Nos últimos dias, pela tarde começam a chegar de Oeste umas nuvens densas, de um branco cerrado, balofas, redondas mas de rebordos em fiapos. Devem vir do Pacífico - querem por força assentar nos campos amarelados do circuito de manutenção de Stanford, o "dish". Como encontram os montes de Woodside entre o mar e a povoação (ou melhor, as povoações: Stanford, Palo Alto e Menlo Park, pelo menos), ficam-se ali, repimpadas sobre os topos, e deixam-se ver na distância como se preparassem a paisagem para o fotógrafo. Tenho passado diariamente pelos campos planos de Stanford, de onde as vejo. E imagino um dia de Junho, a paisagem chã e seca a seis ou sete milhas dos montes ainda verdes. Imagino Eadweard Muybridge de conversa com Leland Stanford, ao sol, para tentarem provar que as quatro patas de um cavalo se suspendem no ar, ao mesmo tempo, durante a corrida. Foi nestes campos que, em 1878, Muybridge instalou vinte e quatro câmaras fotográficas numa pista paralela àquela onde corria o Sallie Gardner, e captou o movimento do cavalo. A Muybridge interessava mais o lado fotográfico da experiência, não tanto o que viria a chamar-se, alguns anos depois, o cinematógrafo. O seu encontro com Thomas Edison, em 1888, na costa Leste, é que acelerou o desenvolvimento da técnica que haveria de acrescentar-se em arte. Passo naqueles campos com uma mal disfarçada vénia.

4 comentários:

a mulher do lado disse...

e eu a morrer de inveja... kleineana, claro ;-)
beijos

anabela moutinho disse...

inveja, pois está claro.

redobra lá a vénia, pá.

Rf disse...

faz la uma por mim aninha... vénia, está claro!

marina disse...

tem graça, eu não tenho inveja nenhuma.. será porque piso todos os dias, no meu jogging diário, à californiana, com nike e ipod e tudo, esses tais montes? ;)