Verde e amarelo a preto e branco

(Pensa a Baleia em Vidas Sêcas, de Graciliano Ramos: "Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. ... O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes.")

Durante o último mês tenho tentado preencher um vazio na retina dos meus olhos. Começava a ser um buraco demasiado largo e, no fim, arriscava cegar para tudo o que já vi. Não comecei por este, mas Vidas Sêcas, de Nelson Pereira dos Santos, é um dos filmes que com maior energia se fixou em mim. Por motivos diferentes e todos marcantes. O filme foi produzido por Luiz Carlos Barreto (LCB). Assim dito, para alguém que pouco ou nada sabia de cinema brasileiro até há, portanto, uns trinta dias, não significava nada. Mas se se quiser escolher um caminho para se adentrar na filmografia brasileira dos últimos quarenta anos, este nome levará a uma das estradas mais largas.
Além de produtor, neste filme LCB fez também a fotografia - foi como fotógrafo que começou e por aí foi também que me chamou a atenção antes de mais nada. Se não houvesse movimento naquelas imagens (em certas sequências, quase não há), o prazer que tirei de ver o filme seria idêntico ao que teria numa exposição da sua obra fotográfica, tenho a certeza. O realizador foi Nelson Pereira dos Santos, outro caminho amplo para o cinema brasileiro.
Não vejo os filmes só por ou para saber quem os fez, quem os imaginou (embora sabê-lo me ajude a homenageá-los, quando se trata de gente de olhar belo e cru). Neste, poderia não saber mais nada, deixar apenas que as imagens se fossem fixando, ajudadas pelo barulho das cigarras, contínuo e mecânico, pelo rugido seco, seco, do capim sem água por baixo dos pés mal calçados, ou do arfar da cachorra Baleia. Poderia esperar o muito tempo que se espera neste filme por alguma palavra rara (e como é estranho e bonito ver quase sem palavras um filme que se fez de um livro, cheio de tantas), esperar e amar a espera. No fim, a única coisa que me falhou compreender foi como é que, dum país que fala a mesma língua que eu, só agora começo a ver os filmes.

(Se ampliarem a imagem, lá bem no centrinho está ela, a cachorra Baleia. A olhar para a gente.)

e há ainda cinema na mina de sal gema

a começar dia 29 de setembro com o seguinte programa:

Dia 29 Setembro
CABINE TELEFÓNICA, Joel Schumacher, EUA, 2002, 81’

Dia 6 Outubro
SALA DE PÂNICO, de David Fincher, EUA, 2002, 112’

Dia 13 Outubro
UNDERGROUND – ERA UMA VEZ UM PAÍS, de Emir Kusturica, Sérvia, 1995, 167’

Dia 20 Outubro
A NOITE DOS MORTOS VIVOS, de George Romero, EUA, 1968, 96’

Projecção de 4 filmes divididos em 4 matinés numa das galerias da mina a 230 metros de profundidade, sob a temática da “clausura”. A exibição dos filmes será inteiramente gratuita, mas limitada a um total de 40 inscrições por sessão.

Para formalizar a sua inscrição deverá contactar a Casa da Cultura de Loulé através da morada de e-mail ccloule@iol.pt indicando a sessão pretendida, o nome e o contacto telefónico; a falta de qualquer destes itens poderá inviabilizar a inscrição.

Todas as sessões decorrem aos Sábados e todos os espectadores terão que estar junto às instalações da Mina de Sal Gema (Rua Quinta de Betunes) às 15 horas.


a organização é dos nossos colegas da casa da cultura de loulé (como se vê) e nossa (quanto ao ciclo) e tem, naturalmente, a colaboração da cuf.

cinema nos subterrâneos nunca tinhamos dado!! o ccf é assim: leva-nos às alturas até debaixo de terra...

we're back! (actualizado no dia 17)

como se nota pela musiquinha ao lado!

cheios de força por essa galáxia adiante!

a ver se encontramos algures nela o subsídio da câmara que nos permitirá sobreviver!

no entrementes, arranjamos óptima programação muuuuuuuito baratinha!

(oh inclemência!, oh martírio!)

se repararem, são 9 sessões entre dias 19 e 3 de outubro e só uma é paga. ah gente generosa que somos nós, hein???

(facto que ciclo-ciclo nosso é só um mini-um, os outros dois são colaborações)


SETEMBRO 2007

CICLO PARA SEMPRE

Cinatrium, Sala 2

Dia 19, 18h, entrada livre
CENAS DA VIDA CONJUGAL, Ingmar Bergman, Suécia, 1973, 167’

Dia 19, 22h, entrada livre
SARABAND, Ingmar Bergman, Suécia, 2005, 120’

Dia 26, 22h, ENTRADA PAGA QUE SOMOS UNS EXPLORADORES
PROFISSÃO: REPÓRTER, Michelangelo Antonioni, Itália, 1975, 126’



CICLO SERRALVES - CINEMA CONTEMPORÂNEO

Teatro Lethes, 22h, entrada livre

Dia 22
KITSUNE (O ESPÍRITO DA RAPOSA), João Penalva, 2001, projecção de vídeo, cor, som, 55'28'' - em duas versões (português e inglês), num total de 2 horas de sessão (aprox.)

Dia 23
A STUDY OF THE RELATIONSHIP BETWEEN INNER AND OUTERSPACE, David Lamelas, 1969, 16mm, p/b, som, 24'
WAVELENGHT, Michael Snow , 1967, 16 mm, cor, som óptico, 45'
SPIRAL JETTY, Robert Smithson, 1970, 16mm, cor, som, 35
'

Organização: Museu de Serralves / Câmara Municipal de Faro


CICLO SEMANA DO MAR

Cinatrium, entrada livre

Dia 27, 18h45
A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS, Isabel Coixet, Espanha, 2005, 115'

Dia 29, 18h45
O VELHO E O MAR, Alexander Petrov, Rússia, 1999, 22', animação
PRAIA DA LOTA, Sofia Trincão e Óscar Clemente, Portugal/Espanha, 2001, 30', documentário, com a presença da realizadora

Dia 30, 16h
O PIRATA DAS CARAÍBAS: A MALDIÇÃO DE BLACK PEARL, Gore Verbinski, EUA, 2003, 143’

Dia 1, 18h45
MARIA DO MAR, Leitão de Barros, Portugal, 1930, 70’ filme mudo musicado

Organização: Universidade do Algarve

(tanta trabalheira pro site, tanta trabalheira pra barrinha ao lado! oh inclemência, oh martírio!!)


ah! e ainda sendo que

estamos também a colaborar com a câmara municipal de são brás (continuamos, melhor dizendo) nas sessões de cinema que eles promovem, também com entrada grátis, no cine-teatro local, aos domingos pelas 16h30.

Começa amanhã, dia 16, o ciclo Irmãos Marx, com Animal Crackers, por Breton (foi ele, não foi Mirian?) considerado um primor do cinema surrealista. Imperdível! Veja a programação aqui.

Toca a acordar! (Ou, onde é que andamos?)


Louis Skorecki, entrevistado na Les Inrockuptibles, responde assim a uma pergunta que, desde logo, pede que se discuta:

- Pourquoi les films sont de moins en moins bons selon toi ?
- Les cinéastes font les films que les gens attendent d’eux. Donc si les films sont mauvais c’est que les cinéphiles sont mauvais. Ça c’est un truc que j’ai mis quarante ans à pouvoir dire sous une forme aussi simple. Je le crois profondément : les films sont mauvais si les spectateurs sont mauvais. Je me souviens d’une projection d’un film de ce type qui a fait un film un peu à la mode sur deux junkies, c’était adapté de Selby… Darren Aronofsky ! J’avais vu ça au MK2 Quai de seine. Dans la salle, il y avait cinquante couples et c’était cinquante fois le même. Comment veux-tu faire un bon film après ça ! C’est très facile de voir des films aujourd’hui. Autour de moi, il y a des gens qui ont à peu près le même salaire, qui disent ne pas acheter le câble parce que c’est cher. Mais ils vont voir des nouveautés au cinéma, mangent au restaurant, généralement des trucs dégueulasses. Ce sont ces gens qui font que les films sont mauvais. Moi je vois de moins en moins de films au cinéma, j’en vois un ou deux ou trois par an. Et je ne me force pas à ne pas en voir. Mais même chez moi, je ne regarde pas de DVD. A la télé je préfère le direct, la téléréalité, les séries aussi. Même si les séries m’intéressent aussi moins qu’avant, ça reste quand même plus vivant que le cinéma.

Da poesia de Fellini

(ontem me chegou pelo correio um livro do qual ainda não consegui me separar. É de um escritor brasileiro chamado Mario Quintana (1906-1994). Ele tece comentários um pouco sobre tudo em seu Caderno H: livro de poesia? de crônicas? de aforismos? De tudo, talvez. E nele encontrei este texto sobre Fellini e não resisti a transcrevê-lo num post.)

"Sei de pessoas que julgaram artificial o 8 1/2, de Fellini, essa obra-prima do barroquismo. Elas é que devem ser artificiais, porque nossa alma é assim como ali está, com suas idades sucessivas convivendo, o acontecido e o imaginado tendo ambos o mesmo poder traumático e o mesmo pé de realidade. Parece-te que estou a falar de poesia?
(...) Na poesia há muito já acontecia assim, como na montagem de imagens aparentemente heteróclitas e anacrônicas de Salomé de Apollinaire e que, no entanto, serviam para formar a atmosfera dançante, luxuosa, versátil e aérea daquele poema. E foi preciso quase cem anos para que o cinema, como no 8 1/2 de Fellini, se integrasse também na poesia. Em resumo: não o desprezo da lógica, mas a aceitação da lógica imagista - e que, como todo modernismo, é tão velho como o mundo, porque usa apenas a linguagem dos sonhos e das histórias de fadas."

Get me a ticket to...

Moscovo, Paris, Londres, Turim, Tânger, Madrid, Nova Iorque, what the heck!... Desde que possa sentar-me num cinema, de frente para um écran gigantesco, e veja filmes de acção como este, tanto se me dá. The Bourne Ultimatum tem apenas dois defeitos, e nem sequer são narrativos. Há ali um bocadinho em que descamba para o lamechas, quando o tipinho, depois de descobrir que é matador a soldo, e tal, confronta outro que o vinha assassinar, com o esperado "já pensaste bem no que nos transformaram?" Bullshit, era escusado. O outro é a cena final, dentro de água, mas não adianto. Está mal, full stop. De resto, venham mais quatrocentos e quinze ultimatos, saltos de janelas com vidros partidos, tiros de carros em andamento, apartamentos destruídos pelos polícias, mesas de café insuspeitas e gares perfeitas, cheias e anonimáveis, mortos por inabilidade e inanidades afins. Muitos, muitos mais filmes noir do nosso tempo, sem fito ou intuito, só rostos perdidos nos cenários urbanos. Perdidos por dentro.

Ensinar com técnicas de imagem animada (prendinha para todos os professores)

Trata-se de um Guia acessível na internet, ainda em língua inglesa, feito para professores, de modo a permitir a exploração e apropriação das especificidades tecnológicas e comunicativas das técnicas de imagem animada e a sua utilização na sala de aula.
Está disponível em Guia e tem sete partes: ‘Welcome’, ‘Start’, ‘How to teach’, ‘Make a movie’, ‘Technical set-up’, ‘Techniques e ‘History’.
O professor poderá encontrar informações para, passo a passo, ensinar usando a metodologia necessária à produção de um filme de animação com a ajuda de computadores e câmaras vídeo: como criar uma história, como estruturar um guião, como animar usando técnicas diferentes e como fazer a edição final. Existem instruções para a instalação do equipamento mínimo necessário, escolher as aplicações informáticas mais adequadas entre as disponíveis (em 'open source', isto é, grátis na internet ou de raiz no seu computador) e como gravar e usar uma banda sonora. Poderá consultar, ainda, uma introdução breve à História da Animação. Encontrará, sobretudo, exemplos de planificações de processos pedagógicos elaboradas sobre a exploração destes aspectos.
Este Guia é o resultado de um trabalho de investigação realizado - entre Outubro de 2005 e Agosto de 2007 - por um grupo de especialistas europeus provenientes das seguintes instituições: The University of the West of England, Bristol (Reino Unido); Ciclope Filmes, Porto (Portugal); 9Zeros, Barcelona (Espanha); Kinobuss, Tallinn, (Estónia); School of Education, University of Aarhus, Copenhagen (Dinamarca); e coordenado pelo Animation Workshop, CVU Midt-Vest (Dinamarca).
O projecto foi financiado pela Comunidade Europeia através do programa Leonardo Da Vinci.

Esta imagem faz parte do pequeno filme que resultou do 2º teste do Guia, efectuado em Outubro de 2006, com a Professora Maria José Ramalho e as 20 crianças que, com ela, frequentaram o 1º ano do 1º ciclo do ensino básico da Escola do Alto de Rodes, em Faro, assistidas pela aluna Inês Mendes da Escola Superior de Educação.

Raridades

Há uns dias atrás, um amigo enviou-me o endereço url de um site onde poderiam ser vistos vídeos raros: www.bibi.vlog.br/
Explorei-o e descobri um filme que só vi uma vez e há muitos, muitos anos: L'Idée (1930-32, 26') de Berthold Bartosch (www.bibi.vlog.br/archive/2007/06/lidee.html ).

Trata-se de uma média metragem realizada com técnicas de animação e o tema é iluminista: o da liberdade de expressão como valor supremo e frágil, personificado na figurinha de uma mulher nua: a Ideia.
Consta que foi o primeiro filme a usar um instrumento musical electrónico na sua banda sonora: o Ondes Martenot.
Bartosch, nascido checo e falante de alemão austríaco, realizou-a em Paris sobre xilogravuras do belga Frans Masereel, publicadas em livro com o mesmo título do filme e prefácio de Herman Hesse. Com excepção dos conceitos gráficos e música (de Arthur Honegger), tudo no filme pertence a Bartosch: movimento, iluminação, conceitos de espaço e técnicas de animação. O autor usou camadas sobrepostas de vidro (até 4), iluminadas por debaixo, nas quais dispôs silhuetas recortadas em cartão e papel translúcido. A junção e articulação das partes que compõem as silhuetas foi realizada com sabão (no fim da vida, Bartosch comentava a Claire Parker, mulher de Alexeieff, outro realizador importante, que com sabão se podia fazer quase tudo!). O sabão também foi usado para produzir o halo de luz que se vê nas imagens. Esta é a técnica para os grafismos a negro. Para os grafismos a branco a técnica usada foi a da sobre-exposição (até 18 passagens). Esta também foi usada nos casos de multidões a passar transversalmente em relação ao plano da imagem.
Bartosch fez parte da equipa que trabalhou com Lotte Reiniger em dois dos seus filmes: O Ornamento do Coração Enamorado (1919) e As Aventuras do Príncipe Ahmed (1923-26, 81' a 18i/seg) a primeira longa-metragem de que há memória.

Que saiba, apenas existe à venda uma versão VHS deste filme em www.moviemail-online.co.uk/

(imagem disponível em MovieMail)




Algumas destas informações constam em Russett, R., Starr, C. (1976). Experimental Animation, Origins of a New Art. New York: Da Capo Press, Inc., pp.83-89.

Este site não tem só animações. Convido-vos a explorá-lo.
Marina Estela Graça

Festival Internacional de Vídeo do Algarve 2007-Premiados


FESTIVAL INTERNACIONAL DE VÍDEO DO ALGARVE 2007
VISIONAMENTO DOS FILMES SELECCIONADOS
AUDITÓRIO DA ESCOLA SECUNDÁRIA DE SILVES 16 JUNHO 2007
Foi no passado dia 16 de junho de 2007 que decorreu a exibiçaõ e entrega dos prémios aos filmes seleccionados pelo Racal Clube de Silves que organiza este festival internacional de vídeo do algarve.
Aqui fica a lista dos premiados:
"Almas de uma terra"-Realização: Vitor Salvador-Portugal- (tema livre) 17m - 1ºlugar ex-aquo- Troféu Governo civil de Faro+Medalha Psa ouro+câmara de vídeo
"Entre a rocha e o mar"-Realização:Ana Filipa-Portugal-(documentário) 20m- 1ºlugar troféu governo civil de faro+prémio aluno de uma escola secundária+máquina fotográfica digital
"Do outro lado da linha"-Realização:Vitor Salvador-Portugal(tema livre) 17m-2ºlugar troféu governo civil de faro+medalha psa prata
"A Sombra"-Realização:Vitor S.Moreira da Costa-Portugal(ficção) 6m-3ºlugar troféu gverno civil de faro+medalha psa bronze+prémio juventude+máquina fotográfica digital
"The Packet"-Realização:Anthony Agius-Malta(tema livre) 8m -4ºlugar ex-aequo-menção honrosa
"Assalto"-Realização:Rui Canizes-Portugal(ficção) 13m- 4º lugar ex-aequo - menção honrosa
"Urbano"-Realização: Hernâni Duarte Maria (livre-experimental) 3m - 5º lugar ex-aequo-menção honrosa
" Desiste! " -Realização: Hernâni Duarte Maria(ficção) 5m- 5ºlugar ex-aequo -menção honrosa
"LUV"-Realização:Hernâni Duarte Maria(ficção)8m- 5ºlugaro ex-aequo-menção honrosa
É de louvar a iniciativa do racal clube abrindo os horizontes da 7ª arte aos novos talentos nacionais e incutir a nivel regional a paixão pelo cinema.Da parte que me toca estarei sempre atento e se estiver realmente com uma nova curta metragem participarei.Hernâni Duarte Maria (realizador)

Oiço vozes...

(Foto: Olivier Roller)

Em conversa com o Hugo Ramos Alves, compararam-se João César Monteiro e Luiz Pacheco. De estilo próximo, incorrigíveis e sem serem para corrigir, cáusticos e maravilhados com o poder da sua acidez, ambos foram (o Pacheco está vivo, não me entendam mal) enraivecidos, lindos, a bardamerdar tudo e todos, centrados apenas nas suas dores de viver. Ambos fizeram (não me entendam mal, o dos livros ainda vive) das quotidianas mazelas de terra e ar, de corpo e espírito, obra visível, partilhada, oferecida. Serão sempre, os dois, marginais (porque sim!) e encantatórios. Mas têm uma diferença inultrapassável. Não que os traga de compita, nem que a algum deles isso desse grande abalo. Mas, chegando às vozes, não há como a do Monteiro, que lhe está assim como aqueles olhos (e, do lado contrário, o Pacheco tem garrafais lentes para uma voz de igual modo garrafal), clara, lenta, direita ao ouvido sem precisar de ajustes. Se calhar é por isso que, quando vejo os filmes em que Monteiro entra como actor penso que todas as coisas, incluindo as feias, são as mais belas do mundo. Ler Pacheco, pelo contrário, faz-me canalizar a boa raiva. Eu contra ninguém, que é como mais gosto.


"PRAIA DE MONTE GORDO"

De Sofia Trincão e Óscar Clemente; betacam / 30' / 2006 / Portugal / Espanha

Para quem não viu, vale a pena lembrar que este filme vai ser transmitido Domingo, dia 26, cerca das 20.45 (depois dos Simpsons) no Programa Bombordo da RTP2 (se esta não se arrepender nem mudar de ideias) e, já agora, referir que o mesmo já participou em vários festivais internacionais de cinema, tendo ganho quatro prémios diferentes, com destaque para o Prémio do Público no último Documenta Madrid.
“Praia de Monte Gordo” é o segundo documentário da série de cinco, intitulada “BARCOS DO ALGARVE – UM LITORAL EM MUDANÇA”. O primeiro foi o “PRAIA DA LOTA 1989-2000” que foi também exibido no Programa Bombordo da RTP 2 e participou em alguns festivais internacionais.
Este documentário, de Sofia Trincão e Óscar Clemente, rodado entre 2005 e 2006, foi produzido pela ADRIP - Associação de Defesa do Património Natural e Cultural de Cacela, em conjunto com Labalanza PC, produtora de audiovisuais de Sevilha e teve o apoio a Câmara Municipal de Vila Real de Stº António e o patrocínio do “ Hotel Baía de Monte Gordo” , “ Dunamar Hotel Apartamentos” e “Restaurante O Tapas”. Que eu saiba, não teve quaisquer apoios das entidades cinematográficas nacionais oficiais (e outras coisas acabadas em ais) com tal desígnio.

Curiosidades (II)

Também o Luís Miguel Oliveira incita à listagem, sugerindo que o tema seja actores [ou actrizes] com as performances mais impressionantes. Ide, ide :)

Curiosidades

Lauro António criou um blogue onde convida a expor as escolhas fílmicas (limitadas a dez) de cada um. Está aqui. Não é uma ideia muito original, mas entretém sempre.

cineclubando com o carteiro de pablo neruda

um admirável filme banal, by the way.

(estava farta de não ter ali música original composta para um filme)

faça sugestões sobre filmes a exibir no CCF nesta caixa de comentários. quer?

Filmes de estreia comercial. Recentes (menos de 3 anos).
De preferência, que não tenham 'passado' nas salas comerciais de cinema de Faro.
E que nós não tenhamos já exibido, claro.
Que tal?

O divertido (o nostálgico) absurdo

No início de Moulin Rouge, de Baz Luhrman, há um plano sobre a cidade de Paris. É vertiginoso, panorâmico e em travelling bruto. Mostra a cidade (em "1900") estendida, alargada desde a torre Eiffel até um dos portões do Inferno de Montmartre. É uma imagem digitalizada, uma Paris irreal feita de postais antigos e placas gráficas do século XXI. Entre estes dois tempos, numa das inúmeras "idades médias" do cinema, Paris foi vista ainda noutro esplendor - o da cárie de Les Halles, na câmara alucinada de Marco Ferreri, num filme em que até o título é um delírio, Non Toccare la Dama Bianca. Dois ventres esburacados no centro da cidade, lado a lado, estão abertos aos olhos de banqueiros oitocentistas e de sociólogos de t-shirts universitárias, em digestão problemática das ossadas dos anos 60 e 70 do século XX (Confuso? Nem por sombras!...). Estes ventres maravilharam um espírito reguila o suficiente para dizer em voz (e caixa de produtora) bem alta "isto agora era a terra dos filmes e a gente brincava aqui aos índios e aos cowboys, sim?". Louco, sem nenhum adulto por perto que lhe dissesse "Ganhe juízo!", Ferreri chamou os amigos para brincar. Tudo louco. And yet... A maneira dedicada como responderam ao seu repto (que diz da amizade, da disponibilidade, mas também de uma época menos calculista, talvez, ainda pré-SIDA e pré- todos os moralismos e guias de carreira fílmica que se haveriam de seguir - daí a nostalgia) esses outros putos de rua (Mastroianni, Deneuve, Piccoli, Noiret, Tognazzi, Cuny, Reggiani, Bettoia, Villaggio,...) demonstra como levaram a sério a brincadeira. Mastroianni, por exemplo, é desde o início um dos pilares que resgatam Non Toccare... do rótulo indiferente de filme datado, de desvario colectivo. Pouco mais, aliás, no filme o consegue - essa teimosia de ocupar um lugar vago com a ideia de uma brincadeira; e a panorâmica final da cidade, desde o fundo das duas crateras de Les Halles, até ao fim, em que quase toda a Paris, poeirenta e castanha, feia e sem photoshop, já coube na câmara de Ferreri.

Mortes

Já muito se escreveu aqui sobre as mortes de Bergman e Antonioni e não pretendo acrescentar mais nada sobre isso. Quero apenas escrever duas linhas para assinalar a morte mais discreta de Edward Yang, cineasta de Taiwan, realizador dos admiráveis A Bright Summer Day (1991) e Yi-Yi (2000). Edward Yang morreu no dia 29 de Junho aos 59 anos.

Yi-Yi (2000)- Edward Yang

Águas Mil


A minha ausência da blogosfera deveu-se à rodagem do filme Águas Mil, segunda longa metragem de Ivo Ferreira. A rodagem durou 6 semanas e meia e decorreu no Alentejo, em Espanha na zona de Almeria, em Vila Real de Santo António, na Costa da Caparica e em Lisboa. São actores Gonçalo Waddington, Joana Seixas, Lídia Franco, Adelaide João, Cândido Ferreira e Hugo Tourita. A estreia está prevista para Abril de 2008.


há muito muito tempo...

... era este blog uma criança
que brincava no baloiço e ao pião...

um comentador - F. - disponibilizou em ficheiro partilhado pelo rapidshare a musiquinha ao lado, por sua vez sugerida por outro comentador - Miguel - a propósito de um post de um residente nesta casa - Rf.

(isto parece linguagem criptada)

bato no peito em acto de contrição, só ontem me lembrei. e tinha sido há um mês...

ali ao lado, Kool Thing dos Sonic Youth, freneticamente dançado em Simple Men de Hal Hartley.

(e tudo isto a propósito de Godard, veja-se como são as coisas por aqui)

irresistível dizer que...



... o temos na nossa dvdteca. mas nunca o exibimos. fá-lo-emos, com certeza. assim que estiver disponível no circuito comercial onde agora estreou. até porque esta versão de Torre Bela, uma das múltiplas montagens que Thomas Harlan dela fez, tem mais 20 minutos do que a que o Público lançou em dvd há uns anos atrás.

enfim, boas notícias.

foto encontrada aqui

Alpha Dog

Título Original: Alpha Dog
Tempo de Duração: 117 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: http://www.alphadogmovie.com/
Distribuição: Universal Pictures / Imagem Filmes
Direção: Nick Cassavetes
Roteiro: Nick Cassavetes
Produção: Sidney Kimmel e Chuck Pacheco
Música: Aaron Zigman
Fotografia: Robert Fraisse
Direção de Arte: Alan Petherick
Edição: Alan Heim

Meio desavisada, saira de casa para ver uma comédia com a Pfeiffer, acabei entrando para ver o filme do filho do John Cassavetes. E saí rendida. Sem nada ter de genial ou grandioso, mesmo em termos de estrutura, tem o toque do pai na direção de actores: seguro, mas quase como se ali não estivesse. Tem também os planos que se deixam ficar no rosto das personagens e que, sem serem claustrofóbicos, re-dimensionam o seu papel no ecrã. Tornando-os gigantes para, logo de seguida, esmagá-los como se nada fosse. Estão ali desarmados, a dizer coisas, a fazer coisas que, aparentemente, não tem qualquer consequência. Poderia estar a acontecer ali, na mesa ao lado da nossa enquanto estamos a espera que o garçon nos venha servir. Nenhum diálogo tem a profundidade necessária para que possamos levá-los a sério. A princípio parece um emaranhado de clichés e esteriótipos. Mas depois, já completamente tomados pelo filme, o menor fragmento de discurso se torna algo maior: participa da trama que, invariavelmente, nos conduz ao fim já prometido pela forma como começa o filme. Já sabemos o que nos espera. E é mentira. Nada do que a estrutura do filme indicia, nenhum aviso que ela possa nos dar, prepara-nos para o final, prepara-nos para o monólogo de uma Stone envelhecida entre a lucidez e o desespero: se Deus tem um plano para mim, que desça agora e me venha mostrar. E parece que ele não tem. Nem para ela nem para nenhum de nós. É um filme duro. Hopeless. Mas necessário e corrosivo qb.

roubando, por uma boa causa (e não é roubo, está identificada a fonte)

João Lopes em Sound + Vision - A imprensa de todo o mundo reflectiu sobre o desaparecimento de Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, dando particular ênfase aos seus efeitos sobre o trabalho de outros cineastas e o cinema em geral. Aqui ficam algumas pistas para artigos que, da notícia ao testemunho pessoal, nos dão conta do génio multifacetado de dois mestres: (clique para continuar a ler)

juke box - antonioni - música - arquivos

Ok. Já está. Jerry Garcia evocando Antonioni em 'cineclubando', e o Bach "Bergman" foi acrescentado ao 'arquivo musical'.

Tudo perfeitinho.

:-(

[:-( por estas entradas terem sido pelos motivos que foram]

Já agora: sabem que é Thomas Newman? Não?

Eu também não sabia até ter ido verificar a ficha técnica de 'O Bom Alemão'. É o compositor da banda sonora. E é o responsável por quase-quase-quase ter conseguido arruinar um filme inteiro.

Isto a propósito, claro está, de música de filmes, de música para cinema. De como bergman ou antonioni (e... e.... e.... e....) a sabiam escolher e introduzir, e outros tontos, como soderbergh, NÃO!

(grrrrrrrr)

Finalmente, tonta também eu: indicando locais do nosso site onde bergman se encontra e não fazendo o mesmo para antonioni?!?

para filmes exibidos por nós, clicar aqui, e escrever Antonioni no Campo "Realizador" (mesmo assim, a lista está incompleta)

já agora, livros de e/ou sobre que temos na nossa biblioteca (escrever Antonioni no campo "Nome do Realizador")

e, por último (também uma lista incompleta), os filmes que temos em vhs/dvd (de novo, escrever Antonioni no campo "Realizador")


[explicação extra: estas listas estão incompletas porque a actualização das bases de dados é um serviço que pagamos à parte ao nosso webmaster, e dinheiro é algo que - DEFINITIVAMENTE!! - não abunda por estas bandas]

As Irmãs de Gion” e “O Conto dos Crisântemos Tardios”, de Misoguchi

Foi editada recentemente uma caixa com dois filmes de Kenji Misoguchi: “As Irmãs de Gion” e “O Conto dos Crisântemos Tardios”, respectivamente de 1936 e 1939. Antes, tinha saído uma outra caixa com dois outros filmes do mesmo realizador, “A Espada de Bijomaru” e “Cinco Mulheres em torno de Utumaro” todos eles distribuídos pela Prisvideo (apesar de estes virem sem extras, não posso deixar de me congratular pela existência do DVD). Relativamente aos dois primeiros, poderia destacar as questões de enquadramento, os travellings, as panorâmicas. Há ainda algumas coincidências, como o facto de os dois filmes terminarem com duas personagens vítimas de acidente ou de uma doença fatal. Muito haverá a dizer sobre a condição da ‘mulher misoguchiana’.

No entanto, o que me prendeu mais a atenção, sobretudo nestes dois filmes, foi o questionar das tradições. No primeiro caso, a mana Ukemichi, a gueixa contestatária insurge-se contra a submissão da mana Omocha. O filme termina com a sublime declaração: “Porque é que existem gueixas neste mundo? Têm mesmo de existir? Isso está errado. Está completamente errado. Eu queria… Eu queria que elas nunca tivessem existido!” Estamos em 1936, no Japão…

No outro filme, Kikunosuke o aprendiz de actor de kabuki, filho de um actor famoso, aproxima-se demais de Otoku, uma criada (ama do irmão). Pelo facto de ser sincera quanto ao talento do jovem patrão, mas, sobretudo, por ser vista com ele, sozinhos em casa, foi despedida: “Há rumores e isso é mau. Por isso estás despedida” diz-lhe a dona da casa. Contra a vontade do pai e arriscando a sua carreira, Kikunosuke vai viver com Otoku, sujeitando-se a inúmeras dificuldades. Feito em 1939, o filme retrata a sociedade japonesa do final do século XIX, em Tóquio.

Mizoguchi põe em questão os valores tradicionais, numa época conturbada, em vésperas de uma guerra em que o Japão sairia com muitas feridas. Quando me foquei nestas declarações, não pude deixar de reparar como esta mensagem não podia ser mais actual.
Porque é que as coisas têm que ser assim?! Há que ter cuidado com os rumores…

Mundo Cão


Os MUNDO CAO são um projecto rock (dito de forma abrangente e descomplexada sem a procura de rotulos tao em voga hoje em dia). A imagem e o reconhecimento dos musicos junto dos mais atentos observadores do mundo da musica portuguesa e ja um capital inalienavel. As cara conhecidas da sociedade juntam-se as caras reconhecidas por um publico fiel a... boa musica...
Pedro Laginha colaborara ja com os Mao Morta de Miguel Pedro, no clip de "Cao da Morte" e posteriormente em alguns temas do ultimo album dos mesmos ("Gumes" com Adolfo Luxuria Canibal, e coros em "Estilo" e "Vertigem"). Dessas, muito positivas, colaboracoes, sobressai a disposicao de se fazer "algo mais"...O esboço dos Mundo Cao nascia muito provavelmente por esta altura...

Mundo Cão é um projecto que reúne um conjunto de elementos bem conhecidos do panorama musical português e não só.
Pedro Laginha, mais conhecido como actor, é o vocalista da banda; Miguel Pedro é um dos membros fundadores dos Mão Morta e baterista dos Mundo Cão; Vasco Vaz, companheiro de Miguel nos Mão Morta e guitarrista; Budda foi guitarrista dos Big Fat Mamma e por fim o elemento menos conhecido, Duarte Nuno no baixo.
Mundo Cão é uma banda de Rock cantada em português, sem procurar qualquer tipo de rótulos.
Apreciem e desfrutem deixo-vos aqui o link para o videoclip http://br.youtube.com/watch?v=ajDUGUqq_Go
Quem quiser adquirir o albúm digam algo , já o tenho!!!!
Bom rock e em português!!!!

IMAGO FILM FESTIVAL- CLIX MICROMOVIES


Encontra-se online a competição de curtas metragens englobadas no festival imago film festival.
Passem pelo site e apreciem alguns novos valores do futuro cinema português.
tenho duas curtas experimentais a concurso Walking e Urbano.

Explosão de confusões


(Blow-Up)

Ontem, no Jornal da 2:, a evocação de Antonioni (creio que escrita e lida por Rui Lagartinho, mas a minha memória é traiçoeira) foi ilustrada por imagens de três filmes: enquanto falava sobre L'Avventura, lá se via a Monica Vitti; Jeanne Moreau e Marcello Mastroianni conversavam sob as palavras do locutor acerca de La Notte. Mas, ao dizer Blow-Up, o écran mostrou a explosão silenciosa do final de Zabriskie Point e, sobre este, nem uma palavra; à explosão seguiu-se um bocadinho da sequência da partida de ténis, essa sim, do Blow-Up. Fiquei sem saber se o locutor saberia que o que blows up na cena mostrada não é do filme com explosão no título. Mas fiquei com a certeza de que quem não conhecesse a obra de Antonioni e visse aquele "apontamento de reportagem" ficaria a pensar que a casa a explodir é de um filme chamado Blow-Up. E isso não está muito bem. Vão lá ver o finalzinho do filme, para acabar com as dúvidas (e limpar olhos e ouvidos, se bem que para tal terão de fingir que não está lá o "So Young" de Roy Orbison*).

*Ao que parece, terá sido a produtora que incluiu o tema, à revelia do realizador, já depois de Antonioni ter entregue o filme termindao: "I didn't know anything about that song," says [Harrison] Hall, "until I went to one of the first actual public showings of the film, at a theater in Westwood in Los Angeles. At the end of the movie, we had the explosion music, which I thought was quite effective. Then, all of a sudden, there was a freeze frame - I went 'What the Hell?' - and this droning sound [began coming out] of the speakers. I love Roy Orbison. But my God, it's a horrible song." (Daqui.)

(Zabriskie Point)

O Silêncio.

Quantas vezes e de quantas maneiras quis escrever sobre coisas que vi de Antonioni? Quantas vezes escrevi pedaços de coisas sobre sensações que vi sentir por Antonioni? Lembro-me, com certeza, de memória, de frases escritas, de dois textos-ideia diferentes e de mais uma carta/novela sobre uma ida ao cinema com uma amiga italiana em Lisboa – Profissão Repórter.

Textos que nunca acabei por tanto neles querer dizer e encontrar coisas que ilustrassem e sublinhassem o que os filmes e os escritos de Antonioni evocaram.

Lembro-me de, uma noite, em Milão, certa vez, ter-me dado a ver La Notte Gabriele Basilico, um homem de olhar imenso que guarda com fulgorosa serenidade a vida dos lugares que fotografa. Vimos o filme, embalados pela conversa à volta de Antonioni e saímos, na noite, à sua procura em dois edifícios de tijolo, estilo "liberty" numa zona no centro. Foi como poder dar a mão a um actor nos bastidores de um teatro no final de uma representação. A luz dessa noite fez aumentar o encanto do passeio e toda a Milão pareceu entrar nesse profundo silêncio que envolve os filmes de Antonioni, um silêncio que é também espaço suspenso, um silêncio que Antonioni iluminou descobrindo mil faces. O silêncio do momento de um eclipse (L'Eclisse), o silêncio contido de uma explosão (Zabriskie Point), o silêncio de um vulto escondido nos sais de prata de uma fotografia (Blow Up).

Mas o mais material dos silêncios, que fez construir a passagem para um lugar estranho, fora do filme e fora do espaço da sala de cinema foi o silêncio das vozes altas, crú e demorado, ensurdecedor, dos gritos dos estudantes numa assembleia para uma manifestação em Zabriskie Point e dos ecos dos gritos romanos dos correctores de bolsa, alternados com o som abafado do interior de uma cabine telefónica, em L'Eclisse. Foi esse o som que sempre me marcou nos seus filmes, o som do vazio dos movimentos frenéticos de uma coisa indistinta – de uma moltitudine de pessoas e barulho, transformadas em paisagem distante e silêncio.

(por que é que sinto tal buraco no meio do peito?)

«Nem Harriet Andersson, nem Liv Ullmann, nem Bibi Anderson, nem Erland Josephson - nem ninguém - vão voltar a receber telefonemas de duas horas. Há uma espécie de família que perdeu a sua espécie de patriarca.»
Luís Miguel Oliveira, Público, 31.07.2007





EIA!!! (melhor que o pretexto tivesse sido outro, mas...)

até já estamos no Público!!





e o seu a seu dono: FOI ESCRITO PELA ANA SOARES!

(dia 30)

O Deserto (Ou: Cinema Negro)


Antonioni enganou-se: era para se ter tornado em devorador da morte, ao mesmo tempo que os seus filmes nisso se transformavam. Ou não. Talvez ele tivesse acabado consigo mesmo quando sujeitou à erosão mais dispersiva as imagens do deserto de Death Valley. Não satisfeito com a explosão de uma vivenda de luxo, tinha ainda feito inçar de amantes e amores as dunas embriagadas do ponto de Zabriskie.
(Anabela, fáfavor de deixar a correr aqui ao ladinho uma guitarrada de Jerry Garcia, qualquer uma das muitas que se ouvem neste filme. Agradecida.)


oh... (bolas!!) :-(

addio, signore antonioni.


(consigo aprendi a solidão. cineasta da incomunicabilidade? não: entendemo-nos tão bem, sr. antonioni. nessa solidão que é a de cada qual.)

(tanto que me deu. tanto. de tudo, difícil escolher. este, porventura. poesia feita vento nas árvores. o senhor sabia tanto, sr. antonioni. sabia tanto...)


Blow-Up, 1966

10 anos... já!!

Centro de Ciência Viva do Algarve.

Colaborámos diversas vezes.

Com todo o prazer, também nestas comemorações do 10º aniversário.

Sempre às 21h, sempre de entrada livre, sempre no Jardim do Centro de Ciência Viva.


Os filmes são muitA bons. Ficam os trailers:

Dia 3, GENESIS, de Claude Nuridsany e Marie Pérennou.

Dia 4, KOYAANISQATSI - LIFE OUT OF BALANCE, de Godfrey Reggio.

Dia 5, UMA VERDADE INCONVENIENTE, de Davis Guggenheim, com Al Gore.


(mais informações daqui a pouco no nosso site)

Morreu o Bergman? Viva o Bergman!



Morreu. Com ele, morreu um bocado da Suécia, um bocado bom. Com ele, viverá sempre um bom bocado do melhor Cinema que por aí se fez e um dos melhores bocados da magia do claro-escuro cinéfilo, já para não falar do claro-escuro da magia das almas e das personalidades. Adeus Bergman! Que vivas Bergman!

Chorar um morto

(Fonte da foto: Lamento funebre artificiale. Pisticci (Lucania) in Ernesto de Martino, Morte e pianto rituale, Bollati Boringhieri Torino 2000)

Leio Ernesto de Martino no dia da morte de Ingmar Bergman: "Entre as mulheres do campo na região da Lucânia, os riscos psíquicos da crise atingem tal amplitude e gravidade que conferem ao luto um sinistro poder de desmembramento e loucura." A gravidade e a amplitude do luto por Bergman serão gigantescas - mas em silêncio e só um sopro de movimento e luz. Numa sala obscurecida.

oh...



farewell, mister bergman.

how can we ever thank you for your films?

showing them, discussing them, loving them?

that's a deal, mister bergman. it always was, here at the faro cineclub*.

so long, rest in peace.



(fica este [oportuno...] link, simplesmente porque o video correspondente não apresenta embed code)

* clicar aqui, e escrever Bergman no Campo "Realizador" (mesmo assim, a lista está incompleta)

já agora, livros de e/ou sobre que temos na nossa biblioteca (escrever Bergman no campo "Nome do Realizador")

e, por último (também uma lista incompleta), os filmes que temos em vhs/dvd (de novo, escrever Bergman no campo "Realizador")


[explicação extra: estas listas estão incompletas porque a actualização das bases de dados é um serviço que pagamos à parte ao nosso webmaster, e dinheiro é algo que - DEFINITIVAMENTE!! - não abunda por estas bandas]

Mais postais de NY

OK, eu não tenho (pelo menos até agora...) histórias em bares de NY, mas aqui fica mais um diário de bordo da preparação deste filme, que se calhar ainda acaba por não ser filme nenhum, ficando-se apenas por estes "diários", mas estou a divertir-me, e é o que interessa. :)
(reparem como me mantive fiel ao espírito que defendia para blog e não coloquei aqui uma janela ostensiva com as minhas fuças...)
Até ao próximo!

Happy hour

À falta de copos de três e de velhotes de tasca com quem comentar a compra do Derlei (quem??) pelo Sporting, ganhei o (péssimo) hábito de me sentar sozinha ao balcão dos bares nova iorquinos durante a happy hour. Uma coisa degradantíssima, nem vos conto.
Era o West side, a rua era a Bleecker, a bebida, margarita, a hora imprópria (para parâmetros americanos era sim imprópria, umas oito à vontade), e eu feita Carrie Bradshaw num dia mau ao balcão de um bar mais ou menos.
Anyway, to cut to the chase, um rapaz pergunta se pode sentar-se no banco ao lado do meu. Boy, can you??, digo eu, certa de que ele não perceberia porque, a) a música estava alta; b) para disfarçar o meu contentamento, tinha feito o habitual ar de couldn't care less à Lauren Bacall, o que, em mim, resulta sempre em algo como Maria von Trapp meet Dory do Finding Nemo mas que nem por isso deixa de servir o seu propósito, ou seja, desconcertar o próximo. Adiante.
O rapaz, parece, é filmmaker. É o que diz aqui no cartão que me deu, e foi como filmmaker que se apresentou. Assim mesmo, Robert --, mão esticada para receber um passou-bem e entregar ao mesmo tempo, com uma flexibilidade que me estonteou, ou seriam as margaritas, o seu business card. Eu deixei de parte a Lauren Bacall, ou a Julie Andrews, tanto faz (a Ellen DeGeneres já tinha deixado muito antes) e, no meu melhor ar de Pauline Kael, respondi, Marina --, film critic.
O cartão de apresentação voou das minhas mãos e voltou para a carteira dele (como o tenho de novo comigo é o MacGuffin desta história, agora vão ter de ler até ao fim). Vi depois no olhar dele que pensava e reconsiderava, a tipa se calhar escreve para os Cahiers ou algo assim estrangeiro, é melhor pensar e reconsiderar. Então fez o pitch do filme. E devolveu-me o cartão. Também me ofereceu uma cerveja. Eram já perto das oito e meia da noite, a sede impunha-se, a vida de um crítico não é fácil.
Às nove estava em casa. Na televisão, o jogo dos All Star no estádio dos Giants em San Francisco. A alternativa era sentar-me à máquina (sempre quis dizer isto) e rememorar o meu dia na cidade.
É, de facto, a cidade perfeita para se ser filmmaker. Ou film critic. Ou nem uma coisa nem outra mas acreditar que sim. Sobretudo acreditar.
Bebamos a isso.

Notícias do Artur (a.k.a. Art, ou ainda A) :)

O Artur Ribeiro foi ribeirar para as bandas de Manhattan. Além de matar saudades da baixa nova-iorquina e de se inflamar com os cenários woodyallenianos, manda-nos umas amostras do que é um diário das ideias para um filme. Que se há-de chamar Seeing Voices. Tomo I e Tomo II (ou "Dia 0" e "Dia 1").