato de 2:35. Significava filmar em quadro em vez de usar imensa câmara à mão. Significa pausas grávidas nos diálogos e não deixar pôr muita maquilhagem nas minhas actrizes. Significava que a câmara não se mexia, a não ser que fosse absolutamente necessário. Isto não é um filme que pudesse ser feito noutro sítio qualquer (…). O Arkansas é o filme.
Jeff Nichols
O Lugar é o Arkansas, uma pequena cidade rural em terra de fim do mundo, com paisagens largas e tédio a condizer, filmada em formato scope por dentro do qual o tempo se derrama e a sufocação cresce. Houve um tipo, anos atrás, alcoólico, que fez três filhos numa mulher com quem vivia, mas nem sequer se preocupou em lhes dar nomes de gente. A um chamou simplesmente Son, a outro Kid e, ao mais novo, Boy - e, depois, foi-se embora, deixando-os entregues a uma mulher odiosa (é Son quem o diz) que, por sinal, era a mãe. Entretanto fez uma cura, encontrou Jesus, reabilitou-se, pelo menos aos olhos da sociedade. Arranjou outra mulher, fez outros filhos, levou uma vida de homem crente e temente a Deus, assim o garante o oficiante religioso do seu funeral a que vão, sem serem convidados, Son, Kid e Boy. Son acaba a cuspir no caixão do pai desencadeando uma guerra fratricida com os seus meios-irmãos. A tragédia instala-se.
"Histórias de Caçadeira" é um filme feito de violências viscerais que raramente se tornam explícitas no ecrã. Há as marcas, as consequências, os actos não. A começar pelo passado dos três irmãos, Son, Kid e Boy, que presumimos feito de abandono afectivo e cuidados precários. Ainda agora eles vivem uma existência ao deus-dará. Son tem uma profissão rude na aquacultura local, mas dissipa quase tudo o que ganha num sistema com o qual julga poder ganhar infalivelmente no casino: no início do filme, a mulher deixou-o e levou o filho com ela. Kid sonha em casar com uma rapariga, mas vive numa tenda, não tem sequer uma carrinha, uma profissão, um lugar onde morar – e tem medo das responsabilidades de adulto. Boy vive num furgão, derrete-se com o calor que lá faz, transporta um aparelho de ar condicionado que quer pôr a funcionar ligando-o ao isqueiro do carro e sonha ser treinador de basquetebol. Ao contrário, os irmãos do segundo casamento do pai estão a tentar levar por diante uma exploração agrícola, parecem encarreirados na vida. Só que, quer uns, quer outros, ficam igualmente primitivos e cegos pelo ódio quando chega o momento de se defrontarem.A lógica do filme, em que a violência entre os dois grupos vai crescendo, parece conduzir a uma situação de last man standing, ou seja, de eliminação sucessiva de contendores até que só um subsista. E isto vai acontecendo movido pelo combustível da fatalidade, como se o motor, uma vez posto em marcha não mais se pudesse deter. Há qualquer coisa no ar - ou na terra, nos mosquitos ou, então, é o calor, a poeira que se desenha no sol posto - que alimenta a febre de não mais a paz ser possível. Não estou a fazer poesia barata, o que é relevante em "Histórias de Caçadeira" é precisamente a instalação desse clima que se cola à pele do espectador, como um visco que não sai, e que tanto provém dos planos fixos sobre a cidade desgostante, como da secura dos diálogos - veja-se a cena em que a mãe vai bater à porta dos filhos e dizer-lhes que o pai morreu - como se aquela gente pouco articulasse ou soubesse dizer. O filme não deixa, no entanto, que o manto negro da desesperança se cerre sobre os personagens, encontra uma porta de saída para eles, não digo uma via para a felicidade, essa estar-lhes-á sempre negada - mas que sabemos nós sobre a felicidade dos outros? Tomar umas cervejas no alpendre da casa, em silêncio, ao fim do dia, poderá ser uma aproximação?
"Histórias de Caçadeira" é um daqueles filmes independentes que poderiam ter ficado perdidos no limbo para onde vai a maior parte das produções que não encontram uma grande distribuidora para os fazer encontrar o caminho das salas. Esta fita onde Jeff Nichols se estreou com habilidade de autor completo (argumento e realização) acabou por encontrar o seu caminho através dos festivais (esteve em Berlim, em 2007) e chega-nos agora, um pouco atrasada, mas ainda a tempo de verificarmos que o outro cinema americano continua a ter motivos de interesse.
Jorge Leitão Ramos, Expresso
IPJ_2ª F_25 JANEIRO _21H30
sinais dos tempos...
mas não era bem sobre isto que eu queria falar. a verdade é que este filme confirma uma tendência nas produções da disney: as eternas famílias compostas de tios e sobrinhos chegaram ao fim. o novo universo dos estúdios do mickey é composto de famílias monoparentais, onde a mãe não é uma neo-virgem, mas tem vários namorados; ou famílias compostas de casais em segundo matrimônio com filhos; referências explícitas ao universo gay... no filme old dogs brinca-se, sem qualquer preocupação ou culpa, com a possibilidade do Travolta e do Williams serem um casal e terem adoptado dois miúdos. brinca-se, sem nada de politicamente correcto, com o tamanho de uma personagem. aliás, o melhor do filme é ver os dois atores a rirem de si mesmos e a constatarem que o tempo passa. e que passou sobre eles. claro, há lamechice também. não era um filme disney sem isso. mas é uma pequena parte de uma comédia deliciosa. e um bom indicador de que os ventos da mudança abalam até mesmo os mais sólidos princípios conservadores. e isto é mesmo muito bom.Resistir pelo Silêncio
Filme de monólogos, era Jean-Pierre Melville em 1949, com Le Silence de La Mer.
Duarte Infante - uma entrevista; razões de uma gratidão
«Ainda no contexto das actividades políticas, ocorreu-lhe fundar, em Faro, um cineclube, para através do cinema também lutar contra o regime. E é disso que dá conta ao seu grande amigo João de Brito Vargas.
«Um dia saio da loja e encontro o meu amigo Vargas. Já andava com aquilo metido na cabeça há algum tempo e sugeri-lhe a fundação de um cineclube a exemplo do que sucedia noutros pontos do país. Ele aceitou a ideia de imediato, tendo sido um dos seus principais impulsionadores. Eu estava muito preso na loja, e ele como tinha mais vagar começou logo a mexer os cordelinhos. A possibilidade de aquilo ir avante era meter gente que não fosse mal vista pelos poderes e então meteu-se o Dr. Cassiano, o Baptista da farmácia, um professor do liceu e umas pessoas assim para dar um aspecto de seriedade às coisas. E então com muitas dificuldades lá se conseguiu. De tal maneira que no dia em que era para ser inaugurado não foi. Lá arranjaram um pretexto, que não me recordo qual foi, para adiarem aquilo para o outro dia, mas conseguiu-se e o Cineclube de Faro funciona ininterruptamente desde 1956, o que sob este aspecto o torna o único do país.»
Duarte Infante, livreiro, antifascista, democrata. Cineclubista. Honra à sua memória.
Classico e Moderno
Dois dos melhores filmes de 2009. Tempos de Verão (L'heure d'été) de Olivier Assayas e Ne change rien de Pedro Costa.
Faleceu Duarte Infante, sócio fundador do Cineclube de Faro
Duarte Infante:
Fundou, com outros jovens como ele, à época, o nosso Cineclube.
Permaneceu, ao longo destas mais de 5 décadas, como um dos sócios mais activos, interessados e participativos em todas as nossas actividades.
Disse sempre presente, nas alturas de maiores dificuldades e desânimo.
Foi invariavelmente de uma imensa correcção, cordialidade e respeito.
Esteve sempre connosco.
Esteve sempre.
Corpo presente na Igreja do Largo Pé da Cruz a partir de amanhã, dia 20, pelas 14h.
Funeral e cremação no Cemitério do Alto de São João na 5ªf, dia 21.
Deixou escrita uma sugestão:
que se tencionassem ofertar flores em sua memória, que fosse, singela mas significativamente, um cravo vermelho.
Não houve, não há, muitos Homens desta têmpera.
(com a esposa, Dª Domitília Infante, e Manoel de Oliveira, quando do Doutoramento Honoris Causa outorgado pela UAlg ao realizador, Janeiro de 2008)
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A Direcção do Cineclube de Faro, em seu nome e no de todos os nossos sócios desde 1956, apresenta o seu último agradecimento a tão ímpar figura e apresenta as mais sinceras e sentidas condolências à respectiva Família.
até sempre, Duarte Infante.
acompanhar as praias de agnès com cafezinho e bolinhos... hum!
bar do IPJ fechado e contra isso nada a fazer?
não! uma aldeia de irredutíveis cineclubistas combate hoje e sempre a força d.. as contrariedades!
e lá vamos de cafezinho e bolinhos para o nosso público!
até logo :-)
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praias para todo o ano, para toda a vida. as de agnès.
Há filmes inclassificáveis, puras manifestações de engenho e amor. Amor pelo cinema e amor pelos outros. Os filmes de Agnès Varda fazem parte deste grupo restrito e privilegiado. Sejamos claros. Os privilegiados somos nós, espectadores, cinéfilos ou não, que entramos no reino fabuloso do imaginário de Agnès, povoado por praias que se espalham pelos seus filmes, seu lugar de eleição. Todo o seu cinema é um diário pessoal, por vezes intercalado (como todos os diários) por 'narrativas'. Mas mesmo estas, filmes como "Duas Horas na Vida de Uma Mulher", "A Felicidade", "Sem Eira nem Beira", surgem como reflexões da realizadora sobre pessoas, sobre a vida, o amor e a morte.
Morte que conhece bem e também sabe filmar: a do seu marido, o grande Jacques Demy, o homem das "Donzelas de Rochefort", que Varda celebra em "Jacquot de Nantes" e recorda em planos desse filme inscritos neste e imagens que são como que recriações do seu imaginário."As Praias de Agnès" é uma espécie de 'visita guiada', conduzida pela própria realizadora, num comentário simples e singelo, pela sua vida e obra, por amigos, conhecidos amigos e amantes, por lugares estranhos que visitou ao longo dos anos, por Cuba com um Fidel que fotografa em pose de vedeta de cinema, aproximando-se de outros 'daguerreótipos' (que foi título de um dos seus filmes mais pessoais), por Hollywood e um inesperado encontro com um Harrison Ford de quem poderia ter sido a madrinha de estreia, evocação de um tempo de lutas (insólita, com um ar de pequena traquina nos seus 80 anos de vida, em 'manifs' feministas), reencontros no tempo com as imagens de Gérard Philipe, Catherine Deneuve, Philippe Noiret, Corinne Marchand e tantos outros ("como eram jovens e belos", comenta Agnès).
Digressão ao longo da sua obra a que não faltam pitorescos pormenores, no que se refere ao seu filme de estreia, "La Pointe Courte", com a realizadora revisitando os lugares de filmagens e reencontrando os jovens que filmou, agora com os rostos feitos mapas do tempo e da vida. O encontro com Demy, o amor da sua vida, e que acompanha a Hollywood quando Hollywood chamou Demy. Varda aproveita a visita para fazer os seus documentários mais polémicos, entre eles um sobre os Black Panthers. E o filme que a deu a conhecer e fez dela uma das figuras mais importantes do que se chamou Nouvelle Vague: "Cléo de 5 à 7/Duas Horas da Vida de Uma Mulher". Tanto mais! Tanto mar!História de uma vida e história do cinema, "As Praias de Agnès" é também uma lição de fazer cinema, que a realizadora expõe sem pudor e com traços de fantasia (a entrevista com Godard, entre outras cenas quase surrealistas). Um daqueles objectos insólitos tão raros que quando surgem nos ofuscam com o seu brilho. Uma pura jóia do cinema.
Manuel Cintra Ferreira, Expresso
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2ª FEIRA - 18 DE JANEIRO - IPJ - 21H30
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como já reparou (está em autoplay! :D
Convite - I JORNADAS CIAC
I Jornadas de Investigação em Artes e Comunicação do CIAC
COMPLEXO PEDAGÓGICO DA PENHA
Anfiteatro 0.5.
Programa
Sábado – 16 de Janeiro
09h – Recepção e Inscrições
09h30 – Sessão de Abertura
10h - 12h - Doutoramentos em curso
10h – 10h20 – Sandra Moreira
10h25 – 10h45 - The immortalisation of/through the Image: Elizabeth I of England in Biographical Literature, Painting and Screen.
Liliana Lopes Dias
10h50 – 11h10 - 1953-1965: O Declinio do Paradigma Clássico e a Emergência do Maneirismo de Hollywood
Jorge Carrega
11h10 – 11h20 – Coffee Break
11h20 – 11h40 – A Representação cinematográfica da alteridade nos filmes portugueses de ficção sobre o Oriente (Macau e Japão) – o Espaço e os Heróis
Emília Piedade
11h45 – 12h00 – As Cidades Encantadas de Pfitz – O Espaço na Narrativa e a Narrativa como Visão e um Determinado Espaço
Lúcia Ramos
12h05– 12h15 - Promoção da Saúde depois dos 65 anos: Elementos para uma política integrada de envelhecimento
Mariana Almeida
12h15 – 13h30 - Almoço
13h30 – 15h30 - Reunião da Comissão Científica do CIAC
15h45 – 18h30 - Projectos Teatro e Estudos da Performance
15h45 – 16h15 – Estratégia e Literacia de Actores Amadores
16h20 – 16h50 – História do Conservatório Nacional
16h55 – 17h25 – O Actor Permanente: o personagem como um fluxo de mudanças (com UE)
17h30 – 18h – Cena & Texto
18h05 – 18h35 – Linguagens de Encenação e Interpretação
Domingo – 17 de Janeiro
9h30 – 11h40 - Pós-Doutoramentos
9h30 – 9h50 – Poesia e documentário no cinema português (Manoel de Oliveira - António Reis - Pedro Sena Nunes) – Ana Isabel Soares (UL/FCT)
9h55 – 10h15 – Kant, Ortega y Gasset, María Zambrano. Estética e Pensamento Musical - Maria João Neves (FCT)
10h20 – 10h40 – A 2: em Cena: Estudo de Parâmetros de Qualidade para a Análise de Programas - Gabriela Borges (UAlg/FCT)
10h40 – 11h – Coffee Break
11h – 12h35 - Projectos Comunicação
11h – 11h30 – Euromeduc
11h35 – 12h05 - Qualidade e Identidade: um estudo comparativo dos canais públicos europeus
12h05 – 12h35 – AAQUA (com a UCP e UBI)
12h35 – 14h - Almoço Cantina Campus Penha
14h – 15h – Projectos Artes Visuais
14h – 14h30 – Plataforma Internacional de Divulgação Científica
14h30 – 15h – ALGARTE
15h05 – 18h15 – Projectos Estudos Fílmicos
15h05 – 15h35 - Jornais Cinematográficos Portugueses
15h40 – 16h10 - Transcriações: literatura e meios audiovisuais
16h10 – 16h40 – Principais tendências do cinema português contemporâneo
16h45 - 17h15 – Os ensinos de escrita para o ecrã (métodos e experiências comparados) 17h15 – 17h30 – Coffee Break
17h30 – 18h20 – Projectos Interdisciplinares do Centro
17h30 - 17h50 - Thesaurus de Narrativas Ficcionais do Mediterrâneo 17h50 – 18h10 - Cross Media, Mixed Media em Novas Tecnologias da Informação e Artes Performativas
18h15 – 18h30 – Encerramento
Inscrições:
Gabinete de Eventos da FCHS
Sra. Isabel Afonso
Email: gefchs@ualg.pt / Telefone: 289800900 ext.: 7914
Responsável pela organização:
Profa. Doutora Gabriela Borges
FCHS – Campus Gambela
Tel: 289800900 ext. 7817
Tel.: 962643749
Email: gaborges@ualg.pt
Capturing Reality: The Art of Documentary
(dica de catarina alves costa no facebook)
Capturing Reality: The Art of Documentary, de Pipeta Ferrari, consiste nas respostas de 30 realizadores a questões como "Can film capture reality? What ethical issues arise when portraying real lives? How does editing or music condition our emotional response to film?".
O dvd custa os olhinhos da cara. mas... como resistir?
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(resposta fácil: olhando para a conta bancária do cineclube)
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capitalismo - uma história de amor
Este alerta é devido porque a distribuidora nos informou que ele vai entrar no SBC na próxima 5ªf, dia 14.
É só aguardar 15 dias... :-)
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morreu eric rohmer.
morreu eric rohmer.
morreu eric rohmer, o que demos a ver: pesquisar http://www.cineclubefaro.com/ / filmes / filmes exibidos / realizador
morreu eric rohmer, o que temos: pesquisar http://www.cineclubefaro.com/ / video/dvd / catálogo online / realizador
morreu eric rohmer, o que lemos: pesquisa http://www.cineclubefaro.com/ / livros / catálogo online / realizador.
e tanto eric rohmer ainda a descobrir. para sempre.
(isto nem é tributo, é mera comoção, mesmo)
(ainda há pouco saiu a caixa dvd com a série 'contos das 4 estações'. era nossa intenção adquiri-la. que pena termos de o fazer postumamente.)
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e a crise económica mundial? hein? II
jóia de inscrição para novos sócios.
assim:
estudantes - em lugar de 15€, fica 10€
restantes casos - em lugar de 25€, fica 15€
em ambos os casos, oferta de um caderno com 5 senhas de entrada nas sessões, no valor de 5€.
gostaríamos, e muito, de ver renovado o nosso caderno de sócios. somos 359, mas que tal se fossemos 500?
pertencer ao cineclube é pertencer a uma associação cultural sem fins lucrativos que, por acção desinteressada (não paga) dos seus directores e colaboradores, desde 1956 teima em afirmar a diferença nesta cidade: bons filmes, sempre. muitas outras actividades complementares, incluindo estreias e ante-estreias (já as houve, sim!!). edições, e não só de livros - já tem o nosso cd A Jazzar no Cinema Português? workshops, congressos, debates. espectáculos. colaborações com todos os que se nos dirigem pedindo ciclos de cinema. enfim: um mundo!
tem a certeza de que não quer pertencer a um clube assim? :-)
(já agora, sócio nosso: bute convencer amigos seus a inscreverem-se? temos uma surpresa para si!)
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e a crise económica mundial? hein?
eh pá qu'até parece que somos ricos!!
mas não somos. câmara falida, a ver o que se arranja dali este ano. aliás, tudo falido, vamos a ver o que se arranja dalis este ano.
incluindo de nós e dos nossos associados: 50 cêntimos a mais por mês, ok? a assembleia geral decidiu e... bem, parece-nos!
como de costume, manteremos a boa prática: sócio que liquide o ano todo durante este mês, oferecemos duas quotas. conclusão: ser sócio do CCF ficará a 30€ anuais.
esperemos que não seja muito para os nossos associados, pois contabilisticamente justifica-se (é só pensar que cada sessão fica, para nós, à volta de 300 euros!!!)
formas de pagamento:
- na sede;
- nas sessões;
- por via postal, cheque endereçado a Cineclube de Faro;
- por transferência bancária ou via multibanco - NIB 0045 7210 4000 3931 253 22
da nossa parte, damos a certeza de teimar e teimar e teimar, como desde há quase 53 anos, para que o CCF continue as suas actividades com regularidade e qualidade. combinados?
*senha de entrada manter-se-à a 1€/sessão.
algo de familiar
Dia 11
HOME – LAR DOCE LAR, Ursula Meier
Suíça/ França/ Bélgica, 2008, 95’
Primeira longa-metragem para cinema de Ursula Meier. "Home - Lar Doce Lar" é um dos mais insólitos e provocantes filmes franceses dos últimos anos. As primeiras imagens provocam logo uma sensação de estranheza: pai e filho jogam sobre o asfalto do que a seguir percebemos ser uma auto-estrada. Mas não circula um único carro por ali, excepto o dessa família. Por inconformismo ou por outras razões, aquela família afastou-se do mundo, vivendo numa casa que se ergue no fim dessa auto-estrada que foi deixada incompleta. Os três filhos do casal adaptam-se de forma diferente à situação. Mas, se eles procuraram fugir do mundo, este acaba por apanhá-los. Ao fim de algum anos, a auto-estrada é reaberta acabando por formar barreiras intransponíveis, e a vida de todos transforma-se radicalmente. O pode ser visto como um espécie de metáfora do mundo de hoje. Uma obra estranha, fortemente dramática, com um grupo de actores soberbos.Manuel Cintra Ferreira, Expresso
A pequena casa da pradaria contra a estrada vilã, barulhenta e poluidora: a metáfora é transparente e os confrontos estão bem enredados, mas o melhor de Home está noutro lugar. Como o combate livre por um jovem atleta em Dês Épaules Solides, aqui joga-se primeiro com o interior. Porque o fluxo de carros vai perturbar o equilíbrio desta família. Incapaz de renunciar a sua própria ilha, a família Robinson agarra-se de tal forma ao asfalto, que chega a perder a razão. A mise en scéne conjuga maravilhosamente com a actividade inexorável da narração, a câmara ao ombro e a montagem contrastante nas primeiras sequências criam espaço a uma realização mais estática e comedida. A escala de planos como composição de imagens (uma paisagem, depois uma janela que desenha um quadro dentro de um quadro) a significar o isolamento mortífero das personagens. E a soberba fotografia assinada por Agnés Godard, uma fiel directora de fotografia de Claire Denis, cristalizando a descida até ao inferno: as paisagens iluminadas e as cores fortes ao início sucumbem à negrura insondável da escuridão. Urusula Meier dá uma grande atenção à banda sonora. Barulho de motor e o crepitar não são mais do que ecos de um mundo exterior ruidoso, que se opõe à tranquilidade do ambiente que envolve esta casa.
E a música – de clássica a heavy metal, passando por Django Reinhardt e Dean Martin – assumem um papel dramático essencial neste ecletismo jubiloso. Encontra-se de novo o gosto pela mistura de tons neste filme, do drama ao cómico ou poético, que é feito livrando-se das marcas como as referências cinematográficas – que não impede de pensar em Week-end de Jean-Luc Godard ou o Septième de Michael Haneke. Com este belíssimo filme de autor, com perfeita mestria que é radical sem ser austera, Ursula Meier traz um cunho precioso ao espaço do cinema!
Mathieu Lower, Le Courrier
Dia 18
AS PRAIAS DE AGNÈS, Agnès Varda
França, 2008, 110’
Ei-la, a autobiografia de Agnès Varda, relato da sua vida, em seu nome e feita pelo seu próprio punho. Varda, que se estreou como realizadora há cinquenta e cinco anos, tem agora oitenta e um anos cheios de energia e de memórias. A primeira coisa maravilhosa de "As Praias de Agnès" é a maneira como ela põe a energia ao serviço das memórias, a maneira como o filme mergulha na evocação e na nostalgia sem ficar cativo delas, permanecendo sempre vitalista.Evidentemente, preservando o direito à emoção - o equilíbrio do filme também se joga assim, naqueles "buracos" por onde subitamente Varda se parece afundar (como numa sequência numa exposição de fotografias em que a realizadora parece ficar esmagada pelas imagens de tantos amigos mortos) para logo a seguir reemergir nalgum "sketch" burlesco (a cena com os escritórios da sua produtora, a Cine-Tamariz, "transplantados" para o meio da rua, por exemplo). Ao mesmo tempo, e se é de "emoção" que se trata, o centramento de "As Praias" na primeira pessoa não impede que o filme - e que "a primeira pessoa" - esteja permanentemente voltada para os outros, numa saudação, melancólica, algumas vezes elegíaca, aos lugares que lhe foram caros, aos amigos e aos amores (especialmente tocante, por todas as razões, o segmento que evoca e, para todos os efeitos, visita Jacques Demy).
Filmar uma vida é filmar um património, não é outro o credo de Agnès Varda. Um património onde cabem, quase num mesmo plano, memórias, objectos, lugares, e ainda "memórias de memórias" ou memórias transformadas em "objectos" - todas as fotografias, todos os excertos dos seus próprios filmes antigos que Varda que vai incluindo. Mais do que o filme de "bricoleuse" que obviamente é, pegando em múltiplos registos e em múltiplos materiais de natureza diferente, "As Praias de Agnès" é um filme de "coleccionadora". O filme em que ela abre as portas do seu museu privado conduzindo o espectador numa visita guiada, por entre peças que valem tanto por si mesmas como pelos fios que as ligam a outras peças. De vez em quando, um "intermezzo" ligeiro, anódino, gratuito, vem pontuar a visita - sem momentos destes, parece dizer Varda, a vida não tinha graça nenhuma. E é preciso guardá-los, talvez porque nunca se saiba quando chega o "corte" derradeiro: o abrupto final de "As Praias" é uma espécie de prenúncio, de despedida discreta, majestosa e enxuta. Mas enquanto não chega o fim da história, celebrem-se as alegrias e as tristezas, os amores perdidos e os amores eternos. Chamem-lhe uma "lição de vida".
Luís Miguel Oliveira, Público
Dia 25
HISTÓRIAS DE CAÇADEIRA, Jeff Nichols
EUA, 2007, 92’
Boa notícia! O jovem cinema independente ainda mexe. Aqui está Shotgun Stories de Jeff Nichols, um jovem do Arkansas que acaba de sair da Universidade de Cinema. Mas para um novato do ano, Nichols já possui um sentido muito seguro do quadro, da narrativa, dos mitos fundadores do seu país e, sobretudo, uma paciência e calma de velho sábio do cinema: este espectacular Shotgun Stories poderia estar assinado por John Ford, um Ford amanhecido do espírito lo-fi dos novos cantadores americanos da country desencantada, tipo Mark Linkous ou Will Oldham (que, lá está, entrava em Old Joy).Uma banda de White Trash volta a tocar a eterna tragédia dos Atridas, com a imensidão desertada pela justiça, a lei, a civilização, onde os conflitos ainda se retratam a tiros de espingarda. Nichols filma esta história de western com precisão e sobriedade, evitando os efeitos espectaculares, preservando-se tanto da heroificação como da estigmatização das suas personagens, respeitando as razões de cada um e dando o necessário de tempo a tempo.
Um dos irmãos, por exemplo, que rejeita a engrenagem da violência, ocupa a vida a treinar os miúdos no basket ou a arranjar o rádio do carro. Para pegar numa metáfora pictórica, há neste filme um excelente equilíbrio entre o traço (do argumento, da dramaturgia conflitual) e a matéria (a vida que decorre, a relação intensa com o tempo, com a paisagem, com os locais).
Há sobretudo em Nichols uma ausência de ego autorístico, de rapto das personagens ou dos espectadores, uma colocação dele mesmo à disposição do serviço da história, das personagens e dos locais filmados que denota uma espantosa inteligência de cinema, uma confiança renovada nos meios mais despojados desta arte agora velha. Criança do Texas, Nichols escolheu a câmara em vez da carabina e serve-se dela judiciosamente, disparando sobretudo menos rápido que a sua sombra. O seu filme é a primeira e maravilhosa salva de cinema do ano novo. Yeepee, isto recomeça bem.
Serge Kaganski, Les Inrockuptibles
Em Maio ficámos sem sala de cinema.
Mas Julho e Agosto tiveram filmes ao ar livre.
Em Setembro ficámos sem máquina de projecção.Temos estado, e vamos permanecer enquanto convidados, a programar algumas sessões em dvd no Pequeno Auditório do Teatro das Figuras.
Estes últimos meses, contudo, passámo-los a tentar solucionar o problema do equipamento de projecção com o respectivo proprietário - a Delegação Regional do Ministério da Cultura.
O local que inaugurámos com "O Sangue" de Pedro Costa em Maio de 1991, esse, abriu-nos imediatamente as portas assim que demos conta das nossas aflições.
O Auditório do IPJ foi o nosso palco durante muitos e gloriosos anos. Numa sala renovada, agora com um som espectacular, sentimo-nos em casa. Sentimo-nos - de novo - em casa. Para mais muitos e gloriosos anos.
A quem cuidou que estivessemos moribundos, oferecemos com particular empenho esta prenda de Natal. A quem nunca duvidou da nossa capacidade de resistir, esta mesma prenda é oferecida com particular carinho.
A todos vós: esperamo-vos de abraços abertos.
É então assim que decidimos reiniciar - para fechar o ano honrosamente, com um belo programa, antecipando um ano novo que, esperamos MESMO, venha a ser BOM.
DEZEMBRO 2009
INSTITUTO PORTUGUÊS DA JUVENTUDE
Ciclo Eles vivem! (e nós também!!)
11 Dezembro
21h30
A Corte do Norte, João Botelho
Portugal, 2008, 120’
Adaptação possível do livro homónimo de Agustina Bessa-Luís, autora cujo estilo não se molda bem a adaptações cinematográficas, A Corte do Norte preserva a palavra de Agustina mas prescinde do dinamismo narrativo inerente ao cinema no seu estado mais puro, aquele que não está dependente dos vocábulos. Só que, dito isto, que imagens extraordinárias, que palavras impressionantes. Nesta história cruzada de mulheres de várias épocas, o texto de Agustina é muito bem lido, mas, principalmente, as imagens são de uma beleza de cortar a respiração, com enquadramentos rigorosíssimos e uma utilização da rodagem em formato digital para obter imagens que, sem exagero, são verdadeiros quadros em movimento. Ana Moreira é a âncora do filme, em cinco papéis diferentes, cujo eixo é uma jovem actual que tenta registar a vida das suas antepassadas durante o século e meio anterior numa casa da ilha da Madeira. A Corte do Norte não é filme para todos os gostos, mas naquilo a que se propõe, é difícil fazer muito melhor.
Luís Salvado , Timeout
Como sabem, eu era amigo do José Álvaro e admirador sem reservas da sua delicadeza e do seu trabalho. Exímio director de actores, apaixonado por esta arte que nos move, e talvez o único cineasta romântico que existia entre nós.
Deixou-nos cedo e deixou-nos um grande vazio.
Lembro-me das conversas intermináveis sobre os projectos dele, sobre os meus projectos, e sobre as obras que íamos acabando. Lembro-me (e foi há muito mais de 15 anos) da excitação, do entusiasmo com que ele me anunciou o acordo com a escritora Agustina Bessa Luís para adaptar para o cinema A Corte do Norte, o excepcional romance que ela inventou para a Madeira. E lembro-me das 30 páginas sublimes que ele na altura me deu a ler, o seu primeira tratamento de A Corte do Norte.
Em 2005, amigos do José Álvaro, e amigos meus, vieram inquietar-me com um desafio tão difícil como extraordinariamente fascinante. Honrar a sua memória, fazendo um filme digno dele e digno de Agustina.
Li na sua adaptação “impossível”, porque apontava caminhos talvez demasiado dispendiosos e complexos para os dias que corriam, para o dinheiro que poderia haver disponível. Demasiadas épocas e situações num desejo desenfreado de fazer uma saga romântica. Li o romance “impossível” da Agustina, em que algumas incongruências de datas e de nomes e até de acontecimentos não beliscam nada à torrencial saga de uma família excepcional numa ilha fascinante, nem ao deslindar, passo a passo, peça a peça, de um “puzzle” extraordinário. Um romance histórico, um clássico épico sobre a Madeira, e ao mesmo tempo, sobretudo uma investigação surpreendente de um mistério elegante e poderoso, que cega, desgraça ou transforma quem dele se aproxima.
Escolhi para adaptação apenas 4 épocas e 4 gerações, ao longo de 100 anos, e acho que não traio a Agustina nem o José Álvaro ao decidir assim.
João Botelho, Fevereiro de 2009
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12 Dezembro
21h30
Arena, João Salaviza
Portugal, 2009, 15’
A curta-metragem Arena de João Salaviza, a única película portuguesa no Festival de Cannes, venceu hoje a Palma de Ouro, feito inédito no cinema português. A ida pela primeira vez a este festival é já uma vitória, disse o realizador à agência Lusa, porque "mais do que o lado competitivo, Cannes é uma oportunidade para mostrar o filme a imensa gente". "Arena" conta a história de Mauro, um rapaz que está a cumprir uma pena em prisão domiciliária e que enfrenta o dilema de transgredir a lei para acertar contas com um grupo de miúdos marginais. Arena é um filme sobre violência urbana e juvenil, sobre bairros problemáticos que são verdadeiras "bombas-relógio".
Morrer como um Homem, João Pedro Rodrigues
Portugal, 2009, 133’
Há algo copiosamente fascinante no cinema de João Pedro Rodrigues. Doze anos volvidos sobre a curta-metragem "Parabéns" (com que espanto a descoberta, em 1997, no Festival de Veneza!) e após "O Fantasma" (2000) e "Odete" (2005), há uma coisa que já tomamos como certa a temática gay -, mas subsiste, aprofunda-se, ganha peso e emoção o efeito-surpresa que cada novo filme traz consigo. É como se João Pedro Rodrigues não quisesse sair do mesmo território, mas recusasse percorrê-lo com navegador de bordo ou coordenadas conhecidas. Cada viagem é um mergulho, pode-se mesmo dizer que cada vez mais profundo, à polifacética humanidade que o ocupa. Desta vez é a história de Tónia, um travesti que não se limita a vestir-se de mulher no bar onde é profissional do espectáculo, mas transporta essa transformação para a vida quotidiana. "Morrer como Um Homem" é um melodrama de que Sirk havia de gostar, fotografado por Rui Poças com a mestria de quem afeiçoa luz e cor, onde se questiona, com preciosa coragem, o balouço entre o varonil e o feminil, aceitando a verdade e escorraçando todos os mundos virtuais. E, cem anos que viva, a sequência do cemitério não a hei-de esquecer mais.
Jorge Leitão Ramos, Expresso
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13 Dezembro
18h00
Um Amor de Perdição, Mário Barroso
Portugal, 2008, 81’
Porquê Amor de Perdição, depois das adaptações de Georges Pallu (1921), António Lopes Ribeiro (1943) e, sobretudo, depois do inesquecível e marcante filme de Manoel de Oliveira (1978)?”, pergunta Mário Barroso na sua nota de intenções ao seu Amor de Perdição, que realizou. Porque, entre outras coisas, entende-se da nota de Barroso, este Amor de Perdição, não é tanto a história de amor (contrariedade) entre as personagens de Teresa e Simão, com conflito burguês em fundo, é mais uma história de destruição de um herói, Simão Botelho, que o realizador compara a Adele H, a filha de Victor Hugo, aos protagonistas de Elephant aos “kamikazes” do Iraque, a Jim Morrison, Sid Vicious ou Kurt Cobain – é doido como eles. “O ‘nosso’ ‘Amor de Perdição’ será, essencialmente, Simão Botelho, adolescente quase criança, solitário, intransigente narcisista, suicidário, destrutivo e auto-destrutivo que atrai ‘como uma auro fatal, uma luz negra, a maior parte das pessoas com quem se cruza’.
Ípsilon, Público
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19 Dezembro
21h30
Deus Não Quis, António Ferreira
Portugal, 2007, 15’
Conquistou o "Prémio de Melhor Montagem" no Festival de Cinema Europeu GRAND OF, na Polónia, e "Prémio de Melhor Banda Sonora" no Ovarvídeo. Com estas distinções, ascende a 13 os prémios conquistados por este filme Português, que conta já com selecções em mais de 20 festivais nos cinco continentes. A premissa simples é muito bem trabalhada por António Ferreira. Em 15 minutos se conta uma história, bem conseguida do ponto de vista formal, e que tem a particularidade de respirar a nossa portugalidade.
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O Sangue, Pedro Costa
Portugal, 1989, 98’
O Sangue é de um esplendor absoluto, uma obra de estreia de uma beleza de cortar a respiração. O Sangue é mais que uma obra-prima instantânea, um golpe de mestre ou a revelação de um jovem cineasta português. O Sangue faz parte desses primeiros filmes, muito raros (“La Nuit du chasseur, Les Amants de la nuit, Badlands, Lola, Shadows, Adieu Philippine, L’Enfance nue, Accatone…) que podemos classificar como milagrosos, cuja ambição é tão grande e os elementos difíceis de manipular que parecem ir direitos à catástrofe certa, até que nos apercebemos deslumbrados que saíram indemnes de todas as provas, que o que não os matou os tornou mais fortes, mais belos, mais essenciais. O SANGUE é um baptismo de fogo em forma de apoteose.
Fréderic Bonnaud, Les Inrockuptibles
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20 Dezembro
18h00
Singularidades de uma Rapariga Loira, Manoel de Oliveira
Portugal/França/Espanha, 2009, 63’
Singularidades de uma Rapariga Loura é o filme do centenário. E o centenário que comemora é o do próprio realizador, Manoel de Oliveira, que aos 100 anos de vida mostra uma juventude de espírito e uma energia produtiva de fazer inveja a muitos jovens. O seu mais recente filme (mas outro já está na forja!) adapta um conhecido conto de Eça de Queirós, uma história repleta da ironia do mestre do realismo literário português que é também uma subtil sátira aos costumes e convenções de uma burguesia medíocre e convencida. Oliveira, igualmente responsável pelo argumento, 'actualiza' a história de Eça, tal como fizera com A Princesa de Clèves, de Madame de La Fayette, em A Carta. Em ambos os casos, o que o autor procura é mostrar a permanência de regras, convenções e preconceitos que ditam as relações sociais e românticas ao longo dos tempos. Singularidades de Uma Rapariga Loura é exemplo de um cinema 'puro' há tanto tempo ausente e que tanta falta faz.
Manuel Cintra Ferreira, Expresso
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e já agora: FELIZ NATAL E BOM ANO NOVO!!
GOODNIGHT IRENE
Por Renato FélixEm determinado momento de Goodnight Irene (Goodnight Irene, Portugal, 2008), o ator aposentado Alex (Robert Pugh), doente e manco, é levado pela bela pintora Irene (Rita Loureiro) a subir uma longa escadaria. Mais adiante no filme, depois que Irene já está desaparecida, ele aparece subindo a mesma escadaria sozinho. A dificuldade parece - e é - muito maior. A simetria das duas cenas diz muito sobre o filme português, em termos de ideias e também do domínio da linguagem do diretor estreante em longas Paolo Marinou-Blanco.
Alex é um rabugento de carteirinha: não faz a menor questão de ser simpático com ninguém. Mas isso não impede Irene de irromper em sua vida e estabelecer uma comunicação: mais do que isso, ela traz Alex para o seu mundo. Porém, depois de uma noite especialmente turbulenta, ela desaparece. E o velho ator percebe que não pode mais viver sem ela - porque ela o lembrou o que é a vida.
Nesse ponto, ele descobre que há mais alguém que não sabe viver sem Irene: o serralheiro Bruno (Nuno Lopes). Ele tem o estranho hábito de invadir casas alheias, pegar fotos e papéis para fazer cópias e depois devolver. É assim que lida com sua solidão. A primeira cena mostra a invasão do apartamento de Irene por dentro e o encontro entre os dois: não conta quase nada, mas, intrigante, fisga o espectador de imediato para então contar o que aconteceu antes.
A narração em off de Alex se confunde com seu trabalho de narração de documentários turísticos - logo ele, que tem dificuldades de locomoção e mal sai de casa. É Irene que o reapresenta ao mundo. Depois de seu sumiço, Alex volta a se enclausurar - mas no apartamento dela, em busca de alguma pista sobre seu paradeiro. E, a contragosto, com a companhia de Bruno. A obsessão de ambos por ela vai uni-los e empurrá-los, sem que saibam, para a vida de novo.
Marinou-Blanco mostra essa acomodação com sensibilidade e bom humor, além de bem colocadas citações teatrais. Suas escolhas de planos são bonitas e eloqüentes, principalmente quando Goodnight Irene finalmente se torna o road movie que anuncia ser desde sua meia hora inicial. Aqui, o filme mostra que está de acordo com uma postura que muitos road movies defendem - e a entrega a esse subgênero se torna até necessária para deixá-la clara: o importante não é o ponto de chegada, mas a viagem em si.
Goodnight Irene (Goodnight Irene). Portugal, 2008.
Direção: Paolo Marinou-Blanco. Elenco: Robert Pugh, Nuno Lopes, Rita Loureiro, Amadeu Caronho. Exibido no CinePort.
CINEPORT 2009

O Festival de Cinema de Língua Portuguesa - CINEPORT, que vai de 01 a 10 de maio, tem como homenageado para a edição 2009 Moçambique. O evento contará com mais de 150 filmes e acontecerá em João Pessoa, capital da Paraíba, no Nordeste brasileiro. A cidade é o "ponto mais oriental das Américas" e acolhe pela segunda vez o festival, que se encontra na sua quarta temporada.
Atente para a programação deste fim-de-semana e quem estiver em terra brasilis está mais que convidado para vislumbrar essa grande janela do nosso cinema de língua portuguesa:
SEXTA, DIA 01
- A abertura do festival será às 20 horas, na sexta, mas a programação já começa à tarde com os debates do II Encontro de Cineclubes da Paraíba, no Hotel Imperial, em Tambaú;
- À noite, na Usina Cultural, a primeira sessão para o grande público é a dos curtas paraibanos do Prêmio Energisa, às 20h30, na sala digital;
- Às 21 horas, será exibido pelo filme dirigido por HELENA IGNEZ: A CANÇÃO DE BAAL. Na Tenda Andorinha;
- Às 21h30, na sala digital, os curtas de ficção que concorrem ao Troféu Andorinha Digital;
- Às 22h30, é a vez de GOODNIGHT IRENE, de PAOLO MARINOU BLANCO, filme português indicado ao Troféu Andorinha de melhor filme, que mostra a obsessão de um ator inglês e um serralheiro por uma atraente pintora cheia de vida.
SÁBADO, DIA 02
- Às 16 horas tem uma mesa redonda do Encontro de Cineclubes, debatendo “Um raio-X da cinefilia paraibana”, no Hotel Imperial;
- Cinco curtas (e médias) paraibanos às 14 horas, na sala digital da Usina Cultural;
- Às 16 horas, um dos campeões de público do cinema nacional dos últimos anos: MEU NOME NÃO É JOHNNY, de MAURO LIMA, com SELTON MELLO, na Tenda Andorinha;
- Às 18 horas, também na Andorinha, novos filmes do cinema paraibano. Dois curtas de TORQUATO JOEL (GRAVIDADE e AQUI E AGORA) e o longa-metragem O SONHO DE INACIM, de ELIÉZER ROLIM, com JOSÉ WILKER;
- No mesmo horário, na sala digital, entram em cena os curtas paraibanos no Prêmio Energisa;
- Às 20 horas na sala digital, será exibido CRISTÓVÃO COLOMBO, O ENIGMA, do centenário - e grande - cineasta português MANOEL DE OLIVEIRA.
- O diretor português ALEXANDRE VALENTE apresenta seu filme SECOND LIFE, às 21 horas, na Tenda Andorinha;
- A sala digital ainda tem o documentário DA VIDA DAS BONECAS, às 21h30min., e os 12 curtas de animação que concorrem ao Andorinha Digital, às 22 horas;
- Um dos filmes nacionais inéditos nos cinemas paraibanos passa às 23 horas na Tenda Andorinha: FELIZ NATAL, estréia na direção do ator SELTON MELLO.
Aguardem que comentarei sobre os filmes e programação aqui e no meu blog pessoal. Salute, pessoal!
Mais Informações: http://www.festivalcineport.com/2009/
abril
PROEZAS DOCUMENTADAS
DIA 1
HOMEM NO ARAME
James Marsh, Reino Unido/EUA, 2007, 90’, M/6
Site oficial
Em criança, quase todos os homens queriam ser astronautas. Philippe Petit queria subir ao topo de uma torre gémea e atravessar para a outra em cima de um finíssimo arame, sem qualquer cabo a prendê-lo e sem rede por baixo. O que para quase todos nós parece pura loucura, Petit relata ainda hoje com um brilho nos olhos, transmite aquela satisfação de momento maior do que a vida que foi alcançado. E isso, desculpem a piroseira, é bonito. E esse é um dos lados fascinantes de Homem No Arame (vencedor do Óscar de Melhor Documentário e mais uns 17 prémios): mesmo intrínseco, o fantasma das torres gémeas nunca nos persegue. Trata-se de um nada óbvio 'feel good movie', que entretém, entusiasma, fascina e até pode convencer alguém a chorar. André Santos, Timeout
DIA 15
RELIGULOUS - QUE O CÉU NOS AJUDE
Larry Charles, EUA, 2008, 101’, M/12
RELIGULOUS acompanha o comediante Bill Maher ("Real Time with Bill Maher," "Politically Incorrect") na sua viagem a locais de culto religioso em todo o mundo, para entrevistar um vasto espectro de crentes em Deus e na Religião. Conhecido pela sua astuta capacidade analítica e pelo seu empenhamento em não ser agressivo para ninguém, Maher aplica a sua característica honestidade e espírito irreverente às questões da Fé, fazendo-nos entrar numa divertida e provocatória viagem espiritual. »Com fanáticos religiosos como George Bush e Osama bin Laden a dominarem o mundo, pareceu-me que era a altura certa para dar a este tema um fórum mais largo, insistente e focado que um programa de televisão emitido a altas horas da noite. Quis fazer um documentário e quis que fosse divertido.»
DIA 22
VALSA COM BASHIR
Ari Folman, Israel/ Alemanha/ França, 2008, 90’, M/16
Mal vão os filmes de imagem real quando é o cinema de animação que pega de frente temas que aquele não quer, já não sabe ou evita olhar olhos nos olhos. A Valsa com Bashir, do israelita Ari Folman, que fez sensação este ano no Festival de Cannes, é uma longa-metragem de animação mais “adulta”, “séria” e política do que muitos filmes de imagem real que por aí andam a querer mostrar serviço de preocupação com a realidade. Nos seus 90 minutos canónicos, A Valsa com Bashir consegue ser o veículo autobiográfico de um difícil processo de terapia, a denúncia política das arbitrariedades cometidas pelo Estado de Israel através da sua política belicista, e uma demonstração de que a animação não serve apenas para inventar bonecos simpáticos ou antropomorfizar bicharada digitalmente.
Sérgio Abranches, Timeout
DIA 29
MOSTRA DE CIÊNCIA E CINEMA
THE LINGUISTS
Seth Kramer, Daniel A. Miller e Jeremy Newberger, EUA, 2007, 65’
BRILLIANT NOISE
Ruth Jarman e Joe Gerhardt , EUA/GB, 2006, 6’
OS SEÑORES DO VENTO
Xurxo González Rodríguez, Galiza, 2008, 10’
Em 2008 decorreu em A Corunha (Galiza) a primeira Mostra de Ciência e Cinema, na que participaram filmes procedentes de diferentes países da Europa, dos EEUU e até mesmo de Burkina Faso.
O Centro de Estudos Galegos da UAlg orgulha-se em apresentar junto com o Cineclube de Faro uma selecção dos melhores filmes apresentados. O evento conta com a presença do especialista em cinema Martin Pawley, programador e coordenador da mostra.
THE LINGUISTS
David e Greg son “os lingüistas”, científicos que se esforzan en documentar linguas en perigo de extinción. En Siberia, India e Bolivia, o labor dos lingüistas enfróntase ás moitas forzas quereprimen as linguas: racismo institucional e as violentas dificultades económicas. David e Greg deben superar os seus propios medos e prexuízos para sacar os falantes de décadas de silencio. A súa viaxe lévaos ao máis profundo das culturas e o coñecemento das comunidadesen estudo.
Estrea mundial no Festival de Cinema de Sundance 2008
Premio da Xuventude na I Mostra de Ciencia e Cinema
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BRILLIANT NOISE
Experimental: imaxes do Sol obtidas por diferentes sondas espaciais montadas en secuencias. Son imaxes sen limpar, que amosan o “ruido” producido polas partículas enerxéticas e o vento solar.
2º Premio na I Mostra de Ciencia e Cinema
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OS SEÑORES DO VENTO
Eles patentaron un sistema para dominar o vento. Dirixiron centos de botellas retando ao ceo. Mais como as botellas a vida tamén dá voltas. Tecnoloxía caseira para desafíar o vento nunha insólita instalación de“land art”.
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mais informações em http://cienciaecinema.org/ e http://www.thelinguists.com/
calvários
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Cinatrium, 21h30
FEVEREIRO
Dia 4TROPA DE ELITE, José Padilha, Brasil, 2007, 117’, M/16
Baseado na experiência de 19 anos de Pimentel como oficial da polícia militar e capitão da Batalhão de Operações Policiais (BOPE). Tropa de Elite foi o filme mais visto no Brasil em 2007 e vencedor do Urso de Ouro no Festival Internacional de Berlim em 2008. Apesar do fantasma dos esquadrões da morte, José Padilha não demoniza o BOPE pelas suas tácticas. Num estilo pseudo-documental, ele aponta o dedo à má formação profissional dada no passado à força policial, expondo, no processo, a apatia de uns e a hipocrisia de uma classe alta que simultaneamente consome a droga vinda da favela e se insurge contra as injustiças sociais. Gostava de acreditar que o Brasil não está preso a este círculo de combate da violência com uma violência ainda maior. As consequências só podem ser devastadoras. Para todos.
Site oficial
Dia 11EU QUERO VER, Joana Hadjithomas e Khalil Joreige, Líbano / França, 2008, 75’, M/6
A ideia aqui é surrealista: fazer algo como um documentário com a estrela francesa Catherine Deneuve e com o reconhecido actor/artista libanês Rabih Mroué, numa viagem desde Beirute até às ruínas do Sul do Líbano causadas pela investida israelita em 2006. O casal de realizadores Hadjithomas e Joreige, que já demonstraram as suas capacidades criativas com a ficção libanesa A Perfect Day de 2005, conseguiram
fazê-lo. E de forma brilhante. Estes co-realizadores politicamente activos desbravaram novo território na discussão da fusão documentário/ficção.
Howard Feinstein, Screen Daily
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Dia 19, 5ª FEIRACAOS CALMO, Antonello Grimaldi, GB/Itália, 2008, 107’, M/16
Não é exactamente um filme de Nanni Moretti, apesar da sua presença no papel principal e da sua co-autoria no argumento, mas podia ser, porque é impossível não ver nele o Moretti que nos habituámos a ver em filmes anteriores. Porque, enfim, "Caos Calmo" é uma variação sobre o sublime "O Quarto do Filho" que se podia chamar "O Banco do Pai". Um melodrama elegante em tom levemente efabulatório, transportado pela interpretação soberba de um Moretti que revela ser actor de muitos mais recursos do que os seus próprios filmes muitas vezes lhe pedem.
Jorge Mourinha, Público
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Dia 25O SILÊNCIO DE LORNA, Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, Alemanha/Bélgica/França/Itália, 2008105’, M/12
Os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, que já foram os vencedores do Festival de Cannes em duas ocasiões, com "Rosetta" (1999) e "A Criança" (2005), ganharam o prémio de melhor argumento, este ano, no mesmo festival, com "O silêncio de Lorna". Os realizadores apostam muitas vezes num cinema quase neo-realista, retratando, desta feita, as migrações e as redes criminosas criadas a seu redor. "O silêncio de Lorna" traça o retrato de uma jovem mulher que tem os sonhos delapidados pela culpa e que se agarra a uma esperança longínqua. Simples, directo e muito humano é certo que "O Silêncio de Lorna" não deixará nenhum espectador indiferente.
Site oficial
MARÇO
DIA 4A ONDA, Dennis Gansel, Alemanha, 2008, 101’, M/16
O fascismo e a contribuição de comportamentos individuais para o desastre colectivo são temas que o realizador Dennis Gansel já tinha abordado em ‘A Queda’ (2004). Em ‘A Onda’ (2008) também parte de acontecimentos reais. Num liceu em Palo Alto (Califórnia), nos anos 60, um professor, em vez de teorizar sobre a ditadura, criou na turma um microcosmos totalitário. Começou por construir um forte espírito de disciplina e grupo. Ao fim de poucos dias, já estava assustado com os resultados, que extravasavam o ‘laboratório’.
Joana Amaral Dias, correiodamanha.pt
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DIA 11QUATRO NOITES COM ANNA, Jerzy Skolimowski, França/Polónia, 2008, 87’, M/12
Um dia, ele desapareceu. Jerzy Skolimowski entrou no silêncio. E aí ficou durante 17 anos. Poeta desconcertante, cineasta desconcertado, deixou a
Polónia e assim perdeu o seu país natal, apagado pelas últimas convulsões do comunismo. Skolimowski entrega hoje QUATRO NOITES COM ANNA, um filme excepcional, soberbo, sobre a ilusão, o amor, o olhar, a loucura. Cada imagem, cada movimento de câmara, cada resposta é a expressão de uma
urgência, de uma necessidade, de uma mestria absolutas.
François Forestier, Le Nouvel Observateur
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DIA 18VALSA COM BASHIR, Ari Folman, Israel/ Alemanha/ França, 2008, 90’, M/16
Mal vão os filmes de imagem real quando é o cinema de animação que pega de frente temas que aquele não quer, já não sabe ou evita olhar olhos nos olhos. A Valsa com Bashir, do israelita Ari Folman, que fez sensação este ano no Festival de Cannes, é uma longa-metragem de animação mais “adulta”, “séria” e política do que muitos filmes de imagem real que por aí andam a querer mostrar serviço de preocupação com a realidade. Nos seus 90 minutos canónicos, A Valsa com Bashir consegue ser o veículo autobiográfico de um difícil processo de terapia, a denúncia política das arbitrariedades cometidas pelo Estado de Israel através da sua política belicista, e uma demonstração de que a animação não serve apenas para inventar bonecos simpáticos ou antropomorfizar bicharada digitalmente.
Sérgio Abranches, Timeout
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DIA 25VENENO CURA, Raquel Freire, Portugal, 2007, M/16, presença da realizadora
Três histórias de mulheres, presas em relações amorosas e em situações familiares extremas. À beirado inferno ou da redenção. A estrutura é fragmentária. Raquel Freire não conseguiu os laços unificadores para cerzir as histórias-limite de três mulheres a quem o corpo, a líbido e a vida conduziram a vertigens e a abismos. E, porque quis tocar as cordas últimas onde se enforcam os desesperos, não há que esperar uma fácil digestão para algo que, evidentemente, tem mais riscos que arrimos. Por isso, "Veneno Cura" não é um filme equilibrado - mas é um filme com verdade dentro. Quer dizer: eu acredito naquela gente (que actrizes, meu Deus!), acredito e comovo-me, mesmo quando vejo ritualizações de deboche que me parecem periclitantes. Digamos que o sangue que corre nas veias desta fita é quente e contagiante. E é sobretudo isso que devemos pedir a um filme.
Jorge Leitão Ramos, Expresso
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