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Micmacs ao ar livre! Original, criativo, imaginativo, hilariante... único, como Jeunet! 3ªf,19, 22h

CLAUSTROS DO MUSEU MUNICIPAL
Sócios - 2€ (caderno de 5 senhas, 10€)
Não-Sócios - Passe para os 10 dias 25€ / Estudantes 3,5€ / Restantes 4€



“Um arrombamento delirante e perseguições malucas fazem parte do programa de um filme 100% festivo, que faz mexer os músculos zigomáticos sem parar.”
Caroline, Vié in 20 Minutes

“O mirabolante Micmacs à tire-larigot surpreendente, no sentido tradicional do termo, do princípio ao fim. Além de turbulento e colorido, faz sonhar com Houdini, Edison ou Meliès.”
Bayon, Libération


O estatuto que Jean-Pierre Jeunet alcançou a nível mundial faz pensar numa longa filmografia de culto. A verdade é que o início da sensação começou apenas em 1991, com Delicatessen, uma comédia negra que foi apenas um ponto de partida para um estilo muito próprio e delicado que o cineasta estabeleceu. Depois realiza La cité des enfants perdus (1995) de uma menos bem sucedida incursão ao universo de Hollywood com Alien: O Regresso (1997), mas foi com o sucesso estonteante de O Fabuloso Destino de Amélie (2001) – considerado um dos mais importantes filmes da década passada e com cinco nomeações aos Óscares incluindo Melhor Filme Estrangeiro – que o cineasta atingiu a popularidade que tem nos nossos dias. Antes de partir para esta nova incursão ao seu universo fantástico, o realizador ainda teve em mãos a adaptação do romance Sébastien Japrisot com Un long dimanche de fiançailles (2004), um filme comovente e apaixonante em cenário de guerra.

Agora chega a Portugal, com quase dois anos de atraso, o seu mais recente filme Micmacs – Uma Brilhante Confusão, que estreou antes na Festa do Cinema Francês 2010 e no Fantasporto 2011. A verdade é que este novo trabalho do cineasta francês vem envolto sob alguma discussão acerca da originalidade do seu trabalho. Tema que por si só é contraproducente. Quando com outros realizadores se assume a existência e o assumir de um estilo único e identificador, com Jean-Pierre Jeunet parece não haver permissão por parte de alguma crítica em criar obras que se assemelhem ao seu estilo de fábula e uma estética de tons alaranjados e quentes. Se não absolutamente original no seu estilo ou conteúdo, esta não é uma obra que perca o seu mérito próprio por isso. Muito pelo contrário. O cineasta absorve aqui um registo insólito e surreal, mais semelhante a Delicatessen (1991) e faz aquilo que de melhor sabe: um filme delicado num contexto bizarro. Neste caso, estamos perante um braço de ferro entre um homem juntamente com várias personagens de um ferro-velho e a indústria bélica (nomeadamente duas grandes empresas rivais).


Micmacs – Uma Brilhante Confusão é um dos filmes mais inconsequentes e divertidos filmes do cineasta. É uma obra de entretenimento puro, de argumento simples, que despoleta facilmente ora sorrisos, ora gargalhadas. Num estilo muito cartoonesco e caricatural, somos levados ao encontro de uma sucessão de personagens de contornos extremamente bizarros e mesmo que disparatados, encantadores na sua construção, confirmando o costume habitual de Jean-Pierre Jeunet de promover o encontro casual entre personagens marginalizadas. Num ambiente de quase freak show de um circo, destaque para a presença de uma contorcionista, um homem-bala e até de uma calculadora-humana.

Esteticamente mantém-se a marca do cineasta, com recurso a uma fotografia saturada em tons quentes, da autoria de Tetsuo Nagata (La vie en rose), a montagem de Hervé Schneid (habitual colaborador de Jean-Pierre Jeunet desde sempre) e a direcção artística de Aline Bonetto (que trabalhou com o cineasta em Le fabuleux destin d’Amélie Poulain e Un long dimanche de fiançailles, tendo sido nomeada para os Óscares por ambos os trabalhos). A nível de elenco temos prestações competentes e adequadas ao argumento surreal: caso especial de Dany Boon (Bienvenue chez les Ch’tis), André Dussollier (Amélie e Um Longo Domingo de Noivado), Nicolas Mairé (99 francs) e Julie Ferrier (Paris).

O humor fácil, aliado a diálogos cómicos e uma dose burlesca de diversos acontecimentos fazem de Micmacs – Uma Brilhante Confusão um bom e divertido filme, num misto de comédia com um intrincado e surreal heist movie. É também o seu filme com a mais directa mensagem política e anti-guerra, daí que tende no seu final para uma dose exagerada de moralismo. Embora essa fácil lição de moral caia menos bem no goto do espectador, o filme não perde muito por isso, culminando numa hilariante cena final. A marca intemporal de Jeunet continua bem viva e recomenda-se.
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Tiago Ramos, cinema2000


Jean-Pierre Jeunet já descreveu 'Micmacs' como um cruzamento entre 'Delicatessen' e 'O Fabuloso Destino de Amélie', e não anda longe da verdade. O protagonista é Dany Boon, que é acidentalmente alvejado no crâneo e que, após algum tempo como sem abrigo, encontra um bizarro grupo de marginais que vivem debaixo da terra e decide vingar-se dos fabricantes da bala que tem no cérebro e da mina que lhe matou o pai. O filme, como de costume, é visualmente magnífico, está pejado de referências cinematográficas e é bastante divertido. Mesmo sem grandes inovações, quem goste do estilo de Jeunet tem aqui um prato cheio.
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Luís Salvado , Timeout.sapo.pt




Título Original: Micmacs à tire-larigot
Realização: Jean-Pierre Jeunet
Interpretação: Dany Boon, André Dussollier, Yolande Moreau, Dominique Pinon, Omar Sy, Julie Ferrier, Nicolas Marie
Argumento: Jean-Pierre Jeunet e Guillaume Laurant
Fotografia: Tetsuo Nagata
Montagem: Hervé Schneid
Música: Raphaël Beau
Origem: França
Ano: 2009
Duração: 105’
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de 24 a 31, Festa do Cinema Francês. 14 sessões. 1 grátis. As outras a 3€. Passe para todas por 10€ (menores de 30 anos) e 20€

DE QUE É QUE ESTÃO À ESPERA????

Fui lá hoje - Teatro Municipal de Faro, já todos sabem, não é? - comprar os meus bilhetes (vou a 5 sessões) e aquilo (ainda) ESTÁ ÀS MOSCAS!!!!!

Ouçam:

ABRE COM O ÚLTIMO FILME DO JEUNET!! Sabem, aquele?... esse mesmo, o de Delicatessen? E É À BORLAAAAAAAAA! MICAMACS À TIRE LARIGOT (domingo, 24, 21h30):



E logo no 2º dia O MELHOR FILME DE TODOS, O MAIS AGUARDADO - mais propriamente, desde há... 7 anos!! - do ESPANTOSO criador de animação Sylvain Chomet, o de La Vieille Dame et Les Pigeons (curta) e da estrondosa longa Les Triplettes de Belleville/Belleville Rendez-Vous. Agora, finalmente, numa adaptação de um argumento nunca realizado de Jacques Tati, que Chomet homenageia figurando o Mr Hulot, L'ILLUSIONISTE (2ª, 25, 19h):



Na 4ª, 27, também às 19h, ELLE S'APPELLE SABINE, o documentário que a actriz Sandrine Bonnaire - 'madrinha' desta 11ª edição da Festa do Cinema Francês, que lhe dedica um ciclo do qual poderemos ver em Faro Mademoiselle e Sans toi, ni loi - fez da sua irmã autista, Sabine, recorrendo a imagens recolhidas ao longo de 25 anos. Comovente, claro está, e importante, como mensagem-testemunho do nosso desconforto (nosso, o da sociedade) em lidar com a diferença absoluta como no caso deste distúrbio.



Aceitem estas como sugestões minhas. Mas, aceitando-as ou optando por outros filmes, vão. Bom cinema, para além daquele que o CCF dá, não abunda pelas nossas bandas.

Certo? Certo.