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E fez-se noite em pleno dia: Bernardo Sassetti morreu.



Bernardo Sassetti está indissociavelmente ligado à composição para cinema em Portugal:

2009 Como Desenhar um Círculo Perfeito, Marco Martins
2009 As Ilhas Desconhecidas, Vicente Jorge Silva (TV)
2009 Second Life , Miguel Gaudêncio e Alexandre Valente
2007 Dom Roberto, Ernesto Sousa [encomenda do Cineclube de Faro, paga por subscrição pública aos seus associados, inserida nas Comemorações do nosso 50º aniversário; estreia e exibição única no Teatro Municipal de Faro a 18 de Maio de 2007, com interpretação de Bernardo Sassetti, piano, Carlos Barreto, contrabaixo e Alexandre Frazão, bateria]
2007 Antes de Amanhã, Gonçalo Galvão Teles (curta-metragem)
2006 98 Octanas, Fernando Lopes
2005 Alice, Marco Martins
2004 A Costa dos Murmúrios, Margarida Cardoso
2004 O Milagre segundo Salomé, Mário Barroso
2004 Maria E as Outras, José de Sá Caetano
2003 Quaresma, José Álvaro Morais
2000 Aniversário, Mário Barroso (TV)
2000 Facas e Anjos, Eduardo Guedes (TV)
2000 As Terças da Bailarina Gorda, Jeanne Waltz (curta-metragem)
2000 O Segredo, Leandro Ferreira
2000 Maria do Mar, Leitão de Barros (1930) [encomenda da Cinemateca Portuguesa para a reposição, em cópia recuperada, deste clássico do cinema português)




É um desaparecimento cruel, prematuro e insubstituível.


Endereçamos sentidas, muito sentidas, condolências à família, particularmente a Beatriz Batarda e às duas filhas de ambos.


Que descanse em paz um dos maiores génios da música portuguesa.

Fernando Lopes morreu.

Não foi por acaso que iniciámos as Comemorações do nosso 56º aniversário, no passado dia 3 de Abril, com o último filme de Fernando Lopes, "Em Câmara Lenta". Foi para salientar a estreia de mais um filme de um dos nossos mais importantes realizadores.

Não há muitos cineastas a poder figurar no panteão do Cinema Português. Fernando Lopes era indiscutivelmente, um deles.

A sua importância é histórica - criou, com um punhado de outros, uma nova forma de fazer cinema, e cinema português, nas condições mais adversas de todas: durante o fascismo. O Cinema Novo Português foi, antes de um gesto cinematográfico, um gesto de resistência cultural anti-fascista. "Só" por isso, tudo lhe devemos.

Mas a sua importância está para além desse contributo histórico - Fernando Lopes é sinónimo de filmar bem, muito bem, a alma e a identidade portuguesas. Não é só o mérito técnico, mas a capacidade assombrosa de ser um cidadão que, coerentemente durante toda a sua vida, interveio artisticamente para nos tornar mais ricos.

Fernando Lopes deu-nos o prazer e a honra da sua presença entre nós, em diferentes ocasiões.

Seguramente, desde "Matar Saudades", em 1987, a que se seguiu, dez anos depois, a participação numa Mesa-Redonda nos nossos I Encontros de Cinema; em 2002, para apresentar "O Delfim"; e, em 2004, para, em conjunto com o argumentista João Lopes, apresentar "Lá Fora".

Os filmes que dele exibimos foram:

BELARMINO - 10/Mai/68 , 07/Mar/70, 08/Jun/95 e 05/Jan/07
UMA ABELHA NA CHUVA - 26/Jun/02
NÓS POR CÁ TODOS BEM - 30/Abr/78
A CRÓNICA DOS BONS MALANDROS - 24/Jun/02
MATAR SAUDADES - 21/Nov/87
O FIO DO HORIZONTE - 29/Abr/94 e 28/Jun/02
DELFIM - 17/Jun/02 e 20/Nov/04
LÁ FORA - 17/Set/04
OS SORRISOS DO DESTINO - 23/Abr/10
EM CÂMARA LENTA - 03/Abr/12

Fica a promessa que voltaremos à filmografia deste insigne realizador, seja para repetir algumas das obras constantes desta lista ou para exibir outras, ausentes, até ao momento, da história da nossa programação.

À família, aos amigos e ao Cinema Português endereçamos as nossas mais sentidas condolências.