já não se fazem heróis como antigamente. pois não. novo ciclo no IPJ a partir de 2ªf. 2 meses, 8 filmes.

(ESTE CICLO TERMINA EM JULHO, com BOBBY CASSIDY de Bruno de Almeida, TONY MANERO de Pablo Larrain, MOTHER – UMA FORÇA ÚNICA de Joon-ho Bong e A NOVA VIDA DO SENHOR O'HORTEN de Bent Hamer)


JÁ NÃO SE FAZEM HERÓIS COMO ANTIGAMENTE

DIA 7
UM PROFETA

Jacques Audiard

França, Itália, 2009, 150’, M/16

O filme conta a história da ascensão social de um SDF (sans domicile fixe), Malik. Árabe e analfabeto, ele vai parar a uma prisão dominada pela máfia corsa, e será dentro de quatro paredes que passa de zé-ninguém a 'padrinho' do tráfico de droga e do crime organizado. Podia falar-se do contorno psicológico de tal situação; de uma reacção sociológica ("um racismo latente”) a que Audiard se referiu; ou de um filme que, ficcionando tudo à sua volta naquela prisão de estúdio, consegue ser retrato do tecido social francês contemporâneo como poucos o foram. Mas o que mais impressiona não são estas 'consequências'. O que mais impressiona em "Um Profeta" é a permeabilidade operática que tudo aquilo atinge, e logo num filme que, curiosamente, e tal como todos os de Audiard, volta a dar provas da sua modéstia. Porque "Um Profeta", no fundo, jamais se coloca acima da realidade que está à sua frente. Tem uma fidelidade incondicional por esse princípio.
Francisco Ferreira



Título Original: Un Prophète
Realização: Jacques Audiard
Argumento: Jacques Audiard e Thomas Bidegain
Interpretação: Tahar Rahim, Niels Arestrup, Adel Bencherif, Reda Kateb
Hichem Yacoubi, Jean-Philippe Ricci
Direcção de Fotografia: Stéphane fontaine
Música: Alexandre Desplat
Montagem: Juliette Welfling
Origem: França/Itália
Ano de Estreia: 2009
Duração: 154’



DIA 14
O MEU AMIGO ERIC

Ken Loach

Reino Unido/ França/ Itália/ Bélgica/ Espanha, 2009, 116’, M/12

Quando me disseram que o último realizador marxista do hemisfério ocidental - Ken Loach, como se sabe - ¬fizera um filme com Eric Cantona e por ele co-produzido, a minha primeira reacção foi de desalento. Seria que, cumprido o cabo dos 70 anos, Loach se deixara, enfim, seduzir pela mundaneidade e pelo futebol? Teria ele trocado a denúncia das injustiças pelos golos do Manchester United (os Reds, mas mesmo assim...), teria traficado a luta de classes pelo pontapé no hooligan (gesto que fez quase tanto pela notoriedade de Cantona quanto as jogadas geniais, pois não há maior fama que a infâmia)? Confesso que a bizarria atraiu a minha curiosidade e, se essa foi a estratégia de Loach - bingo! Ken Loach consegue tecer uma ficção tonificante e surpreendente, onde há uma aguda atenção social, uma comédia romântica e um genuíno amor pelo futebol - daquele que faz olhar uma jogada de Cantona como um ballet ao sol.
Jorge Leitão Ramos


Título Original: Looking For Eric
Realização: Ken Loach
Argumento: Paul Laverty
Interpretação: Steve Evets, Eric Cantona, Stephanie Bishop, Gerard Kearns
Julie Brown, John Henshaw
Direcção de Fotografia: Barry Ackroyd
Música:
Montagem: Mark Wright
Origem: Reino Unido/ França/ Itália/ Bélgica/ Espanha
Ano de Estreia: 2009
Duração: 116’



DIA 21
FANTASIA LUSITANA

João Canijo

Portugal, 2010, 64’, M/6

Um filme todo feito de colagens de documentários do Estado Novo, embora com a inteligente intromissão de uma textualidade exterior, que o recontextualiza de modo contemporâneo, poderá possuir limites evidentes, mas o resultado é estimulante, porque Canijo entende os materiais com que trabalha e se apercebe da sua desgarrada eloquência. Por isso, Fantasia Lusitana ultrapassa a soma das duas partes constituintes e traça um dos olhares mais negros sofre o fascismo português e, sem sombra de demagogia, mostra como os anos 40, neste “jardim à beira mar plantado”, podem funcionar enquanto chave para entender a nossa presente “apagada e vil tristeza".
Mário Jorge Torres
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Título Original: Fantasia Lusitana
Realização: João Canijo
Textos: Alfred Döblin, Erika Mann, Antoine de Saint-Exupéry
Vozes: Hanna Schygulla, Rüdiger Vogler, Christian Patey
Montagem: João Braz
Origem: Portugal
Ano de Estreia: 2010
Duração: 64’


DIA 28
ANTI CRISTO

Lars Von Trier

Dinamarca/ Alemanha/ França/ Suécia/ Itália/ Polónia, 2009, 109’, M/18

Lars Von Trier é, possivelmente, o mais perverso realizador da História do Cinema. Não tem ética nem escrúpulos, é moralmente repugnante. Absolutamente odioso. Contudo, genial. É esse génio maléfico que faz com que o odiemos tanto sem que consigamos deixar de gostar dele. Se tudo isto se aplica a Ondas de Paixão, Os Idiotas e Manderlay, o que dizer de Anticristo, o primeiro filme catalogado no género de terror? Pois, poupem as vossas mentes sãs e não vão ver este filme. Contudo, não deixem de o fazer, pois é uma experiência totalmente nova de cinema (ainda que plausivelmente traumática) sem recurso à tridimensionalidade.
Manuel Halpern




Título Original: Antichrist
Realização: Lars Von Trier
Argumento: Lars Von Trier
Interpretação: Willem Dafoe, Charlotte Gainsbourg, Storm Acheche Sahlstrøm
Direcção de Fotografia: Anthony Dod Mantle
Montagem: Åsa Mossberg e Anders Refn
Origem: Dinamarca/ Alemanha/ França/ Suécia/ Itália/ Polónia
Ano de Estreia: 2009
Duração: 109’



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há um mestre na Áustria: MICHAEL HANEKE. Retrospectiva completa. às 5ªf, n'Os Artistas'. Entrada livre.

....e tenham uma noite inquietante...

(um bom texto de introdução ao ciclo)

Tenham medo. Melhor ainda: não tenham medo da angústia que liberta um filme de Michael Haneke. Ainda não há muito, quando apresentava uma retrospectiva da sua obra em Londres, o cineasta austríaco com ar de entomologista, desejou aos espectadores uma "sessão inquietante". Não estava a fazer apenas "blague" - muito hitchcockiana, diga-se, embora no lugar da bonomia do obeso inglês se tenha de por a silhueta professoral do austríaco, mas Hitchcock é mesmo um cineasta em que se pode pensar quando se pensa no cinema de Haneke. Que, aos 63 anos, se considera um "optimista". Quer com isto dizer que o seu objectivo - isto é: com a prova de choque dos filmes - é abanar o torpor do espectador perante a forma inconsequente como violência domina os "media". "Optimista", portanto, no sentido em que acha sempre que vai conseguir - abanar, isto é. Uma coisa é certa: os filmes de Haneke - "O Sétimo Continente" (1989), "Benny"s Video (1992) , "71 Fragments of a Chronology of Chance" (1994), "Brincadeiras Perigosas" (1997 - primeiro público alargado -, "Código Desconhecido" (2000), "A Pianista" (2001) - Grande Prémio do Júri de Cannes -, "Le Temps du Loup" (2003) e "Nada a Esconder"/"Caché" (2005) não são para todos. Haneke não tem ilusões de que o seu cinema seja "mainstream". E no entanto "Nada a Esconder", saiu de Cannes com o prémio de Realização e em França esteve nas listas dos melhores do ano. O filme debruça-se - há sempre um tom de investigação e experiência ... - sobre a razão pela qual Georges (Daniel Auteuil), um apresentador de televisão de um programa sobre literatura (uma espécie de Bernard Pivot), não se sinta refém, nem sinta culpa, em relação ao seu passado quando recebe vídeos com imagens da sua própria casa (quem os filmou?) e quando recebe desenhos perturbantes onde uma criança deita sangue pela boca, ou quando recebe chamadas telefónicas suspeitas. Tudo isto, supostamente, é obra de um argelino, Majid, que em tempos, na infância, Georges tramou. Foi uma espécie de história de "irmãos" que correu mal e que o tempo veio cobrar; uma história que tem a ver com outro tempo, de facto, com o passado colonial francês, com a "questão argelina". Por isso nos espantamos quando Haneke diz ao Y que a política não lhe interessa. Mas este filme é abertamente político. Explicita a profunda separação entre o primeiro e o terceiro mundos e a estratégia dos "media" e do público nessa alienação. Os recentes motins em Paris, aliás, tornam o filme ainda mais pertinente. Mas Haneke insiste: "Em qualquer país encontramos uma situação semelhante, podemos entrar em comparações em relação à Áustria ou à Jugoslávia ou outros países. O filme tem uma versão alargada de temas e eu ficaria infeliz se fôssemos restringi-lo à questão colonial argelina." Para Haneke, o comportamento da personagem de Georges não é invulgar - quando ele se esconde debaixo dos cobertores e toma comprimidos para esquecer acontecimentos recentes. "Fazemos o mesmo com o terceiro mundo. Tomamos um comprimido, damos alguns milhões de dólares e depois esqueçemos. É a mesma maneira de esquivarmo-nos ao tema." Também não é coincidência que Georges seja apresentador de TV e um intelectual, diz o realizador. "Desta maneira não há desculpas possíveis, do género que tinha problemas de ordem material ou era demasiado estúpido para se comportar de outra maneira. Ele tem que ser confrontado com o que fez." "Acho que os intelectuais são seres humanos como qualquer outra pessoa e com os mesmos problemas. O facto de termos conhecimentos não nos ajuda do ponto de vista emocional - caso contrário o mundo seria um lugar diferente. Podemos saber tudo, mas isso não quer dizer que saibamos lidar emocionalmente com essas coisas. Não estou a ser pessimista ao dizê-lo; é apenas uma observação. Sou um intelectual, mas o facto de ser um intelectual não é de grande ajuda na minha vida privada." a ilusão da tv. Michael Haneke, nascido em Munique, filho de uma actriz e de um realizador, que passou a infância num subúrbio de Viena, Wierner Neustadt, tentando ser actor e pianista, começou a fazer filmes para a televisão austríaca e alemã, meio sobre o qual tem sido crítico. "Não acredito que a televisão nos faculte assim tanta informação sobre o que está a acontecer no mundo", diz, convicto. "Vemos imagens que são manipuladas - porque não existe essa coisa da imagem objectiva -, mas isso dá-nos a ilusão de possuirmos conhecimento. E isso é perigoso, porque acabamos por ser manipulados por essa ilusão." O primeiro filme realizado fora do pequeno ecrã, "O Sétimo Continente", era o relato, verdadeiro, do suicídio colectivo de uma família, onde todos os membros morriam num sofá, a fazer "zapping". "Benny"s Vídeo" centrava-se na história de um rapaz que passava o dia trancado no quarto rodeado de computadores e monitores a ver filmes de matanças ao vivo que fez com animais de quintas. Foi alvo de atenção internacional com "Brincadeiras Perigosas", o primeiro filme austríaco em 35 anos que foi à competição de Cannes - a imagem de uma televisão salpicada de sangue era óbvia, mas a história de dois jovens bem-educados que tomam como reféns uma família na sua casa de férias, forçando-os a jogos sádicos, era aterradora. Há alguns pontos de contacto com "Nada a Esconder". No facto de o "thriller" psicológico ir tomando forma, no facto de serem as gerações mais novas que sacodem as fundações do edifício social. A este nível está o intrigante plano final, em que os filhos de Georges e de Majid conversam, sem que o espectador oiça o diálogo: eram eles que urdiam o "complot" que se abateu sobre a família francesa? É uma nova aliança feita no rescaldo dos pecados e das culpas dos pais? "No fim, as pessoas têm diferentes interpretações dessa cena em que os filhos dos dois homens se encontram em frente à escola", reconhece Haneke. "É propositado. Não vou dar dicas sobre o que acontece. Filmei inicialmente a cena de forma a que pudéssemos ouvir o diálogo mas preferi que o público adivinhasse o que está a acontecer. Quem sabe? Talvez sejam amigos que tenham combinado juntos [o plano dos vídeos e dos desenhos anónimos]. Talvez o filho do argelino esteja a preparar um rapto e vá levar o outro rapaz como refém. Ou talvez vejamos os dois rapazes como herdeiros dos problemas com os quais estamos a lidar no filme. Cabe-nos decidir. Construí o filme desta forma para assegurar que as pessoas iriam levantar questões. Se fizer como os outros fazem, que nos dão as respostas antes de levantarmos as questões, então iremos esquecer o filme, iremos esquecer o problema e a questão rapidamente. Quando vou ao cinema os filmes que permanecem na minha mente são aqueles que me desestabilizam e me inquietam. Esqueço todos os outros muito rapidamente." duche frio. Agora uma das actrizes predilectas de Haneke, Juliette Binoche faz equipa com o realizador pela segunda vez em "Nada a Esconder". Entrara anteriormente no primeiro filme francês do realizador, "Código Desconhecido". Ficou apanhada pela experiência. Em "Nada a Esconder" interpreta a mulher de Georges e trabalha na indústria editorial. A família goza uma vida calma e tem um filho com 12 anos, Pierrot. No entanto, à medida que Binoche vagueia pelo seu imaculado apartamento podemos sentir as gretas que começam a abrir nesta existência burguesa. A parte de Anne na história é a de uma testemunha dos emergentes segredos do marido e de uma violência latente. "Há coisas na vida que são insuportáveis, a traição é insuportável, a culpa é insuportável", diz Binoche. "De repente temos de encarar os nossos demónios e acho que o Michael Haneke está a lidar com temas que são difíceis e isso é necessário. Os seus filmes sublinham os pormenores da nossa vida diária e o que é muito forte, o que é especial sobre eles é que não estamos só envolvidos nos nossos próprios problemas, temos de abrir-nos para o resto do mundo. Todos os pormenores tornam-se universais. Foi um acessor de imprensa que me apresentou aos filmes do Michael. Vi "Benny"s Vídeo", mas não quis ver "Funny Games" porque fiquei assustada. Os seus filmes, mesmo quando são como um duche frio, levam-nos a pensar sobre o materialismo das nossas próprias vidas e nos nossos hábitos do dia-a-dia. Normalmente não queremos ser confrontados com o passado. Por isso acho que os seus filmes são necessários. De tempos a tempos é preciso vermos uma coisa assim. Embora não todos os dias", diz, soltando uma gargalhada. Michael Haneke escreveu o filme a pensar exactamente nos actores que queria. Neste caso, Binoche e Auteil. Fazer um filme, por isso, não é nada de excessivamente difícil. O realizador sabe o que quer. E termina a conversa com o Y com um largo sorriso: "Digo sempre que é mais agradável interpretar um filme de Haneke do que ver um filme de Haneke".
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Helen Barlow e Vasco Câmara, Público


Dia 3 de Junho
O Sétimo Continente



«O Sétimo Continente" está incluído numa trilogia de Haneke acerca da incomunicabilidade que mata (literalmente). Esta é a primeira longa metragem do realizador e um desafio para a luta desesperada contra a resignação e a indiferença visceral que assola a impessoal existência quotidiana, num mundo alienado onde já não há diálogo e as pessoas perderam a sua alma.

Sobre o inexplicável
Uma família comum é apresentada em sua rotina: pai e mãe acordam, em seguida despertam a filha. Tomam banho, tomam café e vão à escola e ao trabalho. Durante quase vinte minutos de ações diárias, eles são mostrados em seus gestos, pelos seus corpos. Não vemos, neste início, rosto algum.
Logo, compreendemos a generalização do artifício: retira-se qualquer particularidade para a obtenção de um efeito universalizante; aquela família poderia ser qualquer família.
Num dia seguinte, as ações se repetem, na mesma ordem, mas dessa vez começamos a ver um pouco dos rostos, e a conhecer algumas informações sobre os personagens: nomes, profissões, um ou outro traço de personalidade. De qualquer modo, eles são definidos primeiramente por seus papéis sociais, depois por suas particularidades: eles são um grupo mais do que uma soma de indivíduos.
O Sétimo Continente apresenta uma estranha estrutura ternária: três anos da vida de pai, mãe e filha são expostos e claramente divididos por intertítulos na tela. A separação, no entanto, só serve a ressaltar as similaridades: nos dois primeiros anos, as atividades são as mesmas, as posições de câmera são as mesmas; a rotina é mostrada em seu lado repetitivo e fatigante.
Ao começo idêntico do terceiro segmento, o espectador pode começar a se perguntar qual o objetivo de tal separação, e até onde o diretor pretende ir com essa exposição sem conflitos. Pois é justamente no terceiro segmento que Michael Haneke, diretor das angústias e dos suspenses familiares, muda o filme e apresenta o fato de que essa mesma família, unida como sempre, começa a destruir sua casa.
Na tranquilidade dos hábitos matinais, eles cortam fotos, destróem móveis, matam os peixes, quebram os vidros, jogam o dinheiro na descarga e anunciam em uma carta aos sogros que farão uma viagem. Após a destruição total do lugar, eles se matam, um por um, e anotam as datas de seus suicídios na parede.
A surpresa é intencional: não se apresentam razões concretas para um suicídio, não se faz o retrato de pessoas angustiadas. Eles têm problemas no trabalho como quaisquer outros, eles presenciam um acidente na rodovia como muita gente já presenciou. A mente de público começa a perseguir esses pequenos traços, buscar pequenas justificativas possivelmente distribuídas ao longo da narrativa.
Mas Michael Haneke faz um filme sem nenhuma explicação, sem piedade ou sem apontar culpados. Ele se aproxima do documental: de fato, aproveitou-se de uma notícia de jornal para escrever o roteiro, e vários fatos foram mantidos intactos. Na cena final, um pôster de uma praia australiana, sonho de nosso protagonistas e “sexto continente” a que faz alusão o título, reaparece poderoso, sombrio, e dessas vez as ondas se mexem em direção à tela.
Bruno Carmelo




Título Original: Der Siebente Kontinent
Realização: Michael Haneke
Argumento: Michael Haneke, Johanna Teicht
Interpretação: Udo Samel, Leni Tanzer, Dieter Berner, Birgit Doll, Silvia Fenz, Robert Dietl
Direcção de Fotografia: Anton Peschke
Música: Alban Berg
Montagem: Marie Homolkova
Origem: Áustria
Ano de Estreia: 1989
Duração: 104’

NOVA SESSÃO COM OS FILMES PREMIADOS NA MONSTRA - 6ªf, dia 4, 21h30, IPJ.

Por problemas técnicas causados por deficiências no dvd que nos foi enviado pela organização do Festival Monstra, vimo-nos obrigados a suspender a sessão de ontem e a garantir que iríamos tentar arranjar nova data.

Vimos assim por este meio informar que A REPOSIÇÃO DA SESSÃO DOS FILMES PREMIADOS DA MONSTRA - e como estavam eles a ser brilhantes!! - acontecerá na PRÓXIMA 6ªF, DIA 4, PELAS 21H30, NO IPJ.

Lamentamos os incómodos causados, mesmo não tendo sido responsáveis por eles, e transmitimos os pedidos de desculpa da organização do Festival que informou que, infelizmente, esta não foi a primeira vez que uma sessão teve de ser anulada por motivo de deficiências dos dvd por eles enviado.

Mais uma vez pedimos desculpa pelos inconvenientes, e esperamos sinceramente que mantenham a disponibilidade para assistir a esta nova sessão.

Até 6ªf.

A Direcção.

não, não é mais uma comédia sobre adolescentes: esta é uma BOA comédia! UNS BELOS RAPAZES do autor de BD Riad Sattouf.

2ªF 31, IPJ, 21H30.

Um borbulhoso retrato do estranho, selvático e incrivelmente desconfortável tempo da adolescência, UNS BELOS RAPAZES coloca uma mão cheia de gargalhadas de torcer o coração directamente no focinho.


O desenhador de Banda Desenhada Riad Sattouf estreia-se com um conto divertido sobre um par de falhados que vive pequenos triunfos e humilhações intermináveis de uma ânsia sexual adolescente, oferecendo-nos uma série de grosseiros ao estilo de Super Baldas e American Pie – apesar de neste filme se utilizar como suporte uma meia já usada.


Embora o filme adolescente conhecido como o tenho-de-dar-queca tenha sido rotineira e ainda mais eficazmente explorado no passado, Sattouf e o co-argumentista Marc Sygras (Replay) oferecem uma forma de comédia ainda mais cruel, presenteando uma série de gargalhadas visuais – numa média de uma ou duas por cena – concentrada em todos os poros oleosos das suas personagens.


Enquanto várias sequências mostram os dois a beijarem desmazeladamente desde raparigas a espelhos aos dedos de outros em planos nauseantes apertados, outros são frescos e criativamente humorísticos, revelando olho para as traquinices nos storyboard – algo que já tinha provado com as suas BD.


Os pontos fracos de Hervé são particularmente complicados na presença da sua mãe tagarela. Existe algo de bizarramente incestuoso na relação deles (tal como existe algo de flagrantemente homoerótico na sua amizade com Camel), e o realizador usa tal conteúdo para mostrar a puberdade como um momento doloroso em que experienciamos diferentes identidades, na esperança de encontrar alguma que nos sirva. Tais humilhações são extremamente bem manejadas pelo cast de desconhecidos, especialmente Lacoste, que nos apresenta Hervé, como uma personagem em constante evolução e entrega, que não consegue escapar às suas inúmeras imperfeições.
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Jordan Mintzer, Variety


É uma primeira obra, a estreia de Riad Sattouf (n. 1978), autor francês de BD. O universo adolescente, ao que podemos saber, é um dos temas preferidos dos seus livros, e foi o tema que escolheu abordar no seu primeiro filme. Os "belos rapazes" (na verdade, incrivelmente feios e borbulhentos, a adolescência em todo o seu hiper-realístico esplendor) são uma dupla de alunos de liceu obcecados com a sua própria libido, que é inversamente proporcional aos seus talentos de sociabilização. Todas as mulheres (as colegas, as mães delas, as professoras) são potenciais objectos de fantasia, mas esse mundo mental dificilmente coincide com o mundo real. Esta difícil coincidência alimenta "Uns Belos Rapazes", que filma a adolescência masculina como um território monotemático, onde toda a imaginação conduz sempre ao mesmo, mas onde o "mesmo" raramente passa da imaginação. Sattouf acompanha esta "selvajaria" das suas personagens com uma certa elegância (e com uma certa empatia, talvez até com alguma nostalgia), matizando-lhes o recorte estereotipado (que é obviamente fundamental) com algumas subtis notações psicológicas (por exemplo toda a relação entre um dos rapazes e a mãe, interpretada por Noémie Lvovsky).


Se o ambiente é "realista", e quer o liceu quer o círculo em que as personagens se movem são perfeitamente plausíveis, a sua importância é limada, como se a psique adolescente fosse uma coisa que se impõe a tudo. Como é evidente, ficamos próximos do "cartoon" (até na maneira como Sattouf compõe as cenas e nalguns casos até os planos), no sentido em que, porventura demasiadas vezes, persegue apenas o efeito grotesco (a insistência nas borbulhas, nos aparelhos dentários, etc). Mas, e é aquilo que Sattouf consegue melhor, o filme salva-se do "cartoonismo" inconsequente (não importa quão divertido) pela maneira como integra a voracidade desamparada das suas personagens numa espécie de "visão do mundo", e transformar-se no seu retrato.
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Luís Miguel Oliveira, Público


ENTREVISTA
Já considerado como um autor de banda desenhada hilariante (Pascal Brutal, La Vie Secrète des Jeunes), Riad Sattouf estende ao cinema a sua fábrica de descrições sobre os ingratos anos estudantis. E vigoroso, com um belo casting de borbulhosos e uma banda sonora a calhar, o seu primeiro filme coloca-se no lugar de melhor teen-movie francês… em muito tempo.
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Porque é que escolheu fazer um filme depois de tantos anos a trabalhar em BD?
Não sou um grande cinéfilo, mas estudei Cinema de Animação e, como muitos desenhadores, desejava um dia que as minhas histórias não fossem animadas. A banda desenhada conta histórias de uma certa forma, e o cinema de outra, e o que eu prefiro fazer na vida é contar histórias… Dito isto, o peso dos processos de criação esgotam-me antecipadamente: eu não quero massacrar-me a montar um projecto e a convencer um produtor a ajudar-me a realizá-lo para depois mudar de ideias sobre o argumento só para não chocar as associações católicas… Acho que tive muita sorte em encontrar produtores que adoraram as minhas BD e deixaram-me fazer o filme que queria.



Les Beaux Gosse leva para o cinema francês o melhor do teen-movie contemporâneo. Pensamos muito em produções de Judd Apatow, Super Baldas em particular…
Vi Super Baldas durante as filmagens porque toda a gente me falava no filme. Mas eu não achei os dois filmes tão semelhantes, à excepção de eles serem sobre dois adolescentes muito obcecados e muito feios… Na verdade, não conheço a tal ponto essa nova comédia americana, nem os seus modelos. O que me leva a rir é muitas vezes aquele assunto suficientemente sério. Por exemplo, uma reportagem sobre os adolescentes hoje em dia é classificado como sendo um tema muito alarmante, mas eu acho isso hilariante. É exactamente isso que eu desejo transcrever. Eu queria ser muito realista, e para isso mantive-me fiel a um dos meus livros, Manual de Puceau¸ inspirado nos meus próprios anos como estudante, nos quais eu tinha a impressão de ter êxito em qualquer matéria de aproximação naturalista.



A originalidade do filme no quadro do cinema francês é que é um olhar sobre os adolescentes nunca vista. O que é que este olhar tem de tão especial?
Foi uma coisa essencial para mim, tínhamos de estar sempre à mesma altura. Filmei exactamente o mundo deles, portanto, não existem outros pontos de vista válidos que não sejam os deles. Há momentos de verdadeira crueza no filme, que fazem com ninguém os julgue ou façam troça deles. Sobretudo, não quis aproximar-me deles como fauna estrangeira. Tenho de atacar as coisas pelas bases. Quando tu és adolescente, e vives um pouco à margem e o teu corpo não se modifica à semelhança da tua vontade, és obrigado a inventar uma visão exterior do mundo, um código, uma classificação para as pessoas à tua volta que te permita compreender, porque, com aquela idade, certas coisas só acontecem a um certo tipo de pessoas. É qualquer coisa de suficientemente primitivo e animal. É aí, sem dúvida, que o meu filme se assemelha a Super Baldas: disse-me a mim mesmo que seria mais interessante abordar as coisas do ponto de vista dos nulos, em vez de partir do colegial médio no qual todos se poderiam projectar.
INROCKUPTIBLES



Título Original: Les Beaux Gosses
Realização: Riad Sattouf
Argumento: Riad Sattouf Et Marc Syrigas
Interpretação: Vincent Lacoste, Anthony Sonigo, Alice Trémolières, Noémie Lvovsky
Direcção de Fotografia: Dominique Colin
Música: Flairs e Riad Sattouf
Montagem: Virginie Bruant
Origem: França
Ano de Estreia: 2009
Duração: 90’


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com pedido de divulgação. acedemos, claro.



«A edição deste ano, após o sucesso da primeira, decorrerá, uma vez mais, no Pátio de Letras, nos dias 8 e 9 de Junho, com início às 21h30 (ambos os dias), tendo como tema (com incidência no filme a exibir no segundo dia) a Teoria do Super-Homem do filósofo Nietzsche. Uma vez mais o evento será gratuito e aberto a todo o público interessado em Cinema. Eis a sua estrutura:

*Terça-feira, dia 8 de Junho (21h30) - *

- Participação do produtor Carlos Fraga (empresa de produção Livre Meio) falando sobre a área da Produção audiovisual;
- Participação de três jovens realizadores falando sobre as curtas-metragens que filmaram;
- Apresentação de cinco curtas-metragens de jovens realizadores do Algarve:

*"Mar d' Outubro"*, realizado por Nuno Fernandes;

*"Aquilo lá fora"*, realizado por Daniel Silvério;

*"Marioneta"*, realizado por Ana Franco, Bruno Cruz, Irene Sousa e Joana Bárbara;

*EU vs. EU, *realizado por Nuno Relógio;

ü *Dia 1095, *realizado por Inês Gaio, Jorge Felício, Pedro Nascimento, Tatiana Contreiras, Vida Kaucic, Mª João Parente.

- Perguntas do público aos convidados participantes.

*Quarta-feira, dia 9 de Junho (21h30) - *

- Participação da Professora convidada Ana Soares da Universidade do Algarve, explicando e relacionando o tema, e como e onde se apresenta no filme em questão;
- Projecção do filme "Fight Club" do realizador David Fincher;
- Perguntas do público aos convidados participantes.»


(texto da organização)

9 edições e 10 anos depois.. FINALMENTE UMA EXTENSÃO DO MONSTRA!!

O Festival de Animação de Lisboa, MONSTRA, nasceu no ano 2000. O seu objectivo central é o de alargar o âmbito de acção e de intervenção na área do cinema de animação e das artes que lhe estão associadas tanto em Lisboa como em todo o país.

Com o intuito de criar um profundo conhecimento da arte da animação que se realiza um pouco por todo o mundo, convida anualmente uma cinematografia da qual realiza uma ampla retrospectiva. Trazemos a Lisboa, filmes, autores, teóricos, jornalistas, realizando, com estes, exposições, seminários, encontros e workshops.


Para criar e aprofundar
o diálogo entre artes, a MONSTRA realiza anualmente um conjunto de encomendas onde propõe o encontro de artistas plásticos, músicos, encenadores, performers, Vj e Dj com a arte da animação.

Paralelamente, realizamos competição de curtas-metragens de estudantes de escolas de todo o mundo, fazendo de Lisboa o grande local de encontro dos jovens autores e do futuro da animação mundial. A competição profissional alterna anualmente entre curtas e longasmetragens,de forma a mostrar o que de melhor se realiza em cada 2 anos de produção nacional e internacional.


Enquanto obra artística o
cinema de animação é uma arte não exclusiva para as crianças. No entanto, temos a experiência de que a arte da animação, pela sua transversalidade e multidisciplinaridade de saberes que envolve, é uma das mais completas formas de formação que existe. Assim, desde o ano 2000 criamos a MONSTRINHA, a MONSTRA para os mais pequenos. Pretende levar às escolas, professores, pais e educadores o que de melhor se realiza nesta arte. Esta atitude revela-se não apenas pela projecção de filmes mas também, na criação de acções de formação, para crianças, jovens, pedagogos, pais e filhos, de forma a utilizar todo o potencial pedagógico e artístico da animação na aquisição de conhecimento.

Numa arte em que a formação é escassa e praticamente inexistente ao nível superior, o festival tem vindo a difundir e editar ensaios e programas de forma a criar um melhor e maior conhecimento da animação!
(texto da organização)

34 anos de Cinanima, um dos mais importantes e reputados Festivais de Cinema de Animação do MUNDO.

10 anos de Monstra, a 'resposta' de Fernando Galrito à necessidade de mais espaços consagrados a UM DOS MAIS CRIATIVOS, LIVRES E FASCINANTES géneros cinematográficos. em Lisboa, no caso.

aqui, este ano.

(custou)


MELHOR DO QUE 1 SESSÃO COM TODOS OS FILMES PREMIADOS, SERIA POSSÍVEL?

Não. Dia 1 de Junho, IPJ, 21h30.

Depois, uma mini-Monstrinha, com uma sessão para escolas (alunos de + 13 anos).

Dia 2 de Junho, IPJ, 10h30, entrada livre.

E ainda, pensando nos Cursos ligados às Artes e ao Design da Comunicação da Universidade do Algarve, uma sessão com Filmes Internacionais de Estudantes Universitários.

Dia 2 de Junho, Anfiteatro 1.4 do Complexo Pedagógico da Penha, 14h, entrada livre.




Filmes e imagens e tudo e tudo:


Sessão de Premiados MONSTRA 2010
DIA 1 DE JUNHO – 21H30 – IPJ

Duração total da sessão: 63’’
Sócios – 1€, Não-Sócios – 3,5€

Prémio Especial do Júri
DER DA VINCI CODE
, Gil Alkabetz, Alemanha, 2009, 2’58’’
Produção: Sweet Home Studio

No filme “The Da Vinci Time Code” uma pintura é desmontada para criar um filme animado com seus fragmentos. Diferentes partes desta imagem singular, baseadas em formas semelhantes, permitem-nos descobrir movimentos secretos.
As pessoas nesta imagem comem, dançam, debatem e discutem, até que finalmente estão
todas em silêncio.



Prémio Onda Curta
FRENCH ROAST
, Fabrice Joubert, França, 2008, 8’ 15”
Produção: Pumpkin Factory / Bibo Films
Produzido por: Louis Viau, Pascal Chevé e Bibo Bergeron
Argumento: Fabrice O. Joubert
Técnica: Curta Metragem / Animação / Comédia

Numa brasserie parisiense, um agitado homem de negócios está para pagar a conta quando se apercebe que perdeu a carteira. Para poupar tempo decide pedir mais café... Assado Francês é um filme de animação comandado pelas personagens sobre aparências enganadoras. Sem diálogos, a história é contada através da animação das personagens, música e som.

Prémio RTP 2 MONSTRA 2010 – Melhor Curta e Prémio Melhor Banda Sonora
DIVERS IN THE RAIN
, Priit & Olga Pärn, Estónia, 2009, 24’
Produtor: Kalev Tamm; Estonian Film Foundation
Argumento: Priit Pärn e Olga Pärn
Montagem: Priit Pärne Olga Pärn

Esta é uma história sobre um mergulhador e uma dentista noctivaga. Os seus beijos e são sempre de despedida... Ele é um mergulhador e tem de mergulhar. Ela está cansada e tem de dormir. Mas não há silêncio nos seus sonhos... E um grande navio está a afundar-se lentamente à chuva. Ninguém sabe quando haverá tempo para o último cigarro...

Melhor Curta de Animação Portuguesa
CÂNDIDO
, Zepe, Portugal, 2007, 11’
Produtor: Zepe (José Pedro Cavalheiro), Insectos, Cinema e Multimedia, Lampadacesa –
Cinema de Animação
Argumento: Virgílio Almeida e Zepe (José Pedro Cavalheiro) Montagem: Cátia Salgueiro, Nuno Beato
Música: Carlos Zíngaro, João Lucas, Paulo Curado, Ulrich Mitzlaf
Técnica: desenho sobre papel

Cândido nunca a amou. A manipulação é o seu jogo preferido.

Melhor Curta de Estudante
NEVER DRIVE A CAR WHEN YOU'RE DEAD
, Gregor Dashuber, Alemanha, 2009, 9’55
Escola: Hochschule für Film und Fernsehen (HFF) "Konrad Wolf"
Argumento e Animação: Gregor Dashuber
Animação: Gregor Dashuber
Música e Design de Som: Marian Mentrup
Produção: Julie Lamarre
Empresa de Produção: Hochschule für Film und Fernsehen (HFF) "Konrad Wolf" Potsdam-
Babelsberg
Editor: Martin Reimers
Técnica: Animação no papel desenhada à mão / Computador 2D

O desajeitado herói tropeça em cima de um grande piano esquecido.
A música conduzi-o da sua existência até à vida da cidade.
A partir daí ele toca uma marcha fúnebre para todas os mortos no passeio.


Melhor Filme para a Infância e Juventude
LES ESCARGOTS DE JOSEPH
, Sophie Roze, França, 2009, 12’
Produção: JPL Films
Argumento: Sophie Roze
Técnica: volumes

Joseph é um tímido e introvertido rapaz que colecciona caracóis. Um dia ele é engolido pela
sua próprio umbigo e descobre o mundo perturbador dos “olha-umbigos", pessoas que, apenas comunicam com o seu umbigo, enrolados sobre si mesmos e que se transformam em
caracóis...

Melhor Série para TV
LOG JAM
, Alexey Alexeev, Rússia/Hungria, 2009, 2’
Produção: Studio Baestarts
Argumento: Alexei Alexeev

Três animais estão tocando música até que são interrompidos por um caçador e o seu cão…




Melhor Curta de Estudante Português
A GRANDE TAREFA DO SENHOR POULET
, Andreia Costa, Portugal, 2009, 50’’
Escola: Restart

Um dia de trabalho atribulado para um senhor de grandes responsabilidades.



DIA 2 de Junho –10h30 - IPJ
MONSTRINHA (Programa para mais de 13 anos)


Colaboração – Direcção Regional de Educação do Algarve – Programa JCE
Duração total da sessão: 58'
Entrada livre


O GUARDIÃO DO FAROL
David François, Rony Hotin, Jérémie Moreau, Baptiste Rogron, Gaelle Thierry, Mailys Vallade, França, 2009, 3'15'', cor
Técnica: Animação 2D

O guardião de um farol é acordado do seu sono por um estranho insecto. E uma noite verdadeiramente estranha terá lugar.
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CAÇA
Ramil Usmanov
Rússia, 2009, 1'40'', cor
Técnica: Animação computador 3D

Dos caçadores, um urso... e um homem bizarro interfere...






MALA
Isabelle Favez
Suíça, 2009, 7', cor
Técnica: Animação computador 2D

Poderá uma mala cheia de dinheiro ser a solução para os problemas de um casal infeliz? Ou terão os assaltantes de bancos que perderam a mala outros planos? Uma história de avareza, traição e malas baratas.


PÁSSAROS
Filipe Abranches
Portugal, 2009, 7', p/b
Técnica: Desenho

As desventuras de uma mulher e seu filho, que julgava poder voar.

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SEMÁFORO
Adrian Flückiger
Suíça, 2008, 4'50'', cor
Técnica: Animação marionetas

A doninha Erwin vive dentro de um semáforo. O seu trabalho é verificar se a luz está correcta, todos os dias.


LAVATORY LOVESTORY
Konstantin Bronzit
Rússia, 2007, 10', cor
Técnica: Desenho

Uma solitária senhora, que trabalha a tomar conta dos lavos públicos, encontra um dia um ramo de flores dentro do seu frasco das gorjetas.



VARMINTS
Marc Craste, Inglaterra, 2009, 24', cor
Técnica: Animação 3D

Face a uma esmagadora urbanização, indiferença e imprudência, uma pequena criatura luta para preservar os restos de uma paz que ele conheceu em tempos. Os seus actos de amor altruístas plantam as sementes de mudança que serão a salvação do seu mundo. Mas a que custo para si próprio?



DIA 2 de Junho –14h – Anfiteatro 1.4 Complexo Pedagógico Penha
Programa Filmes de Estudantes Universitários


Colaboração: CIAC - UAlg
Duração total da sessão: 61'
Entrada livre


CORAÇÃO ASSOMBRADO
Winona Regan
EUA, 2009, 4'08''

Escola: Cal Arts
Música: Max Winston
Técnica: cel animation

Duas mulheres fogem para o seu próprio mundo selvagem.
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HRAS!
Blagoy Rostov
Bulgária, 2009, 4'23''

Escola: NATFA
Produção, Argumento, Animação, Compositing, Criação sonora e Montagem: Blagoy Kostov
Música: Ivan Kunchev

Num mundo de papel, alguém começa a criar conforto para si próprio, mas pouco a pouco vai ficando obcecado por fazer novos objectos, acabando por fim por destruir o mundo à sua volta.

LEBENSADER
Angela Steffen
Alemanha, 2009, 6'

Produção: Sinje Gebauer, Claudia Krüger
Argumento e Animação: Angela Steffen
Animação adicional: Conrad Tambour
Música e criação sonora: Clangoin.com
Técnica: lápis sobre papel/Digital Pro

Uma pequena rapariga encontra o mundo inteiro numa folha.

MAIS!
Fernando Antunes
Portugal, 2009, 4'30''

Escola: Universidade Católica Portuguesa
Produção e Edição: Fernando Antunes
Som: Martinho Cardoso
Design de personagens: Filipa Sousa, Francisco Rodrigues
Vozes: Fernando Antunes, Joana Barbosa
Composição Sonora: Carlos Loureiro

Mais é a história de um casal de gaivotas que escolheu para conceber as suas crias um rochedo no meio do mar.

O LAÇO
Thomas Charra, Michaël Crouzat, Kherveen Dabylall, Denis Do, Gabriel Jolly-Monge
França, 2009, 3'50''

Escola: Gobelins
Produção: Arnaud Demuynck
Técnica:animação 2D

China, no início dos anos sessenta. A população enfurecida está a perseguir um rico latifundiário. Mei é uma jovem trabalhadora que faz parte da multidão.


PRECES PARA A PAZ
Dustin Grella
EUA, 2009, 7'38''

Produção: Dusty Studio
Argumento: Dustin Grella
Som: Matt Israel
Música: Gary Millus
Montagem: Chu Chi Lin
Técnica: Desenhos animados tradicionais

A memória de um irmão mais novo morto no actual conflito no Iraque.

SONATA DE INVERNO
Yves Gutjahr
Suíça, 2009, 5'48''

Tutor: Ted Sieger
Produção: Gerd Gockell, Otto Alder, Jochen Ehmann, Lucerne University of Art and Design
Postprodução, Argumento, Animação: Yves Gutjahr
Música: Pierre Funck
Criação sonora: Philipp Sellier
Marionetas: Yves Gutjahr
Técnica: marionetas

Os quatro elementos acordam durante uma tempestade de Inverno. Uma história de amor trágica entre as forças da Natureza.

O CONTO ETERNO
Chi Cha Huang
Taiwan, 2009, 7'15''

Escola: Taiwan National University of Arts
Técnica: recortes

Era uma vez um peixe... que estava farto de se repetir a si mesmo nos mesmos espaços. Um dia, ele foge por acidente…



URSO
Moritz Mayerhofer
Alemanha, 2009, 10'

Produção: Stina McNicholas
Argumento e Animação: Moritz Mayerhofer
Animação adicional: Jonas Jarvers, Derek Roczen
Compositing: Moritz Mayerhofer
Música:Peter Gromer, Deutsches Filmorchester Babelsberg, Dirigent: Jörg Iwer

Durante muitos anos Urs cuidou da sua velha mãe. Agora, parte numa perigosa viagem: leva-a pela montanha acima para encontrar um lugar melhor para ambos. Mas a mãe não quer abandonar a sua casa...

VOL
Huseyin Bulut
Turquia, 2009, 2'20''

Produção: Huseyin Bulut
Argumento: Huseyin Bulut
Animação: Huseyin Bulut
Som: Huseyin Bulut
Montagem: Huseyin Bulut

O filme retrata o ciclo prejudicial de um homem que não tem consciência dos danos que está a causar ao ambiente ao cortar árvores da floresta para produzir papel para escrever sobre os seus sentimentos e, em seguida, os deitar para o mar para que todos os possam ler.

FILME LOBISOMEM
Noel Belknap, EUA, 2009, 3'

Escola: Cal Arts
Produção e Argumento: Noel Belknap
Animação: Noel Belknap, Marina Gardner, Zoe Moss, Gene Goldstein
Música: Robert Allaire

Um lobisomem está a ser atormentado pelos fantasmas dos homens que matou e comeu.


reminder!

hoje terminamos o ciclo Alto e Bom Som com o documentário de Steven Cantor e Mathew Galkin sobre os PIXIES. e a festa continua com o set do DJ SOLITAIRE.

noite adentro a boa música!

22h, Artistas, entrada livre.

até logo!

não é todos os dias que podemos ver um filme moçambicano e falar com o respectivo realizador! 6ªf, 18h, na UAlg, João Ribeiro.

28 de Maio, 18h, Entrada Livre

Anfiteatro 1.4 do Complexo Pedagógico - Campus da Penha.

João Ribeiro, realizador moçambicano



João Ribeiro apresentará a palestra - Os três actos do Cinema Moçambicano: Passado, Presente e Futuro.

Em seguida será exibida a curta-metragem O Olhar das Estrelas (2002), Fic., 25 mn, que faz parte de uma série de cinco adaptações cinematográficas de histórias do escritor Moçambicano Mia Couto.




As estrelas são os olhos das pessoas que morrem de amor….











João Ribeiro
Licenciou-se em Realização e Produção Cinematográfica e de Televisão na Escola Internacional de Cinema e Televisão de San António de Los Banõs (Cuba). Trabalhou para o INC (Instituto Nacional de Cinema) de Moçambique. Dirigiu várias curtas- metragens e foi director de produção em Moçambique do filme Blood Diamond de Edward Zwick. É o actual director da TIM (Televisão Independente de Moçambique).
A sua mais recente longa-metragem "O último voo do Flamingo", baseada no livro homónimo de Mia Couto, estreou na semana passada no Festival de Cannes no Pavillon de Monde e ainda em Espanha, no VII Festival de Cine Africano no passado domingo. Aqui figura na selecção oficial em competição, concorrendo aos prémios Griot de Viento, para melhor longa-metragem de ficção, Griot de Arcilla, para melhor realização, e também para os prémios de melhor interpretação masculina, feminina e especial do público.


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OU MORRO, OU FICO MELHOR - que título magnífico! belo filme de Laurence Ferreira Barbosa, hoje, 21h30, IPJ.

A tristeza na adolescência é raramente evocada com tanta sensibilidade e idiossincrasia como aquela que Laurence Ferreira Barbosa revela na história de um rapaz perdido e das suas mais recentes “conhecidas”, totalmente inconformadas. O amuado Martial (Civil) muda-se para uma nova cidade e para um novo apartamento com a mãe Sabine (Thomassin), que é compreensiva mas desequilibrada e que por vezes se esforça demais. Depois de a mãe de Martial tentar desastrosamente despoletar a vida social do rapaz, ele afunda na depressão ao mesmo tempo que lhe cresce um fascínio pelas colegas de turma, também socialmente excluídas: as gémeas Colette e Enerstine (Marine e Karine Barbosa).



À medida que a relação dos adolescentes se vai tornando numa folie à trois, os adolescentes vão caminhando de situações desajeitadas e humilhantes, para outras bem perigosas. A sensibilidade de Barbosa espelha-se num malabarismo entre a comédia, o embaraço social, e o drama psicológico numa história que – mesmo na volumosa área dos dramas dos adolescentes – se destaca como uma evocação de como é sentir-se jovem, estranho e solitário. As interpretações destes novatos da representação são notáveis. Civil e as irmãs Barbosa concedem aquele extra arrojado de hip-ness e perversidade perturbante.
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Jonathen Romney, The Times BFI London Film Festival


A história é de um adolescente obrigado a mudar de vida em consequência da separação dos seus pais. Martial (François Civil) vive num pequeno apartamento dos subúrbios com a mãe, (Florence Thomassin) que ao sentir-se asfixiada resolve abandoná-lo repentinamente e parte em viagem com o seu novo homem. De tempos a tempos, o rapaz segue o pai (Thomas Cerisola) na sua nova vida atribulada. Em vez de se deixar levar pela average girl que lhe permitiria meter-se na linha, Martial prefere envolver-se com as excluídas da turma: as gémeas. Enquanto isso, as gémeas negras supostamente mudas incluem Martial no seu jogo favorito: entrar em apartamentos burgueses na ausência dos seus proprietários, onde a mãe das duas costuma fazer as limpezas.

Ao sair do centro, Ferreira Barbosa não espera encontrar nos subúrbios maiores nuances ou a degradação psicológica, mas sim determinadas características que elevam as personagens a um registo cómico. A mãe também é tão desajeitada quanto o seu cabelo loiro possa sugerir; o pai inacessível ouve música trash metal que contrasta com a voz suave que tinha na sala, onde entoava um cântico de baleias. Lucas (Émile Berling) é o retrato do menino rico, cuja popularidade que tem no liceu deixa antever, numa visita clandestina à sua casa, que ele faz vela, tem roupa de marca e costuma filmar as suas experiências sexuais. As gémeas aventureiras Colette e Enerstine (Karine e Marine Barbosa) provam ser tão sedutoras quanto perigosas. O argumento mostra estas duas influências alternadamente, que acabam por conduzir Martial ao sexo depois do crime. Quanto às personagens secundárias, elas revelam-se em conformidade com as suas aparências: uma burguesa adverte a polícia de que uma rapariga negra invadira a casa dela…


Ferreira Barbosa não parte do subúrbio para se fechar entre os quatro muros da escola ou da cidade. A sua periferia é imaginária, um conjunto de ruas vazias, de gradeamentos e caminhos-de-ferro, de cemitérios, de rotundas, de pavilhões opulentos e lofts. Martial, deslocado do subúrbio e a um passo do clandestino, é introduzido a um mundo estranho, aberto como por magia pelas gémeas, cujas consequências só se conhecerão mais tarde nos locais de que elas têm chaves. Excluindo a coerência geográfica, Ferreira Barbosa revela-nos uma aparente ligação, em momentos de surpreendentes raccords e de rupturas radicais: logo após ter mergulhado durante 15 minutos num cenário irreal, o aparecimento da mãe das gémeas anunciando o regresso dos patrões obriga o trio a fugir, saltando uma cerca. Esta habilidade no trato e no ritmo é rara: se o meio é francês, a energia é a da comédia americana, como é americano o princípio das infracções em cascata num mundo múltiplo e estranho dentro de um subúrbio vulgar.
Daí a curiosidade do projecto: não se sabe se é um filme sobre a adolescência, sobre os subúrbios, sobre o liceu, ou sobre o divórcio. Comédia e drama, o fantástico e o realismo, a depressão e a euforia, o desejo e o desalento, todos estão ligados. Encontra-se aqui a razão pela qual Le Premier Venu de Jacques Doillon nos fez tão bem, numa maneira de harmonizar o peso do mundo nas alegrias da ficção, o cuidado da descrição social ao rigor do formalismo.


A aparição quase sobrenatural das gémeas não impede Ferreira Barbosa de progressivamente nos conduzir à intimidade das mesmas, descrevendo o jogo, a astúcia, os comportamentos e as patologias. Elas são negras, precisa-o a realizadora. Importa notar que elas provêm de uma minoria. A margem não é uma fatalidade, é uma posição intermediária a partir do qual se revisitam os meios, um retrato que nos obriga a deixar de encará-los como evidentes, a encará-los de forma a decifrar os enigmas, confrontando a sociedade a partir daquilo que a própria exclui.
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Antoine Thirion, Cahiers du Cinema


As personagens de Laurence Ferreira Barbosa, suicidários em potência, solitários inveterados que nos têm conquistado de um filme para outro, costumam viver com os pés um palmo acima da terra. Apenas um palmo, não mais do que isso: são uns revoltados discretos. Não se resignam ao quotidiano. Invariavelmente o “problema” vem de uma adolescência mal resolvida, tema caro à cineasta desde a meteórica estreia de 1993, “As Pessoas Normais Não Têm Nada de Especial”.
Desta vez, o ponto de vista é diferente. A argumento flui., mal se nota, e pela primeira vez Laurence não olha para a adolescência pelo espelho do retrovisor, mas de frente, através de Martial (François Civil, um prodígio), 16 anos, filho de pais separados. O seu encontro ocasional com duas colegas de liceu, duas gémeas africanas que se tornam suas amigas, abrem-lhe as portas da aventura.



“Ou Morro, Ou Fico Melhor” é um ritual de iniciação. Assume quer o prazer vem desse jogo, e é com toda a generosidade do mundo que se mostra permeável à comédia e a um tom de melodrama afectivo capaz de quebrar o gelo.
Francisco Ferreira, Expresso
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ENTREVISTA

Porque escolheu falar sobre a adolescência?

Ao começar a escrever, não estava a pensar fazer um filme sobre a adolescência. Quando se escreve um argumento, quer-se contar uma história, trabalhando sobre os temas que nos interessam naquele momento. A história de Ou morro, Ou fico melhor é sobre a relação de uma mãe com o seu filho, que juntos vivem uma relação de exclusividade. O tema é a emancipação do filho, e como uma mãe e um filho podem ter uma relação funcional, mesmo sofrendo de uma dependência um com o outro e, ao mesmo tempo, sentem a necessidade de se afastarem. À medida que se avança na adolescência, o modo como uma mãe deixa os filhos partir, deixando-os separarem-se, aceita-se os seus caminhos e o adolescente aceita deixar o ninho. Nesta situação, a mãe encontra-se sozinha com o filho. Ambos são seres frágeis, social e afectivamente. A questão aqui é saber como é que se vai progredir a partir daí. A Mãe e o filho apoiam-se mutuamente, só que essa aproximação exaspera-os. E a partir daí eu concentro-me no filho.

Este filme tem ainda mais em conta o ponto de vista do filho do que o da mãe…

Sim, ele é a personagem central. Eu queria encontrar adolescente, sem que ele falasse como um adolescente. Eu não mergulhei nas minhas memórias de adolescência, e nem fiz um trabalho de pesquisa sobre o que é ser adolescente. É interessante porque é uma altura ainda muito problemática, é uma passagem.
No filme, há um ponto de partida: um romance de aprendizagem. E é isso que me interessa.

Quais são as suas referências?

Para o adolescente, que às vezes é arrogante e outras vezes é inseguro, inspirei-me em À Espera do Centeio. O sentimento de superioridade e de diferença que provoca a sua exclusão na escola. A adolescência quer tudo e o seu contrário. E para a relação entre a mãe e o filho, eu pensei em Alice já não mora aqui com a introdução de um homem na vida dela que põe tudo em desordem - como é que um filho pode aceitar que a sua mãe tenha amantes?

O seu filme é muito justo, muito preciso. Foi o que inicialmente escreveu ou tomou este curso já a trabalhar com os actores?

Escolher um actor é desde logo um acto pensado. É sentir que ele vai trazer para o filme certas coisas que viram na casa dele. Por exemplo, François Civil tem um modo de andar que é peculiar, muito adolescente, e eu não pedi que trabalhasse aquele andar para o filme. A escolha dos actores é primordial, o mesmo filme com outros actores será bem diferente. Ele foi escolhido porque encontrei na casa dele coisas que eu imaginava pertencerem à personagem. Há um movimento duplo. Eu compreendo a personagem através destes actores, e espero que haja um reconhecimento do personagem através deles. Quando escolho um actor há uma parte desconhecida. Eu posso desapontar-me com a interpretação que faz de uma personagem, apesar de gostar deste lado desconhecido. Tinha várias possibilidades para a personagem da mãe e Florence Thomassin propôs-me algo quando me seduzi por ela.

É muito exigente na direcção dos actores ou há espaço para o improviso?

Não há lugar para o improviso. Uma vez escolhido o meu actor, não tenho a impressão de o ter dirigido muito. Existe uma espécie de acordo prévio com os actores, depois eu oriento-os. Dito isto, eu sou muito exigente. Eu parto de um princípio e depois, concentro-me nos detalhes. E são precisamente os detalhes que fazem a diferença. Eu sei o que eu quero, eu sou uma verdadeira picuinha.

O seu filme é muito realista e ao mesmo tempo muito estranho, quase irreal. Essa ambiguidade é voluntária?

Não, isso vem da presença das gémeas. Foram elas que trouxeram esse lado e eu fui deixando acontecer. Eu não forcei nada, deixei-as interpretar. Estava lá e foi bom, mas por mim, é tudo o que subsiste apesar de estar ancorado ao real. O lado estranho do filme reside na minha tentativa de entrar no imaginário do jogo. As gémeas e o Martial interpretam em conjunto, com um pouco de mise en scéne, os rituais. Eu tentei dar algo a este pequeno mundo que é fabricado através da interpretação. Quando eles estão no apartamento, eles escondem-se e aterrorizam à procura do perigo. E ao mesmo tempo, eles bebem. Estar-se embriagado permite que se entre nesta dimensão do jogo e da imaginação. E depois as gémeas não falam. Elas são forçosamente misteriosas. E vivem uma espécie de exclusão em benefício dos outros. Elas são como marginais, e por isso, os três partilham a solidão entre eles.


Titulo Original: Soit Je Meur, Soit Je Vais Mieux
Realização: Laurence Ferreira Barbosa
Argumento: Laurence Ferreira Barbosa, Nathalie Najem
Interpretação: Florence Thomassin, François Civil, Marine Barbosa, Carine Barbosa, Thomas Cerisola
Direcção de Fotografia: Julien Hirsch
Música: Reno Isaac
Montagem: Isabelle Poudevigne
Origem: França
Ano de Estreia: 2009
Duração: 113’
Nos próximos dias 27, 28 e 29 de Maio, vão ser exibidos em Santa Luzia 4 "importantes" documentários: Floripes, de Miguel Mendes, Praia de Monte Gordo e Praia da Lota 1989-2000, de Sofia Trincão e Óscar Clemente, e Páre, Escute e Olhe , de Jorge Pelicano. Trata-se do 1 Festival de Cinema, organizado pela Associação Almadrava.

Ver programa
aqui.

A entrada é gratuita!
Ajudem-nos a divulgar esta iniciativa!



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