ventos de leste

À VOLTA DOS 100 ANOS DA REVOLUÇÃO RUSSA
Mensalmente (2017/2018) Sábado // 18:30 // IPDJ-Faro
 -novas cópias restauradas-

Inspirou tendências políticas, definiu formas de pensar o Homem em sociedade, marcou o mundo de forma visceral. Passados cem anos da aurora do comunismo, a Revolução Russa de 1917 – em particular, a de Outubro – continua a ser mote de acesos debates sobre o que viria a ser o mundo bipolarizado das décadas seguintes e, porque não há presente sem passado, sobre o mundo de hoje.
Se a arte é a expressão de um tempo e não raras vezes se confunde com a própria História, faz todo o sentido olhar para a Revolução Russa através também dos filmes produzidos na extinta União Soviética e na actual Rússia. Entre o assalto ao Palácio de Inverno pelas forças bolcheviques e os escombros do Muro de Berlim, eis a proposta do Cineclube de Faro: uma viagem cronológica pelo Cinema em eslavo, com partida no construtivismo russo de Sergei Einsenstein, em pleno auge soviético, e destino à pós-modernidade, pelas lentes dos irmãos Andrei Konchalovsky e Nikita Mikhalkov.
O ciclo VENTOS DE LESTE é composto por 13 filmes de nove realizadores exibidos mensalmente ao sábado à noite, até Dezembro de 2018, no auditório do Instituto Português do Desporto e Juventude, em Faro.
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CLIPPING
Cineclube de Faro abre nova temporada com cinema russo e animação de autor

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3 NOV | 18H30

SOL ENGANADOR / UTOMLYONNYE SOLNTSEM
N. MIKHALKOV. 1994. 134' (M/12)
apresentação por Adriana Freire Nogueira


Realização: Nikita Mikhalkov / Argumento: Rustam Ibragimbekov, Nikita Mikhalkov /  DiálogosRustam Ibragimbekov Montagem: Enzo Meniconi /  Fotografia: Vilen Kalyuta / Com: Oleg Menchikov, Ingeborga Dapkounaite, Nikita Mikhalkov, Nadia Mikhalkov, André Oumansky, Viatcheslav Krioutchkova, Svetlana Krioutchkova, Vladimir Ilyine / URSS/IFrança / Ano: 1994 / Duração: 134' / Classificação etária: M/12

Festivais e Prémios
Festival de Cannes 1994 – Grande Prémio do Júri
Oscars 19895 –  Melhor Filme Estrangeiro

sinopse
A ação de Utomlyonnye Solntsen decorre em 1936, numa época dramática, a da depuração estalinista dos velhos quadros revolucionários. A ameaça parece estar longe das personagens do filme, um casal que leva uma vida semi-idílica no campo, mas concretiza-se com a chegada de um antigo apaixonado da mulher, um "comissário político" que vem destruir a harmonia. Mais uma vez a sombra de Tchekov acompanha a obra de Mikhalkok, num dos seus melhores filmes. Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema

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6 OUT | 18H30


OLHOS NEGROS OCI CIORNE

N. MIKHALKOV. 1987. 117' (M/12)

apresentação por Rui Diniz Monteiro


Realização: Nikita Mikhalkov / Argumento: Aleksandr Adabashyan, Nikita Mikhalkov Suso Cecchi D'Amico, baseado em contos de: Anton Tchekhov/ Montagem: Enzo Meniconi / URSS/Itália / Ano: 1987 / Duração: 117' / Classificação etária: M/12

Festivais e Prémios
Festival de Cannes 1987 – Prémio de Interpretação Masculina; Selecção Oficial, em Competição
Oscars 1988 – Nomeação para Melhor Filme Estrangeiro
Golden Globes 1988 – Nomeação para Melhor Filme Estrangeiro 

sinopse
Baseado em três contos de Anton Chekhov, o filme relata a vida sentimental que um italiano, Romano Patroni, que partilha a sua história com um cavalheiro russo a bordo de um barco. Patroni, apesar da sua origem humilde, consegue terminar o curso de arquitectura e casa-se com uma rica herdeira. Alguns anos depois, conhece Ana, uma jovem russa por quem se apaixona e que vai perseguir por toda a Rússia. Uma história de amores frustrados e ilusões perdidas.

critica
Na base estão alguns contos de Tchekhov, no ecrá uma faustosa adaptação literária, multinacional, com a Itália no ponto de partida. A URSS estava já na era Gorbatchov, a abertura ao Ocidente tronava-se mais franca – e, dealgum modo, é disso documento este filme de Nikita Mikhalkov (que nos anos depois da queda do comunismo, na reinstalada Rússia, se tornaria o grande apparatchik da nova ordem cinematográfica). “Olhos Negros” é a história de um amor em tempos idos, contada por um velho galã latino, um homem timorato que nunca conseguiu fazer nada de marcante na vida, vivendo na sombra de uma esposa rica e complacente, Mas, um dia, apaixonou-se por uma jovem russa – e daí veio uma rota onde o amor nem sempre vai de vencida. É um filme nostálgico e triste que mastroianni interpreta com o panache de um grande ator, trabalho que, aliás, lhe valeu uma nomeação para o Óscar. “Olhos Negros” fixou Mikhalkov junto das plateias internacionais, tendo tido uma divulgação mundial de merecido sucesso. 
Jorge Leitão Ramos, Expresso

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22 SET | 18H30

ADEUS A MATIORA PROSHCHANIE

E. KLIMOV. 1983. 112' (M/12)

apresentação por Carina Infante Carmo



Realização: Elem Klimov / Argumento: Larisa Shepitko, Rudolf Tyurin, German Klimov, baseado no conto de: Valentin Rasputin / Montagem: Valeriya Belova / Fotografia: Aleksei Rodionov, Yuri Skhirtladze, Sergey Taraskin / Música: Vyacheslav Artyomov, Alfred Shnitke / Interpretação: Stefaniya Stanyuta, Lev Durov, Aleksei Petrenko, Leonid Kryuk, Vadim  Yakovenko / Origem: Federação Russa / Ano: 1983 / Duração: 112' / Classificação etária: M/12

Data de estreia em Portugal : 21-05-1991, reposição 21-04-2016



Matiora é uma pequena aldeia, numa ilha com o mesmo nome. A existência da aldeia é ameaçada pela construção de uma barragem. Esta é a história dos habitantes de Matiora, que assistem ao fim da aldeia e se despedem da sua terra.
Leopardo Filmes


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2 JUN






PEÇA INACABADA PARA PIANO MECÂNICO /
NEOKONCHENNAYA PYESA DLYA MEKHANICHESKOGO PIANINO

N. Mikhalkov. 1977. 103' (M/12)


apresentação por Ana Isabel Soares


Realização: Nikita Mikhalkov / Argumento: Nikita Mikhalkov, Aleksandr Adabashyan, a partir da obra de Anton Tchekov / Música: Eduard Artemev / Fotografia: Pavel Lebeshev / Montagem: Lyudmila Yelyan / Com: Aleksandr Kalyagin, Yelena Solovey, Yevgeniya Glushenko, Antonina Shuranova, Nikita Mikhalkov / Origem: Federação Russa / Ano: 1977 / Duração: 103’ / Classificação etária: M/12


Data de estreia em Portugal : 21-04-2016


Festivais e Prémios: Festival de San Sebastián 1977 – Concha de Ouro


Baseada em “Platonov”, de Anton Tchékhov, esta história retrata a vida da pequena nobreza russa no final do século XIX. Professor numa aldeia, Platonov está a atravessar uma crise emocional: acha que a sua vida não tem um propósito e atormenta-se a si e à sua mulher por essa razão. O outro protagonista do filme, o doutor Terletsky, detesta os seus pacientes e o seu trabalho. Já os convidados instalados em casa da mulher do general, Anna Petrovna, falam dos prazeres da vida simples na aldeia, não acreditando no que dizem. Leopardo Filmes

TRAILER



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5 MAI


DYADYA VANYA / O TIO VÂNIA

Andrei Konchalovsky. 1971. 104’

Apresentação por
Mirian Nogueira Tavares


ficha técnica
Realização: Andrey Konchalovskiy
Argumento: Andrey Konchalovskiy  
Adaptação da obra homónima de Anton Chekhov
Música: Alfred Shnitke
Fotografia: Evgeniy Guslinskiy, Georgi Rerberg
Ano: 1971
Duração: 104’
Classificação etária: M/12


com: Irina Anisimova-Wulf, Sergei Bondarchuk, Irina Kupchenko, Yekaterina Mazurova, Irina Miroshnichenko

Festivais e Prémios: Festival de San Sebastián 1971 – Concha de Prata




sinopse
Um professor e sua segunda esposa, Yelena, vão até às suas terras no campo. Vanya, irmão da primeira esposa do professor e Astrov, médico local, apaixonam-se por Yelena. As coisas complicam-se quando o professor anuncia a intenção de vender as terras. O filme é uma adaptação da célebre obra homónima de Anton Tchékhov.





notas da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema
Esta quarta longa-metragem de Andrei Konchalovsky (depois do belíssimo A FELICIDADE DE ASSIA e de O PRIMEIRO PROFESSOR) é uma ambiciosa adaptação de "O Tio Vânia", alternando a cor e o preto & branco e reunindo um elenco de prestígio (Innokenti Smoktunovsky, o Tio Vânia, foi um notável Hamlet na adaptação cinematográfica de Kozintsev). Konchalovsky optou por uma transposição deliberadamente "fria", interiorizada e "teatral" do clássico de Tchekov, sem facilidades, explorando a densidade do desempenho dos actores. Este é ao mesmo tempo um filme de prestígio da era Brejnev e um autêntico filme de autor.



‘Tio Vânia apresenta, portanto, uma situação típica de Tchekov: um grupo de pessoas que durante anos se destruíram umas às outras, presentemente num ponto de ruptura irreversível. Mas há, também, a responsabilidade individual de cada um no processo interior de autodestruição: o alcoolismo do médico, a “neurose da vítima” de Vânia, o egoísmo oco e feroz de Serebriakov, a passividade quase esquizofrénica de Sónia, a incapacidade de Yeliena de enfrentar a verdade das suas emoções… claro que juntar tudo isto vai dar um resultado explosivo, mas a sensação que prevalece é de resignação. O corpo em cima da mesa de bilhar que apanha a chuva que cai do tecto parece simbolizar, neste aspecto, o facto de o desespero daquelas figuras ser tanto exterior como interior.

Mais tarde, a imagem do relógio com o pêndulo parado remete para o modo passivo como todas aceitam a depressão que criam à sua volta e para si mesmos, numa altura em que já não vale a pena agredir o barómetro na parede, que já aponta antecipadamente para a paisagem gelada do final. Não é difícil, a título de curiosidade, surpreendermos em Tio Vânia um momento que terá agradado especialmente a Hans Jürgen-Syberberg, que escolheu o filme para este Ciclo de Teatro e Cinema1: a fala do médico acerca da morte das florestas, da degenerescência do clima, da destruição por parte do homem daquilo que ele é incapaz de voltar a criar – tudo isto é consentâneo com o ideário que Syberberg começou a defender em Ludwig e mais tarde nos seus livros, especialmente no último, Vom Unglück und Glück der Kunst in Deutchland. Assim, no pessimismo que permeia o desfecho do filme de Konchalovsky, temos um tema eminentemente apropriado para terminar esta homenagem da Cinemateca ao autor de Die Nacht.

Frederico Lourenço, Folhas da Cinemateca



1 Tio Vânia foi exibido no ciclo "Teatro e Cinema: A Escolha de Syberberg", Cinemateca Portuguesa, 1993’



In GRANDE CINEMA RUSSO – DO MUDO À PERESTROIKA, organizado por Leopardo Filmes / Medeia Filmes em 2016





sobre o autor
E depois do fim, a vida e Andrei Konchalovsky (Vasco Câmara, Público: 2014)

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7 ABR




TU E EU

Larisa Shepitko. 1971. 97'




 Título Original: Ty i ya



Realização: Larisa Shepitko


Argumento: Gennady Shpalikov, Larisa Shepitko


Música: Alfred Shnitke


Fotografia: Jericca Cleland


Montagem: Aleksandr Knyazhinskiy


Ano: 1971


Duração: 97’



Actores: Leonid Dyachkov, Yuri Vizbor, Alla Demidova, Natalya Bondarchuk, Leonid Markov

DATA DE ESTREIA EM PORTUGAL: Maio de 2016

Piotr, um prestigiado neurocirurgião, atravessa uma crise de identidade, após o fracasso do seu casamento. Para tentar resolvê-la, aceita um trabalho na longínqua Sibéria. “Tu e Eu” é o único filme a cores realizado por Larisa Shepitko.



sobre a realizadora Larisa Shepitko: documentário realizado por Elem Klimov 



excerto do filme  //  IMDb


De todos os fascinantes e talentosos realizadores que emergiram da União Soviética, Larisa Shepitko permanece um dos nomes menos conhecidos. Enquanto muitos dos seus contemporâneos da escola de cinema, incluindo Andrei Tarkovsky, Serguei Parajanov, e o seu marido Elem Klimov, obtiveram reconhecimento internacional, Shepitko passou despercebida – mesmo que no auge da sua carreira estivesse prestes a obter o mesmo tipo de notoriedade que os seus mais conhecidos compatriotas. Infelizmente, essa carreira terminou no momento em que estava em ascensão, quando ela morreu num acidente de viação, com cerca de quarenta anos, deixando um filho, e o seu marido, para manter vivo o seu legado, e deixando também um brilhante, apesar de pequeno, corpo de trabalho, constituído por apenas quatro longas-metragens.

Shepitko frequentou a prestigiada Universidade Estatal Russa de Cinematografia (VGIK). Apesar de, na altura, a indústria cinematográfica soviética estar ainda numa recessão pós-Segunda Guerra Mundial, fez parte de uma nova geração de jovens realizadores encorajados artisticamente pela atmosfera mais livre do degelo de Kruschev. Melhor augúrio ainda: Shepitko ficou sob a tutela de um dos maiores cineastas da nação, o realizador soviético Aleksandr Dovzhenko1. […] A sua primeira longa-metragem após a escola de cinema, o penetrante estudo de personagem Asas, de 1966, anunciava de facto um novo talento visionário.

Protagonizado pela actriz Maya Bulgakova no papel de piloto da Segunda Guerra Mundial transformada em reitora, Asas revela a angustiante vida interior de uma mulher de quarenta e dois anos que necessita de reconciliar as memórias do seu passado ilustre com a insípida realidade do presente. Shepitko expressa este conflito de forma brilhante ao contrastar as sufocantes experiências quotidianas da sua personagem, marcadas por interiores claustrofóbicos e composições rígidas, com planos expansivos do céu e das nuvens, representando a liberdade e a euforia dos seus dias como piloto, e Bulgakova protagoniza esta mulher severa mas razoável com uma empatia e humor surpreendentes. O tema principal de Asas é o da ambivalência – sobre o passado estalinista da Rússia e o seu futuro incerto – e apesar de parecer surpreendente hoje em dia, o filme gerou bastante debate público, tanto por reconhecer um fosso geracional e retratar uma heroína de guerra como esquecida, como por retratar uma heroína de guerra como uma alma perdida e desamparada. De qualquer forma, Asas permanece mais eficaz como um retrato delicadamente pormenorizado de uma mulher que olha para trás saudosamente, criado por outra mulher, prometedora, considerando apenas o futuro.

[…] Em 1971 estreou Tu e Eu, o seu único filme a cores. Ao esboçar as vidas de dois cirurgiões com diferentes noções de realização pessoal, o filme foi aplaudido como um magistral estudo de personagens e crítica à sociedade de consumo, consolidando a reputação de Shepitko. No entanto, o seu grande triunfo ainda estava para vir.

Depois de nascer o seu filho, Anton, aos 35 anos e com um risco elevado de vida devido a uma lesão na coluna, Shepitko começou a planear a sua maior e mais negra visão. “Naquela altura, eu enfrentei a morte pela primeira vez, e como qualquer pessoa naquela situação, estava à procura da minha própria fórmula de imortalidade”, diria mais tarde. A sua resposta cinematográfica foi Ascensão, de 1977.

Ao mesmo tempo uma evocação visceral da vida no terreno durante a Segunda Guerra Mundial e uma importante e espiritual alegoria Cristã, Ascensão, adaptado de um conto do proeminente escritor russo Vasili Bykov, arrasta o espectador a seguir dois soldados bielorussos, Sotnikov e Rybak, quando tentam escapar dos Nazis, e finalmente são capturados. Desde as imagens de abertura do filme, de postes telefónicos casualmente salientes dos montes de neve como se fossem cruzes, Shepitko, juntamente com o director de fotografia Vladimir Chukhnov, mergulha-nos numa brancura cega de pesadelo, num inverno físico e moral que envolve tudo no seu caminho – excepto, por fim, o vitimizado e beatificado Sotnikov, cuja viagem lenta em direcção à morte traz um estranho esclarecimento. Esta redenção escapa a Rybak, cujo desejo cruel de sobrevivência o deixa numa situação desfavorável em relação ao mártir Sotnikov,
e Shepitko marca as suas passagens idênticas pelas trevas e pela luz com um maravilhoso arsenal de experimentação visual.

Desta vez, Shepitko não criou muita controvérsia, já que a narrativa dostoievskiana de guerra encaixa-se perfeitamente com o requisito do orgulho nacionalista. O filme teve tanto sucesso no estrangeiro como no seu país natal, vencendo o prestigiado Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim em 1977. Com o seu novo prestígio artístico e financeiro, Shepitko preparava-se para trabalhar num filme sobre uma aldeia siberiana, intitulado, na altura, A Despedida.
No dia 2 de Junho de 1979 viria a morrer, juntamente com quatro membros da equipa, num acidente de viação no local de rodagem.
O seu marido, o realizador Elem Klimov, começaria a finalização do projecto uma semana depois2.
Michael Koresky, Criterion Collection
[Trad. Renata Curado]


1 Shepitko trabalhou com Dozvhenko no último filme do realizador, Poema do Mar, no qual desempenhou mesmo um pequeno papel. Depois passou a trabalhar com Mikhail Romm nos estúdios Mosfilm. [Nota da trad.]

2 O resultado deste projecto é Adeus a Matiora, exibido também neste ciclo. [Nota da trad.]


In GRANDE CINEMA RUSSO – DO MUDO À PERESTROIKA, organizado por Leopardo Filmes / Medeia Filmes em 2016


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3 MAR


CHUVA DE JULHO

Marlen Khutsiev. 1967. 107' (M/12)





Ficha Técnica

Título original: Iyulskiy dozhd
Realização: Marlen Khutsiev
Argumento: Marlen Khutsiev, Anatoli Grebnev
Fotografia: German Lavrov
Música: Bulat Okudzhava, Yuriy Vizbor
Montagem: A. Abramova
Guarda-Roupa: N. Yefanova
Ano: 1967
Duração: 107’
Classificação etária: M/12

Com
: Yevgeniya Uralova, Aleksandr Belyavskiy, Yuri Vizbor, Aleksandr Mitta, Alla Pokrovskaya


Data de estreia em Portugal: 21-04-2016

IMDb    //  TRAILER 




sinopse
Lena está prestes a casar-se com Volodya quando descobre que o noivo é uma má pessoa e que aquela relação não tem futuro. Depois de o abandonar, procura um rumo para a sua vida em aventuras com artistas que também procuram a sua identidade. À chuva, conhece Zhenya.


nota crítica 
Um dos mais belos filmes dos anos sessenta soviéticos, quando foram realizadas muitas obras de grande valor. Como de costume no cinema soviético, a narrativa é oblíqua: uma mulher descobre que o homem com quem vai casar é mesquinho e tem mau fundo. Ao deixá-lo, encontra outro homem à chuva, que a lava de todos os males. Como “TENHO VINTE ANOS”, o filme é um moderno retrato de Moscovo e dos seus habitantes, filmado com extraordinária leveza e profundidade, “quebrando as estruturas narrativas de uma maneira que anuncia Sokurov” (Christian Zimmer). “CHUVA DE JULHO” suscitou menos polémicas do que o filme anterior, mas foi pouco mostrado à época.
Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema



Artigos / entrevistas do catálogo
CICLO GRANDE CINEMA RUSSO DOS ANOS 60 A PERESTROIKA
OBRAS RESTAURADAS E OBRAS INÉDITAS
Medeia Filmes / Leopardo Filmes: 2016

[…] podemos afirmar que o corpo inteiro do cinema de Marlen Khutsiev (que encerra  em si vários filmes-etapa da história do país e da sétima arte na Rússia) representa um válido manual da linguagem cinematográfica soviética e russa. Khutsiev soube criar um cinema novo, captar o sentido do tempo, ou melhor, de várias épocas, diria, traduzi-lo para o cinema e renová-lo sempre que uma época terminava: tem hoje 91 anos e várias foram as épocas que viveu e exprimiu. […] o cinema de Marlen Khutsiev é o manual não apenas do cinema russo, mas da história, da cultura, até porque a sua parábola artística representa todas as fases da história do cinema soviético desde o pós-guerra até hoje […]
Ijulskij dozhd” (Chuva de Julho) assinala não apenas uma etapa estilística no cinema soviético como abre a (infelizmente) longa lista de filmes dos anos sessenta condenados a ficarem escondidos em arquivo. Marlen Khutsiev foi o primeiro realizador do degelo a ser condenado ao "esquecimento imposto pela censura" com "Ijulskij dozhd" (Chuva de Julho), uma obra prima indiscutível. Este filme comprova o traço principal da coragem de Khutsiev, que residia sobretudo no saber "constituir um limiar, o cume absoluto", para usar as palavras de Miron Chernenko, do cinema soviético dos anos cinquenta e sessenta e abrir uma nova página, começar a fazer o cinema do futuro.»
Alena Shumakova


A projecção de Chuva de Julho no Cinema Ritrovato de Bolonha em Julho [2013] foi um pequeno e revelador evento. Programado pelo saudoso Peter von Bagh no cinema Lumière em simultâneo com o filme na Piazza Maggiore, o filme reuniu um público composto sobretudo de críticos, programadores das cinematecas e programadores internacionais jovens e não tão jovens. Não só o filme parece uma verdadeira obra-prima dos anos sessenta, como sobretudo uma obra-prima inesperada. Muitos dos presentes não conheciam o seu autor, e podia-se ver e quase tocar com a mão a surpresa e o entusiasmo vivíssimos no final da projecção. Não pude senão perguntar-me como é que um dos maiores realizadores não apenas do cinema russo mas mundial, que com poucos filmes marcara pelo menos quatro décadas (estando ainda hoje em actividade na realização de um projecto há muito perseguido, Nevechernija), poderia ser tão pouco ou mal conhecido até por especialistas.
Roberto Turigliatto




ENTREVISTA A MARLEN KHUTSIEV 1
Neste momento, Chuva de Julho é o seu filme mais completo: as suas panorâmicas longas que muitos tentaram copiar, a sua atenção aos rostos das pessoas, os primeiros planos e as paisagens de uma Moscovo peculiar, cidade de árvores e de eléctricos. Pormenores que imperam em primeiro plano: os olhares, os gestos, os toques ao de leve... Nesta delicada coreografia a que dá o nome de música da visualização existe, porém, um protesto silencioso contra a inércia da vida, a tristeza dos valores revistos, perdidos daquela época: o senhor sentiu o período de estagnação política e na arte a um nível, diria, epidérmico. Em que medida lhe custou ter sido forçado a estar parado durante anos após Chuva de Julho?
Muitas coisas me traumatizaram ao longo da minha vida, não gosto de me armar em vítima, de me queixar. Além do mais, não é de todo verdade que naqueles anos tenhamos sido todos cobardes para podermos trabalhar. É muito difícil ser-se sincero e manter essa linha em certas circunstâncias. Lembro-me de nessa altura um amigo meu, o meu colega e co-autor Felix Mironer, ter sintetizado o espírito do tempo: estávamos a passear e tínhamos visto um cartaz gigantesco com 3 perfis: Marx, Engels, Lenine, e uma inscrição encorajadora sobre o comunismo por vir. O Felix engendrou de imediato uma ladainha: "três homens barbudos apontaram-nos o caminho. Não será fácil desviarmo-nos". É muito dramático quando se fala de ideais sagrados na sociedade sem minimamente os seguir. Crescem gerações desprovidas de valores. Voltando às minhas feridas, quando condenaram o chamado culto da personalidade de Estaline, a dessacralização da sua figura traumatizou-me. Ainda que o meu pai tenha sido vítima das purgas estalinistas, fuzilado em 1937. Eu continuava a acreditar na figura do pai dos povos. A sua dessacralização foi levada a cabo de um modo muito desajeitado. Havia que mudar a essência da vida e não os símbolos. Foi também assim que senti o pós-perestroika. A desilusão. Total. Longe de mim queixar-me: não sofri terrivelmente, sinto-me infinitamente agradecido às pessoas com quem trabalhei. Encontrei pessoas fabulosas. Que me ensinaram a respiração do cinema. 
Entrevistado por Alena Shumakova



ENTREVISTA A MARLEN KHUTSIEV 2

A ideia de Chuva de Julho nasceu logo após A Porta de Illich?
[...] Havia inicialmente um quê de frio nesse filme, que depois no processo de trabalho foi aquecido. Eu encontrara na personagem feminina esse calor, esse núcleo vital que procurava. Não posso fazer filmes sobre aquilo que não amo. E amo particularmente o final com a reunião dos veteranos da guerra perto do Teatro Bolshoi. Eu reparara quase por acaso nesses encontros periódicos, que ninguém se lembrara de filmar. Quis juntar também os jovens (o meu filho conta-se também entre eles). Decidi não dizer acção, filmar quase de improviso: os figurantes apanhados não sabiam quando a máquina estava a filmá-los nem quando não. Decidi, perante o resultado, não misturar esse material com a história, mas deixá-lo assim, íntegro, como uma digressão lírica. O filme era para ir ao Festival de Veneza, mas as autoridades soviéticas vedaram-lhe a saída do país.
(por Giovanni Buttafava, Aldilà del disgelo. Cinema Sovietico degli anni Sessanta, Ubulibri / Festival Internazionale Cinema Giovani, Milano / Torino 1987)




KHUTSIEV POR ALEKSANDR SOKUROV

A força transbordante do cinema soviético do chamado período do "degelo" baseia-se numa experiência peculiar: os jovens realizadores tinham vivido directamente a experiência da guerra. Talvez neste ofício – ser-se realizador de cinema – a bagagem de experiência pessoal seja a coisa mais importante. A personalidade do autor. Nem todos temos alma. Há que saber cultivá-la. É um trabalho doloroso, longo, difícil. E só a alma cultivada tem interesse. Esse é em parte o segredo do cinema de Marlen Khutsiev.
[de uma entrevista inédita a Aliona Shumakova]





textos in [dossier do catálogo do Lisbon & Estoril Film Festival 2014, que nesse ano organizou a primeira retrospectiva mundial integral da obra de Marlen Khutsiev]




Sobre a homenagem a Khutsiev em Portugal (2015)


Cinemateca Portuguesa - MC


Jorge Mourinha 9 de Novembro de 2015


Marlen Khutsiev
Visto actualmente como um dos grandes realizadores do cinema moderno mundial, Khutsiev (hoje com 90 anos e ainda em atividade), fez alguns dos seus filmes mais notáveis na era pós-estalinista, refletindo um clima de esperança que, porém, veio a ser rapidamente confrontado com novas manifestações de censura.

Nasceu em 1925 em Tbilissi, na Geórgia. O seu pai, que foi executado numa purga política em 1937, escolheu o nome do filho misturando as primeiras sílabas dos nomes de Marx e Lenine.

Depois de obter o seu diploma de realizador no VGIK, a escola de cinema de Moscovo, Khutsiev foi trabalhar no estúdio de Odessa, onde realizou os seus dois primeiros filmes, VESNA NA ZARECHNOI ULITSE / “PRIMAVERA NA RUA ZAREHNAIA” e DVA FEDORA / “OS DOIS FEDORS”, nos quais “já se encontra um tom surpreendente, feito de rapidez, de liberdade de comportamento das personagens”, segundo escreveu Bernard Eisenschitz.
Cinemateca Portuguesa - MC

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3 FEV

9 DIAS DE UM ANO
Mikhail Romm. URSS: 1962. 104'
FICHA TÉCNICA
realização: Mikhail Romm

argumento: Daniil Khrabrovitsky; Mikhail Romm

música: Dzhon Ter-Tatevosyan

fotografia: German Lavrov

montagem:
Yeva Ladyzhenskaya

origem: URSS

ano: 1962'

duração: 104'

classificação etária: M/12

elenco:
Aleksey Batalov, Evgeniy Evstigneev, Nikolai Plotnikov, Sergei Blinnikov, Tatyana Lavrova 

Festivais e Prémios: Karlovy Vary International Film Festival 1962 – Globo de Cristal



Data de estreia em Portugal: 5 Maio 2016





IMDb //  TRAILER (V.O.)





SINOPSE

Dois jovens cientistas, Dmitry e Ilya, exploram novos caminhos da física nuclear. Dmitry faz uma importante descoberta nesse campo mas, infelizmente, exposto à radiação durante essas experiências, fica gravemente doente. No entanto, a sua vontade de viver e a paixão pelo trabalho tornam possível a sua recuperação.



para ver:

Mikhail Romm. Confessions of a director. (1985)

REEL N.º 5


artigo na imprensa internacional da época:

The Screen: ‘Nine Days of One Year’BOSLEY CROWTHER.  New York Times, december, 29, 1964








MIKHAIL ROMM - ENTRE OS ANTIGOS E OS NOVOS MESTRES


'Mikhail Romm foi um cineasta incomensurável. Há que interpretar o adjectivo de forma literal, dado que a sua figura é verdadeiramente difícil de abarcar. Seguir pormenorizadamente a sua trajectória obriga, por exemplo, a confrontar uma secção de estudo quase tão ampla como a própria história do cinema soviético. A razão fundamental para que este realizador deva ser mencionado não se prende apenas a questões geracionais ou cronológicas mas também à responsabilidade que assumiu em cada um dos papéis aí desempenhados. E se abordarmos de forma exclusiva a sua própria filmografia, deparamo-nos com uma referência igualmente fora do comum. O seu primeiro filme (Pyshka, 1934) supõe o final efectivo do esplendoroso período do cinema mudo na União Soviética1, enquanto as suas últimas obras, já no estertor dos anos 60 e início dos 70, chegarão a fazer parte de correntes como a dos Novos Cinemas. São raros os casos em que a produção de um cineasta seja capaz de conter um itinerário de tal magnitude.
Esta mesma desmesura repete-se na evolução do seu estilo. Com efeito, a sua dicção cinematográfica acabou por ser tão variada que se torna difícil, por momentos, falar sequer de “evolução”. Aos nossos olhos, inclusive, se por acaso é oportuno entender o trânsito que formalmente cumpre o seu cinema como uma “evolução”, tal deve-se à viragem que representam os seus quatro últimos filmes. O ponto de inflexão seria uma pequena pérola documental (e em certo sentido “experimental”) de 1958 intitulada Lenine Vive (Zhivoy Lenin); obra a que se seguiriam, completando assim o dito ciclo, Nove Dias de Um Ano (Devyat Dney Odnogo Goda, 1961), Fascismo Quotidiano (Obyknovenii Fashizm, 1965) e, por último, E Ainda Acredito (I Vsyo-taki Ya Veryu, 1974).
Esta metamorfose final decerto poderá entender-se como consequência de uma necessidade última do realizador em “tomar directamente a palavra”: Mikhail Romm passou de uma ocultação deliberada de si mesmo nos primeiros três quartos da sua produção para terminar “oferecendo-se” a ela em pleno. E não deixa de ser revelador que só então, e quando de modo instintivo se agarrou ao ensaísmo cinematográfico (em particular com Fascismo Quotidiano), não só se tornou evidente o tipo de autor que Romm realmente era mas também coroou de sentido toda a sua deriva formal precedente.
Como é possível comprovar, a sua biografia está eivada de momentos em que a sua figura se aproxima de uma encruzilhada-chave da história do cinema soviético2: Romm merece ser recordado também pela sua luta contra movimentos anti-semitas no seio da Mosfilm e por ter-se convertido, com o passar dos anos, num especialista da obra de Eisenstein a quem os críticos e cineastas de todo o mundo acorriam pontualmente.
Para além disso, Romm foi também o venerado mestre a quem se atribui a responsabilidade de ter provocado, entre os distintos tipos de autor em potência que conheceu enquanto docente no VGIK3, a relativa abertura – e suas consequências estilísticas – que chegou com o fim do Estalinismo. Romm assistiu, quer na qualidade de professor quer na de criador, a esse canto do cisne da cinematografia soviética que tão bem entoaram Tarkovsky, Klimov, Shepitko, Khutsiev [cujos filmes se exibem neste ciclo]… Importa assinalar aqui que a tutela que Romm poderia ter exercido, a mais importante das suas tutelas, nesse período crepuscular, não foi aquela que livrou os seus discípulos de problemas quotidianos, mas o modo como demonstrou a importância de, enquanto autor, se mostrar aquilo que vale.
 Salvar essa presença do criador na sua obra foi o objectivo final das preocupações de Mikhail Romm, tanto no seu cinema como no dos seus alunos.
Se há algo de absolutamente fascinante no cinema soviético que hoje sobrevive – não podemos negá-lo – é a assombrosa intensidade com que cada um dos seus cineastas foi capaz de se “fazer presente” na sua obra. Por isso se torna imprescindível fazer renascer, hoje, o interesse por um homem como Romm. E já que começámos este texto falando da sua tendência, voluntária ou não, para o desmedido, existe maior sinal de grandeza do que a aspiração do ser humano em ser imortalizado pela imagem?
José Manuel Mouriño, Abril 2016 [Trad. Cláudia Coimbra]
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1 “Atrás de mim fecharam-se as portas. Começara uma nova era: a do cinema sonoro. Eu fui o último a 'furar' a tendência com um filme mudo.” Mikhail Romm, “Mikhail Ilytch Romm” em El Cine Soviético Visto Por Sus Criadores.
2 O que não deixa de ser, em certa medida, contraproducente: a sua responsabilidade real vê-se hoje seccionada, como se se tratasse de uma personagem diferente para cada caso, deixando pouco mais do que oco o centro da figura, tomada em conjunto.
3 Em 1954, ano em que Tarkovsky se matricula nesse instituto de cinema, o grupo que Romm selecciona, de entre várias centenas de aspirantes, é formado por uma vintena de jovens das mais variadas proveniências. Ali se reúnem, entre outros: “Vasili Shukshin, da Sibéria rural; Alexander Gordon, que mais tarde fará dois filmes em colaboração com Andrei durante a sua etapa de formação; Maryia Beik, exilada política grega; o filho mais novo do actor Yury Fait e Irma Raush, de Kazan, actriz de talento e descendente de imigrantes alemães…” (Shusei Nishi, Tarkovsky and His Time: Hidden Truth of Life, Alt Arts LLC, Japão, 2011) Muitos ex-alunos de Romm recordam a forma como ele tentava combinar – e fazer os alunos participar na sua promoção desse confronto – as antagónicas personalidades de Andrei Tarkovsky (um jovem urbano que contava já com uma formação humanística assinalável) e Vasili Shukshin (de origem rural e com algumas lacunas no que à cultura clássica dizia respeito).'
In CICLO GRANDE CINEMA RUSSO, Medeia Filmes, 2016

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6 JAN

ALEXANDRE NEVSKY
Serguei Eisenstein: URSS. 1938. 104'

APRESENTAÇÃO DO FILME POR MANUEL AFONSO (SÓCIO HONORÁRIO E ANTIGO DIRIGENTE)



FICHA TÉCNICA
Realização: Serguei Eisenstein
Argumento: Serguei Eisenstein e Piotr A. Pavlenko
Director de Fotografia: Eduard Tissé
Montagem: Serguei Eisenstein, Esfir Tobak
Origem: URSS
Ano: 1938
Duração: 104'
Elenco: Nikolai Cherkasov, Nikolai Okhlopkov, Alexandr Abrikosov, Dmitri Orlov, Anna Danilova, Vera Ivacheva

MÚSICA

Sergei Prokofiev




IMDb  





ALEXANDER NEVSKY
OP. 78
cantata para mezzo-soprano, coro e orquestra





Orquestra Filarmónica de S. Peterburgo



O disco






sinopse

Rússia, primeira metade do século XIII. O país é invadido e saqueado. Finalmente, o deprimido e instável príncipe Alexandre Yaroslavich Nevsky é chamado para liderar o seu povo na luta contra os opressores.



notas

Na Rússia do século XIII, após a libertação dos mongóis, um novo perigo surge: a invasão dos cavaleiros teutónicos. Um deslumbrante filme sinfónico, com música original composta por Sergei Prokofiev, sobre um herói russo, Alexandre Nevsky, feito na altura em que de novo a Alemanha ameaçava a sua terra. A batalha do lago gelado de Tchoudsk é um momento único na história do cinema.

Cinemateca portuguesa - Museu do Cinema







PARA CONSULTA / BIBLIOTECA DO CCF:





OBRAS SOBRE S. EISENSTEIN





ALBERA, François, Eisenstein e o Construtivismo Russo: A Dramaturgia da Forma em "Stuuugart", São Paulo, Cosac e Naify Edições,


2002





AMENGUAL, Barthélémy, El Acorazado Potemkin, Barcelona, Ediciones Paidós, 1999





AUMONT, Jacques, Montage Eisenstein, Paris, Editions Albatros, 1979





BORDWELL, David, El Cine de Eisenstein: teoría y práctica, Barcelona, Ediciones Paidós Ibérica, 1999


BOUQUET, StéphaneSerguei Eisenstein, Paris, Cahiers du Cinéma/Público, 2008

FERNANDEZ, DominiqueEisenstein : l´arbre jusqu´aux racines II, ParisBernard Grasset, 1975

MAYER, David, Sergei M. Eisenstein´s Pontemkin: a shot by shot presentation, Nova Iorque, Da Capo,1990

PORTUGAL. Cinemateca Portuguesa, Sergei Eisenstein, s.l., Cinemateca Portuguesa- Museu do Cinema, s.d.

RAMOS, Jorge Leitão, Sergei Eisenstein, Lisboa, Livros Horizonte, 1981

OBRAS DE S. EISESNTEIN
EISENSTEIN, S. M., Mémoires, Paris, Union Générale d´Éditions, 1978-80

EISENSTEIN, Sergei, A Forma do Filme, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor1990

EISENSTEIN, SergeiReflexões de um Cineasta, Lisboa, Arcádia, 1972

EISENSTEIN, Sergei, Da Revolução à Arte, da Arte à Revolução, Lisboa, Editorial Presença, 1974

EISENSTEIN, Sergei, O Sentido do Filme, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor1990

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2 DEZ


ARSENAL
Aleksandr Dovzhenko. URSS: 1929. 90’


FICHA TÉCNICA
Argumento e Realização: Aleksandr Dovzhenko
Fotografia:
Daniil Demutsky
Cenografia:
Y. Shpinel, V. Miuller
Montagem:
Aleksandr Dovzhenko
Produção:
VUFKU
Origem:
URSS
Ano:
1929
Duração:
90'

ELENCO
Semyon Svashenko
Amvrosi Buchma
Georgi Khorkov
Dmitri Erdman
Sergei Petrov


MÚSICA COMPOSTA POR: Igor Belza 
MÚSICA DIRIGIDA POR: V. Ovchinnikov (restauro nos estúdios MOSFILMS em 1972)



SINOPSE
A Primeira Guerra Mundial trouxe a devastação ao povo ucraniano. Timosh, um soldado ucraniano recentemente desmobilizado, chega durante a celebração da liberdade ucraniana. Começa a desafiar as autoridades locais e, depois, no congresso, pede a adopção do sistema soviético. Na fábrica de munições Arsenal, onde Timosh trabalhava, as emoções estão ao rubro.
Um dos clássicos do cinema soviético mudo, que Dovjenko realizou entre "Zvenigora" e "A Terra". Como é frequente no cinema de Dovjenko, a acção não é totalmente linear, progride através de momentos fortes. Estamos durante a Primeira Guerra Mundial, no momento em que começa a revolução bolchevique. Um operário de regresso da frente de guerra denuncia a política do governo e uma fábrica torna-se o centro revolucionário dos operários de Kiev. O filme é pontuado por diversas cenas célebres e marcantes: um comboio que descarrila, uma família de burgueses amedrontada no seu apartamento, o massacre dos grevistas pelos Brancos e sobretudo a prosopopeia final: fuzilado, o herói não cai e continua a desafiar os inimigos.
Cinemateca Portuguesa




PARA CONSULTA / BIBLIOTECA DO CCF:

KAUFFMANN, Stanley; HENSTELL, Bruce, American Film Criticism: from the beginnings to "Citizen Kane"New York: Liveright,1972


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4 NOV



A CASA NA PRAÇA TRUBNAIA,Boris Barnet. URSS: 1928. 86' (M/14)



FICHA TÉCNICA

Título original: DOM NA TRUBNOY
Realização: Boris Barnet
Argumento:
Nikolay Erdman, Anatoli Marienhof, Vadim Shershenevich, Viktor Shklovsky, Bella Zorich
Fotografia: Yevgeni Alekseyev
Origem: URSS
Ano: 1928
Duração: 86'
Classificação etária: M/14

interpretação
Vera Maretskaya, Vladimir Fogel, Yelena Tyapkina, Sergei Komarov, Anel Sudakevich
 









IMDb




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Boris Barnet (1902-1965) foi um realizador, argumentista e actor soviético, autor de mais de vinte filmes.

DOM NA TRUBNOI é uma sátira à hipocrisia da pequena burguesia, que sobrevivera na URSS à Revolução e que continuava, sorrateiramente, a explorar os necessitados. Mas aí está o sindicato vigilante para pôr as coisas em ordem. Uma das obras-primas de Barnet, o mais surpreendente realizador do cinema mudo soviético. E planos de antologia na sua obra, como os iniciais de uma alvorada nas ruas de Moscovo e de apresentação da praça Trubnaia com as casas comunais, filmadas num corte transversal que capta em simultâneo diversos movimentos e ações em diferentes patamares, apartamentos, personagens.

A Casa na Praça Trubnaia é um filme mudo de 1928, desconhecido durante muitos anos no Ocidente, redescoberto na década de 1990, e que é considerado um clássico do cinema russo.


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21 OUT 





OUTUBRO 
Sergei Eisenstein. URSS: 1928. 141’ (M/12)
 

FICHA TÉCNICA Título Original / Internacional: Oktyabr
Realização: Serguei Eisenstein
Argumento: Serguei Eisenstein, Grigori Aleksandrov, a partir da obra de John Reed
Fotografia: Eduard Tissé
Montagem: Esfir Tobak
Com: Vassilli Nikandrov, Vladimir Popov, Boris Livanov, Eduard Tissé, Nikolai Podvoisky
Produção: Sovkino
Origem: Federação Russa
Duração: 144'
Ano: 1928

Em estilo documental, são recriados os eventos em Petrogrado, desde o final da monarquia em Fevereiro de 1917, até ao final do governo provisório em Novembro desse ano. Lenine regressa em Abril. Em Julho, os contra-revolucionários organizam uma revolta espontânea, e é decretada a prisão de Lenine. No final de Outubro, os bolcheviques estão prontos a atacar. Dez dias que irão abalar o mundo.

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PROGRAMAÇÃO





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