GOODNIGHT IRENE
Por Renato FélixEm determinado momento de Goodnight Irene (Goodnight Irene, Portugal, 2008), o ator aposentado Alex (Robert Pugh), doente e manco, é levado pela bela pintora Irene (Rita Loureiro) a subir uma longa escadaria. Mais adiante no filme, depois que Irene já está desaparecida, ele aparece subindo a mesma escadaria sozinho. A dificuldade parece - e é - muito maior. A simetria das duas cenas diz muito sobre o filme português, em termos de ideias e também do domínio da linguagem do diretor estreante em longas Paolo Marinou-Blanco.
Alex é um rabugento de carteirinha: não faz a menor questão de ser simpático com ninguém. Mas isso não impede Irene de irromper em sua vida e estabelecer uma comunicação: mais do que isso, ela traz Alex para o seu mundo. Porém, depois de uma noite especialmente turbulenta, ela desaparece. E o velho ator percebe que não pode mais viver sem ela - porque ela o lembrou o que é a vida.
Nesse ponto, ele descobre que há mais alguém que não sabe viver sem Irene: o serralheiro Bruno (Nuno Lopes). Ele tem o estranho hábito de invadir casas alheias, pegar fotos e papéis para fazer cópias e depois devolver. É assim que lida com sua solidão. A primeira cena mostra a invasão do apartamento de Irene por dentro e o encontro entre os dois: não conta quase nada, mas, intrigante, fisga o espectador de imediato para então contar o que aconteceu antes.
A narração em off de Alex se confunde com seu trabalho de narração de documentários turísticos - logo ele, que tem dificuldades de locomoção e mal sai de casa. É Irene que o reapresenta ao mundo. Depois de seu sumiço, Alex volta a se enclausurar - mas no apartamento dela, em busca de alguma pista sobre seu paradeiro. E, a contragosto, com a companhia de Bruno. A obsessão de ambos por ela vai uni-los e empurrá-los, sem que saibam, para a vida de novo.
Marinou-Blanco mostra essa acomodação com sensibilidade e bom humor, além de bem colocadas citações teatrais. Suas escolhas de planos são bonitas e eloqüentes, principalmente quando Goodnight Irene finalmente se torna o road movie que anuncia ser desde sua meia hora inicial. Aqui, o filme mostra que está de acordo com uma postura que muitos road movies defendem - e a entrega a esse subgênero se torna até necessária para deixá-la clara: o importante não é o ponto de chegada, mas a viagem em si.
Goodnight Irene (Goodnight Irene). Portugal, 2008.
Direção: Paolo Marinou-Blanco. Elenco: Robert Pugh, Nuno Lopes, Rita Loureiro, Amadeu Caronho. Exibido no CinePort.
CINEPORT 2009

O Festival de Cinema de Língua Portuguesa - CINEPORT, que vai de 01 a 10 de maio, tem como homenageado para a edição 2009 Moçambique. O evento contará com mais de 150 filmes e acontecerá em João Pessoa, capital da Paraíba, no Nordeste brasileiro. A cidade é o "ponto mais oriental das Américas" e acolhe pela segunda vez o festival, que se encontra na sua quarta temporada.
Atente para a programação deste fim-de-semana e quem estiver em terra brasilis está mais que convidado para vislumbrar essa grande janela do nosso cinema de língua portuguesa:
SEXTA, DIA 01
- A abertura do festival será às 20 horas, na sexta, mas a programação já começa à tarde com os debates do II Encontro de Cineclubes da Paraíba, no Hotel Imperial, em Tambaú;
- À noite, na Usina Cultural, a primeira sessão para o grande público é a dos curtas paraibanos do Prêmio Energisa, às 20h30, na sala digital;
- Às 21 horas, será exibido pelo filme dirigido por HELENA IGNEZ: A CANÇÃO DE BAAL. Na Tenda Andorinha;
- Às 21h30, na sala digital, os curtas de ficção que concorrem ao Troféu Andorinha Digital;
- Às 22h30, é a vez de GOODNIGHT IRENE, de PAOLO MARINOU BLANCO, filme português indicado ao Troféu Andorinha de melhor filme, que mostra a obsessão de um ator inglês e um serralheiro por uma atraente pintora cheia de vida.
SÁBADO, DIA 02
- Às 16 horas tem uma mesa redonda do Encontro de Cineclubes, debatendo “Um raio-X da cinefilia paraibana”, no Hotel Imperial;
- Cinco curtas (e médias) paraibanos às 14 horas, na sala digital da Usina Cultural;
- Às 16 horas, um dos campeões de público do cinema nacional dos últimos anos: MEU NOME NÃO É JOHNNY, de MAURO LIMA, com SELTON MELLO, na Tenda Andorinha;
- Às 18 horas, também na Andorinha, novos filmes do cinema paraibano. Dois curtas de TORQUATO JOEL (GRAVIDADE e AQUI E AGORA) e o longa-metragem O SONHO DE INACIM, de ELIÉZER ROLIM, com JOSÉ WILKER;
- No mesmo horário, na sala digital, entram em cena os curtas paraibanos no Prêmio Energisa;
- Às 20 horas na sala digital, será exibido CRISTÓVÃO COLOMBO, O ENIGMA, do centenário - e grande - cineasta português MANOEL DE OLIVEIRA.
- O diretor português ALEXANDRE VALENTE apresenta seu filme SECOND LIFE, às 21 horas, na Tenda Andorinha;
- A sala digital ainda tem o documentário DA VIDA DAS BONECAS, às 21h30min., e os 12 curtas de animação que concorrem ao Andorinha Digital, às 22 horas;
- Um dos filmes nacionais inéditos nos cinemas paraibanos passa às 23 horas na Tenda Andorinha: FELIZ NATAL, estréia na direção do ator SELTON MELLO.
Aguardem que comentarei sobre os filmes e programação aqui e no meu blog pessoal. Salute, pessoal!
Mais Informações: http://www.festivalcineport.com/2009/
abril
PROEZAS DOCUMENTADAS
DIA 1
HOMEM NO ARAME
James Marsh, Reino Unido/EUA, 2007, 90’, M/6
Site oficial
Em criança, quase todos os homens queriam ser astronautas. Philippe Petit queria subir ao topo de uma torre gémea e atravessar para a outra em cima de um finíssimo arame, sem qualquer cabo a prendê-lo e sem rede por baixo. O que para quase todos nós parece pura loucura, Petit relata ainda hoje com um brilho nos olhos, transmite aquela satisfação de momento maior do que a vida que foi alcançado. E isso, desculpem a piroseira, é bonito. E esse é um dos lados fascinantes de Homem No Arame (vencedor do Óscar de Melhor Documentário e mais uns 17 prémios): mesmo intrínseco, o fantasma das torres gémeas nunca nos persegue. Trata-se de um nada óbvio 'feel good movie', que entretém, entusiasma, fascina e até pode convencer alguém a chorar. André Santos, Timeout
DIA 15
RELIGULOUS - QUE O CÉU NOS AJUDE
Larry Charles, EUA, 2008, 101’, M/12
RELIGULOUS acompanha o comediante Bill Maher ("Real Time with Bill Maher," "Politically Incorrect") na sua viagem a locais de culto religioso em todo o mundo, para entrevistar um vasto espectro de crentes em Deus e na Religião. Conhecido pela sua astuta capacidade analítica e pelo seu empenhamento em não ser agressivo para ninguém, Maher aplica a sua característica honestidade e espírito irreverente às questões da Fé, fazendo-nos entrar numa divertida e provocatória viagem espiritual. »Com fanáticos religiosos como George Bush e Osama bin Laden a dominarem o mundo, pareceu-me que era a altura certa para dar a este tema um fórum mais largo, insistente e focado que um programa de televisão emitido a altas horas da noite. Quis fazer um documentário e quis que fosse divertido.»
DIA 22
VALSA COM BASHIR
Ari Folman, Israel/ Alemanha/ França, 2008, 90’, M/16
Mal vão os filmes de imagem real quando é o cinema de animação que pega de frente temas que aquele não quer, já não sabe ou evita olhar olhos nos olhos. A Valsa com Bashir, do israelita Ari Folman, que fez sensação este ano no Festival de Cannes, é uma longa-metragem de animação mais “adulta”, “séria” e política do que muitos filmes de imagem real que por aí andam a querer mostrar serviço de preocupação com a realidade. Nos seus 90 minutos canónicos, A Valsa com Bashir consegue ser o veículo autobiográfico de um difícil processo de terapia, a denúncia política das arbitrariedades cometidas pelo Estado de Israel através da sua política belicista, e uma demonstração de que a animação não serve apenas para inventar bonecos simpáticos ou antropomorfizar bicharada digitalmente.
Sérgio Abranches, Timeout
DIA 29
MOSTRA DE CIÊNCIA E CINEMA
THE LINGUISTS
Seth Kramer, Daniel A. Miller e Jeremy Newberger, EUA, 2007, 65’
BRILLIANT NOISE
Ruth Jarman e Joe Gerhardt , EUA/GB, 2006, 6’
OS SEÑORES DO VENTO
Xurxo González Rodríguez, Galiza, 2008, 10’
Em 2008 decorreu em A Corunha (Galiza) a primeira Mostra de Ciência e Cinema, na que participaram filmes procedentes de diferentes países da Europa, dos EEUU e até mesmo de Burkina Faso.
O Centro de Estudos Galegos da UAlg orgulha-se em apresentar junto com o Cineclube de Faro uma selecção dos melhores filmes apresentados. O evento conta com a presença do especialista em cinema Martin Pawley, programador e coordenador da mostra.
THE LINGUISTS
David e Greg son “os lingüistas”, científicos que se esforzan en documentar linguas en perigo de extinción. En Siberia, India e Bolivia, o labor dos lingüistas enfróntase ás moitas forzas quereprimen as linguas: racismo institucional e as violentas dificultades económicas. David e Greg deben superar os seus propios medos e prexuízos para sacar os falantes de décadas de silencio. A súa viaxe lévaos ao máis profundo das culturas e o coñecemento das comunidadesen estudo.
Estrea mundial no Festival de Cinema de Sundance 2008
Premio da Xuventude na I Mostra de Ciencia e Cinema
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BRILLIANT NOISE
Experimental: imaxes do Sol obtidas por diferentes sondas espaciais montadas en secuencias. Son imaxes sen limpar, que amosan o “ruido” producido polas partículas enerxéticas e o vento solar.
2º Premio na I Mostra de Ciencia e Cinema
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OS SEÑORES DO VENTO
Eles patentaron un sistema para dominar o vento. Dirixiron centos de botellas retando ao ceo. Mais como as botellas a vida tamén dá voltas. Tecnoloxía caseira para desafíar o vento nunha insólita instalación de“land art”.
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mais informações em http://cienciaecinema.org/ e http://www.thelinguists.com/
calvários
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Cinatrium, 21h30
FEVEREIRO
Dia 4TROPA DE ELITE, José Padilha, Brasil, 2007, 117’, M/16
Baseado na experiência de 19 anos de Pimentel como oficial da polícia militar e capitão da Batalhão de Operações Policiais (BOPE). Tropa de Elite foi o filme mais visto no Brasil em 2007 e vencedor do Urso de Ouro no Festival Internacional de Berlim em 2008. Apesar do fantasma dos esquadrões da morte, José Padilha não demoniza o BOPE pelas suas tácticas. Num estilo pseudo-documental, ele aponta o dedo à má formação profissional dada no passado à força policial, expondo, no processo, a apatia de uns e a hipocrisia de uma classe alta que simultaneamente consome a droga vinda da favela e se insurge contra as injustiças sociais. Gostava de acreditar que o Brasil não está preso a este círculo de combate da violência com uma violência ainda maior. As consequências só podem ser devastadoras. Para todos.
Site oficial
Dia 11EU QUERO VER, Joana Hadjithomas e Khalil Joreige, Líbano / França, 2008, 75’, M/6
A ideia aqui é surrealista: fazer algo como um documentário com a estrela francesa Catherine Deneuve e com o reconhecido actor/artista libanês Rabih Mroué, numa viagem desde Beirute até às ruínas do Sul do Líbano causadas pela investida israelita em 2006. O casal de realizadores Hadjithomas e Joreige, que já demonstraram as suas capacidades criativas com a ficção libanesa A Perfect Day de 2005, conseguiram
fazê-lo. E de forma brilhante. Estes co-realizadores politicamente activos desbravaram novo território na discussão da fusão documentário/ficção.
Howard Feinstein, Screen Daily
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Dia 19, 5ª FEIRACAOS CALMO, Antonello Grimaldi, GB/Itália, 2008, 107’, M/16
Não é exactamente um filme de Nanni Moretti, apesar da sua presença no papel principal e da sua co-autoria no argumento, mas podia ser, porque é impossível não ver nele o Moretti que nos habituámos a ver em filmes anteriores. Porque, enfim, "Caos Calmo" é uma variação sobre o sublime "O Quarto do Filho" que se podia chamar "O Banco do Pai". Um melodrama elegante em tom levemente efabulatório, transportado pela interpretação soberba de um Moretti que revela ser actor de muitos mais recursos do que os seus próprios filmes muitas vezes lhe pedem.
Jorge Mourinha, Público
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Dia 25O SILÊNCIO DE LORNA, Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, Alemanha/Bélgica/França/Itália, 2008105’, M/12
Os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, que já foram os vencedores do Festival de Cannes em duas ocasiões, com "Rosetta" (1999) e "A Criança" (2005), ganharam o prémio de melhor argumento, este ano, no mesmo festival, com "O silêncio de Lorna". Os realizadores apostam muitas vezes num cinema quase neo-realista, retratando, desta feita, as migrações e as redes criminosas criadas a seu redor. "O silêncio de Lorna" traça o retrato de uma jovem mulher que tem os sonhos delapidados pela culpa e que se agarra a uma esperança longínqua. Simples, directo e muito humano é certo que "O Silêncio de Lorna" não deixará nenhum espectador indiferente.
Site oficial
MARÇO
DIA 4A ONDA, Dennis Gansel, Alemanha, 2008, 101’, M/16
O fascismo e a contribuição de comportamentos individuais para o desastre colectivo são temas que o realizador Dennis Gansel já tinha abordado em ‘A Queda’ (2004). Em ‘A Onda’ (2008) também parte de acontecimentos reais. Num liceu em Palo Alto (Califórnia), nos anos 60, um professor, em vez de teorizar sobre a ditadura, criou na turma um microcosmos totalitário. Começou por construir um forte espírito de disciplina e grupo. Ao fim de poucos dias, já estava assustado com os resultados, que extravasavam o ‘laboratório’.
Joana Amaral Dias, correiodamanha.pt
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DIA 11QUATRO NOITES COM ANNA, Jerzy Skolimowski, França/Polónia, 2008, 87’, M/12
Um dia, ele desapareceu. Jerzy Skolimowski entrou no silêncio. E aí ficou durante 17 anos. Poeta desconcertante, cineasta desconcertado, deixou a
Polónia e assim perdeu o seu país natal, apagado pelas últimas convulsões do comunismo. Skolimowski entrega hoje QUATRO NOITES COM ANNA, um filme excepcional, soberbo, sobre a ilusão, o amor, o olhar, a loucura. Cada imagem, cada movimento de câmara, cada resposta é a expressão de uma
urgência, de uma necessidade, de uma mestria absolutas.
François Forestier, Le Nouvel Observateur
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DIA 18VALSA COM BASHIR, Ari Folman, Israel/ Alemanha/ França, 2008, 90’, M/16
Mal vão os filmes de imagem real quando é o cinema de animação que pega de frente temas que aquele não quer, já não sabe ou evita olhar olhos nos olhos. A Valsa com Bashir, do israelita Ari Folman, que fez sensação este ano no Festival de Cannes, é uma longa-metragem de animação mais “adulta”, “séria” e política do que muitos filmes de imagem real que por aí andam a querer mostrar serviço de preocupação com a realidade. Nos seus 90 minutos canónicos, A Valsa com Bashir consegue ser o veículo autobiográfico de um difícil processo de terapia, a denúncia política das arbitrariedades cometidas pelo Estado de Israel através da sua política belicista, e uma demonstração de que a animação não serve apenas para inventar bonecos simpáticos ou antropomorfizar bicharada digitalmente.
Sérgio Abranches, Timeout
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DIA 25VENENO CURA, Raquel Freire, Portugal, 2007, M/16, presença da realizadora
Três histórias de mulheres, presas em relações amorosas e em situações familiares extremas. À beirado inferno ou da redenção. A estrutura é fragmentária. Raquel Freire não conseguiu os laços unificadores para cerzir as histórias-limite de três mulheres a quem o corpo, a líbido e a vida conduziram a vertigens e a abismos. E, porque quis tocar as cordas últimas onde se enforcam os desesperos, não há que esperar uma fácil digestão para algo que, evidentemente, tem mais riscos que arrimos. Por isso, "Veneno Cura" não é um filme equilibrado - mas é um filme com verdade dentro. Quer dizer: eu acredito naquela gente (que actrizes, meu Deus!), acredito e comovo-me, mesmo quando vejo ritualizações de deboche que me parecem periclitantes. Digamos que o sangue que corre nas veias desta fita é quente e contagiante. E é sobretudo isso que devemos pedir a um filme.
Jorge Leitão Ramos, Expresso
Site oficial
"Top Ten Time"
Ainda Oliveira
em novembro, paisagens humanas
:
(Cinatrium, 21h30)
DIA 5
alexandra, alexandr sokurov, rússia, frança, 2007, 92’, m/12
Sokurov foi descoberto em Portugal com "Mãe e Filho". Foi há cerca de dez anos, mas depois disso, e apesar de o cineasta ser bastante prolífico e manter há décadas um ritmo de pelo menos um filme por ano, por cá só se estreou "Pai e Filho", de 2003. "Alexandra" é o terceiro Sokurov a estrear em Portugal. Talvez se pudesse chamar "Avó e Neto", porque é disso que se trata (do encontro entre uma avó e um neto), integrando-se naquilo que se vai tornando, dentro da obra do cineasta russo, uma "série" dedicada ao amor familiar (e ainda lhe falta um filme sobre o amor fraternal, que há uns anos manifestou intenção de fazer). Mas ao mesmo tempo é de muito mais do que apenas um encontro entre uma avó e um neto que "Alexandra" trata. Complexo e flutuante (tão flutuante como a câmara de Sokurov, novo mestre do "travelling" e, supomos, do "steadycam"), é um dos filmes mais ricos, mais misteriosos, mais interpelativos, que veremos este ano.Luís Miguel Oliveira
DIA 12
gomorra, matteo garrone, itália, 2008, 137’, m/16
Garrone adopta um tom bastante seco, evitando rodear os problemas ou romancear as situações. Tudo se revela com a dureza e a crueldade com que decorre na vida real, o que constitui uma vantagem para a narrativa que se torna genuína e de grande impacto. São os crimes e os vícios da Camorra que envolvem as diversas personagens, que se envolvem e envolvem outros num mundo de crime em que não há lugar para escrúpulos ou para um recuo.Mesmo que de forma indirecta é a sociedade capitalista que está em causa, com as suas portas abertas à formação de pessoas que acabam por ver no lucro o único objectivo da vida, dando com alguma facilidade o passo da legalidade para o mundo do crime.
Premiado em Cannes com a Palma de Ouro, "Gomorra" merece sem dúvida a atenção do público cinéfilo.
cinedoc.pt
DIA 19
a ronda da noite, peter greenaway, canadá/frança/alemanha/polónia/holanda/reino unido, 2007, 134’, m/12
O quadro A Ronda da Noite, pintado por Rembrandt em 1642, e que deveria antes ser conhecido por A Companhia de Frans Banning Cocq e Willem von Ruytenburch, representa uma companhia de milicianos encabeçada por ricos mercadores de Amesterdão, pintada de forma dinâmica, prestes a marchar, ao invés de ser retratada em fila ou no banquete anual, como era convenção na época. Certo?Errado. Totalmente errado, na opinião do realizador, e também pintor e desenhador britânico Peter Greenaway. Segundo ele, Rembrandt pintou A Ronda da Noite para denunciar o assassínio de uma das pessoas que deveria ter sido representada no quadro, e apontar os culpados, nele imortalizados.
Greenaway chama à obra-prima "o j'accuse de Rembrandt". Um corajoso ataque aos burgueses que encomendaram e pagaram a tela, e estavam envolvidos numa cabala para obter mais dinheiro, influência, proeminência social e mais poder em Amesterdão, na altura a cidade mais rica e próspera do Ocidente.
De acordo com Greenaway, a originalidade formal da famosa tela mais não é do que a maneira que o artista encontrou para semear as pistas alegóricas que permitiriam aos bons observadores desvendar o mistério e identificar os assassinos, sob a forma de várias "anomalias" pictóricas.
Eurico de Barros
DIA 26 – REPETIÇÃO*
aquele querido mês de agosto, miguel gomes, portugal, 150’, m/ 12 anos, presença do realizador (a confirmar), do produtor e do actor
*repetição – dado o sucesso do filme, o número de espectadores que não puderam entrar por a sala ter esgotado e querermos ajudar a produtora deste filme a alcançar os 20.000 espectadores (o que lhe permitirá aceder a certos apoios do Instituto do Cinema).
No coração do Portugal profundo, serrano, no meio de bailaricos nasce um filme, entre o documentário e a ficção, onde uma equipa de filmagem procura actores, e ao mesmo tempo transforma-se num elemento activo da acção. Amor e música, em sintonia com histórias de vidas mais ou menos estigmatizadas pela interioridade. Aquele Querido Mês de Agosto”, o único filme português presente em Cannes, incluído na Quinzena dos Realizadores, é um objecto cinematográfico aliciante.
Palestra no Dia Mundial da Animação

Olá, boa tarde.
Gostava de contar com a vossa presença na palestra que irei apresentar:
Emile Reynaud e a invenção do cinema de animação
O significado do dia 28 de Outubro de 1892 e a importância das invenções de Reynaud no contexto da arte cinematográfica.
A realização desta palestra insere-se no programa nacional de actividades comemorativas do Dia Mundial da Animação, coordenado pela Casa da Animação do Porto.
Data e local:
28 de Outubro, 18h/19h
Anfiteatro Paulo Freire da Escola Superior de Educação
Campus da Penha / Universidade do Algarve
Para mais informações contactar:
Escola Superior de Educação
Telefone: 289 800 126
E-mail: cdese@ualg.pt
Onde é que eu já vi isto?

Isto (re)começa bem!
Sei que o CCF é de Faro, que é do Sul, mas sei que também é associação de utilidade pública, e essa não tem limites geográficos. Por isso, recordo a quem ande pelo Norte que começa hoje um ciclo de filmes de e à volta de Manoel de Oliveira (M.O.), no Museu de Serralves. Acompanha a exposição, que lá abriu em Julho, dedicada ao realizador que completa este ano... hum... é melhor não dizer, que até me envergonho. Chovam as exclamações, redigam que já chega de Oliveira (bem, contei apenas cinco posts sobre ele desde que abrimos), sim, tudo isso: mas se puderem, aproveitem para ver algumas das películas. Aqui no Sul já houve oportunidade de ver a filmografia quase-quase-quase completa de M.O., agora pode bem ser a vez de outros a verem. Além do mais, o pessoal do Sul está servidíssimo, com a programação do CCF para as próximas semanas.(a ver se é desta que voltamos... ao blog)
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PROGRAMAÇÃO CINECLUBE DE FARO
Setembro/Outubro
Cinatrium, 21h30
CICLO O AMOR É UM LUGAR ESTRANHO
17 set
O SEGREDO DE UM CUSCUZ, abdel kechiche, frança, 2007, 151’, m/ 12 anosÉ um dos mais extraordinários filmes que vamos poder ver todo este ano, por tudo aquilo que é sem nunca realmente o ser: não é um panfleto social, não é um melodrama lamecha, não é uma comédia truculenta, mas a história do sr. Beji, um operário desempregado que decide arriscar tudo na concretização do seu sonho secreto de abrir um restaurante, é tudo isso ao mesmo tempo.
Jorge Mourinha, Público
24 set
LARS E O VERDADEIRO AMOR, craig gillespie, eua, 2007, 106’, m/ 12 anosPara os menos avisados, Lars e o Verdadeiro Amor seria um filme a carburar na vertente kinky, com uma figura triste e desequilibrada a satisfazer os seus desejos sexuais numa boneca de sexo, com enorme potencial para cair no ridículo. Porém, a película não é rigorosamente nada disso. Trata-se mesmo de uma verdadeira história de amor, a de um rapaz adorável e tímido de quem toda a gente gosta, que canaliza todas as suas afeições num objecto inanimado (uma boneca insuflável). E é a sensibilidade, o equilíbrio, a profundidade, a não convencionalidade e a forma como consegue manipular vários temas complexos de forma aparentemente simples, gerindo com mestria a evolução de todas as várias reacções ao invulgar casal, que dá ao filme toda a sua riqueza. Lars e o Verdadeiro Amor é uma das maiores estreias nas salas nacionais em 2008.
1 out
JUNO, jason reitman, eua, 2007, 92’, m/ 12 anosEla tem um telefone em forma de hamburger, um cachimbo que não deita fumo, uma gravidez indesejada e diz frases que nem os tradutores conseguiram decifrar. Juno é a comédia que podia ser drama mas decidiu trocar as voltas aos que, olhando para o cartaz, o tomaram como um teen movie. De facto, as comédias politicamente incorrectas, que olham para uma situação complicada de um prisma menos usado são uma boa alternativa aos formatos já saturados. Juno é o exemplo máximo de como trazer quilos de originalidade a uma história que já vimos contada mil vezes. Ganhou o Óscar de Melhor Argumento Original.
Ines Gens Mendes
8 out
LUZ SILENCIOSA, carlos reygadas, méxico / frança / holanda / alemanha, 2007, 136’, m/ 12 anosRodado de uma forma sublime, na comunidade menonita mexicana perto de Chihuahua, este conto revela-se inesperadamente empolgante. Desde a primeira cena, pelo olhar que se estende lânguido sobre o nascer do dia por cima da planície mexicana, torna-se claro que não este é um filme com pressa de chegar ao final. A história, sobre um amor proibido numa comunidade religiosa rural, transformou este autor numa das vozes mais distintas no mundo do cinema contemporâneo. Projectado para um êxito arrebatador em Cannes, onde venceu o Prémio do Júri, Luz Silenciosa foi considerado o filme mexicano mais seguro feito até hoje. Apesar da mestria técnica que revela, o cineasta consegue presentear-nos com um filme que, mais do que um exercício frio e calculado de excelência sonora e visual, é um trabalho terno, tocante e profundo que convida à contemplação e à discussão. Esta é por isso uma obra indispensável para todos os que gostam do cinema, enquanto forma de arte.
15 out
AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO, miguel gomes, portugal, 150’, m/ 12 anosNo coração do Portugal profundo,serrano, no meio de bailaricos nasce um filme, entre o documentário e a ficção, onde uma equipa de filmagem procura actores, e ao mesmo tempo transforma-se num elemento activo da acção. Amor e música, em sintonia com histórias de vidas mais ou menos estigmatizadas pela interioridade. Aquele Querido Mês de Agosto”, o único filme português presente em Cannes, incluído na Quinzena dos Realizadores, é um objecto cinematográfico aliciante.
22 out
OS AMORES DE ASTREA E CELADON, eric rohmer, frança / itália / espanha, 2007, 109’Veterano do cinema francês mais sólido e experimental, o realizador Eric Rohmer, que já vai a passos largos para os 90 anos, voltou a testar modelos e conceitos estruturais, mas recorrendo acima de tudo à simplicidade e ao pendor ingénuo dos sentimentos. «Os Amores de Astrea e de Celadon», que foi nomeado para o Leão de Ouro do Festival de Veneza do ano passado, seria o filme perfeito se em meados de 1600 já houvesse cinema. Não havia, mas havia poesia séria, cantigas e danças feitas de ternura e uma veia extrema para amar. É esse lado puro que domina desde a primeira cena esta adaptação simpática de uma obra de Honoré Urfé, assente numa história de amor que não vai ser nada fácil de concretizar...
28 out (3ª f)
BALAOU, gonçalo tocha, portugal, 2007, 77’, COM A PRESENÇA DO REALIZADORSete meses depois da morte da mãe, um homem regressa à terra da sua família, em São Miguel, nos Açores. Entre os mais recentes membros da família encontra-se com a tia-avó, de 91 anos, que espera… a morte. À noite a família reúne-se e conversa sobre Deus e sobre a morte. Durante o dia ele nada no mar daquela ilha vulcânica. Um dia encontra Florence e Beru, um casal francês, que está a cruzar o Oceano Atlântico num barco chamado Balaou. Dividido em três momentos e oito lições, Balaou é uma viagem através da inevitável efemeridade das coisas… Um dos mais brilhantes e premiados documentários portugueses dos últimos anos.
"Em terra de cego quem tem olho..."
"Blindness", quinto filme de Fernando Meirelles, abriu o Festival de Cannes no último dia 14, e está também concorrendo a Palma de Ouro. A película é uma adaptação de "Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, único escritor de língua portuguesa agraciado com o Nobel de literatura, em 1998.Co-produção nipo-canadense-brasileira, o longa só vai estrear mundialmente a partir de setembro. No elenco multiétinico (ou “globalizado”, se preferir) estão Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Alice Braga, Gael García Bernal e Sandra Oh. Nos países de língua portuguesa o filme terá o mesmo nome do romance, deferimento do Saramago.
Voltando ao Cannes, "Blindness" dividiu crítica e público: foi recebido com frieza por um e com aplausos de cinco minutos por outro. "Não vai obter fãs, mas muitos admiradores entrincheirados", profetizou a revista Time; já o jornal Le Monde o denominou um “thriller filosófico”.
Na rede, além do site oficial, o filme tem um blog chamado "Diário de Blindness", escrito pelo próprio Meirelles, onde acompanhamos desde o primeiro “não” de Saramago, passando pelo encontro do autor português com o diretor em Lisboa, as filmagens (no Canadá, Uruguai e Brasil), as diversas montagens e todas as nuances que um sett pode ter. Bem interessante ver esses “extras”, como um bônus de DVD que ainda será lançado.
O livro, editado em Portugal pela Editorial Caminho e no Brasil pela Cia. das Letras , relata uma doença inexplicável, contagiosa e incurável, que deixa a visão da pessoa inundada por um “mar leitoso”. Inserido na “treva branca”, a primeira vítima vai para um oftalmologista, onde dissemina a praga para outros. Os cegos são alojados em um asilo desativado, desapropriados de seus direitos civis e vigiados por um exército que tem ordens para matar quem tentar fugir. Mas a epidemia continua a se espalhar pelo mundo mesmo assim.Saramago faz uma grande metáfora da civilização desmoronada, das facetas da natureza humana, da degradação do sistema em si e da cegueira moral da sociedade (na epígrafe do livro: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”). Não batiza os personagens e nem a metrópole que acontece a tragédia, refletindo seus ideais comunistas. "Ensaio sobre a cegueira", o filme, além de passar a atmosfera angustiante, física e apocalíptica da literatura, terá que traduzir também toda a complexidade política, antropológica, psicológia e social. Tarefa bem difícil, como outros vários exemplos de adaptações já provaram...
Se o livro merece ser lido (e relido)? Que pergunta! Lógico! Se valer a pena assistir à adaptação em setembro? Por que não? É uma outra visão da obra! Agora, se o filme vai estar à altura da prosa de Saramago? Ai, veremos...
IndieSugestão
março é hoje
CICLO Desistir ou resistir, eis a questão
Dia 5ESTRELA SOLITÁRIA, Wim Wenders, França / Alemanha / EUA, M/ 12, 2005, 122’
Estrela Solitária marca o regresso da colaboração entre Wim Wenders, realizador alemão com uma longa e notável carreira, e o escritor e argumentista Sam Shepard, mais de vinte anos depois de assinarem juntos um dos mais belos filmes do cinema contemporâneo: Paris.Texas, Mostrou nesse filme a sua capacidade para registar as características de certa parcela do povo americano e do ambiente muito peculiar de determinadas zonas do Sul dos Estados Unidos. Em Estrela Solitária retoma um tanto o mesmo rumo, através de um conto de sua autoria muito bem trabalhado para argumento cinematográfico com a colaboração de Sam Shepard, que em paralelo desempenha o principal papel.
Dia 12CLIMAS, Nuri Bilge Ceylan, Turquia / França, M/ 12, 2006, 101’
O realizador e argumentista Nuri Bilge Ceylan estreia-se como protagonista junto da sua mulher, Ebru Ceylan, num filme que analisa com extrema crueza, e por vezes até um humor mordaz, as alterações da temperatura emocional de uma relação. O amor, o compromisso e o desejo vão do calor intenso ao frio gélido, do Verão mediterrânico ao rigoroso Inverno do leste. Climas (vencedor do Prémio Fipresci na edição de 2006 do Festival de Cannes) é um drama íntimo, onde as faces são a paisagem e onde, à falta de palavras, os sentimentos se revelam. Climas entra destemidamente num território caro ao que conhecemos por "cinema moderno": a intimidade conjugal, a radiografia da relação de um casal. Não por acaso, os nomes que mais têm sido citados a propósito de "Climas" são nomes de cineastas italianos - Antonioni ou Rossellini. O tipo de aproximação ao casal e à intimidade operado por Ceylan, entre silêncios e mistérios, ecoa de facto algum do cinema desses "avatares" italianos da modernidade, sem que haja nele qualquer matéria referencial.
Dia 19A PONTE, Eric Steel, EUA / Reino Unido, M/ 12, 2006, 93’
Muitas pessoas optam por pôr termo à vida na Golden Gate Bridge mais do que em qualquer outro local no mundo. O concreto número de mortes nesse local é chocante mas talvez de forma alguma surpreendente. Se alguém se quiser suicidar, existe uma estranha lógica em seleccionar uma forma que é quase sempre fatal e um local que é mágico, misteriosamente belo.
O realizador e equipa de filmagem passaram o ano todo de 2004, um ano inteiro, a olhar cuidadosamente para a Golden Gate Bridge com câmaras ligadas durante todo o dia, a filmar a maior parte dos vinte e quatro suicídios e muitos outros que resultaram em tentativas falhadas. Adicionalmente o realizador captou quase 100 horas de entrevistas incrivelmente francas, profundamente pessoais e muitas delas tocantes, com as famílias e amigos destes suicidas, com testemunhas que estavam a caminhar, a andar de bicicleta, a conduzir na ponte, a surfar, a fazer Kiteboarding ou a andar de barco por baixo da ponte, e também com muitos de outros suicidas. A PONTE é um documentário alarmantemente profundo e poético, uma jornada visual e visceral por um dos tabus mais graves da vida. É um filme que vai garantidamente perdurar na sua mente depois de sair do cinema, quer queira, quer não. - Première Magazine
Dia 26O ESCAFANDRO E A BORBOLETA, Julian Schnabel, França / EUA, M/ 12, 2007, 122’
A 8 de Dezembro de 1995, um acidente vascular cerebral (AVC) mergulha o jornalista Jean-Dominique Bauby num coma profundo. Ao acordar, descobre que todas as suas funções motoras estão deterioradas. Está encerrado no seu corpo - apenas consegue controlar o movimento de um olho. E será esse órgão a sua ligação com o mundo e com a vida. Será a piscá-lo que começa por indicar "sim" ou "não" até avançar para a sinalização de letras do alfabeto, construindo palavras e frases. Será assim também que escreverá "O Escafandro e a Borboleta", cujas frases memorizou antes de ditar. Esse livro e este caso verídico estiveram na base deste filme protagonizado por Mathieu Amalric e realizado por Julian Schnabel, que conquistou o prémio de melhor realizador em Cannes 2007.
Oliveira em Brooklyn
A Brooklyn Academy of Music, que é assim uma casa/fundação que reúne actividades de música, mas também de teatro, dança e cinema, e onde em ocasiões anteriores já se viu bom cinema português, volta à carga (ao cinema português, entenda-se). Será pelo menos a segunda vez que Manoel de Oliveira estará presente n sala da "cinemateca" do BAM Rose Cinema - e desta vez a propósito de uma enorme retrospectiva de filmes seus. Chamaram-lhe "The Talking Pictures of Manoel de Oliveira" e passarão nela não menos do que quinze longas e mais algumas curtas-metragens do realizador. Na página do BAM sobre a iniciativa há um link para um artigo de Randal Johnson sobre Oliveira, escrito para a ocasião. E, claro, a imagem que ilustra a programação é a de Leonor Silveira em Vale Abraão, ao lado da gaiola e com aqueles olhos abertos gigantes. Às vezes irrita que uma pessoa não possa entrar no metro ali na East Village e saltar umas estações depois, comprar o bilhete e, anonimamente, ver filmes como se nunca tivesse ouvido falar deste tipo que faz este ano um século de vida.
De livros a filmes
Óscares 2008

Estão aí à porta os Óscares2008, altura para fazer apostas, por isso aqui fica o desafio...
A lista completa das nomeações está aqui
Para as principais categorias, temos:
Melhor filme:
There Will Be Blood
No Country For Old Men
Atonement
Juno
Michael Clayton
Melhor realizador
Paul Thomas Anderson - There Will Be Blood
Ethan Coen and Joel Coen - No Country For Old Men
Tony Gilroy - Michael Clayton
Jason Reitman - Juno
Julian Schnabel - The Diving Bell And The Butterfly
Actor Principal
George Clooney - Michael Clayton
Daniel Day-Lewis - There Will Be Blood
Johnny Depp - Sweeney Todd: The Demon Barber Of Fleet Street
Viggo Mortensen - Eastern Promises
Tommy Lee Jones - In The Valley Of Elah
Actriz Principal
Cate Blanchett - Elizabeth: The Golden Age
Julie Christie - Away From Her
Marion Cotillard - La Vie En Rose
Laura Linney - The Savages
Ellen Page - Juno
Actriz Secundária
Cate Blanchett - I'm Not There
Ruby Dee - American Gangster
Saoirse Ronan - Atonement
Amy Ryan - Gone Baby Gone
Tilda Swinton - Michael Clayton
Actor Secundário
Casey Affleck - The Assassination Of Jesse James By The Coward Robert Ford
Javier Bardem - No Country For Old Men
Philip Seymour Hoffman - Charlie Wilson's War
Hal Holbrook - Into The Wild
Tom Wilkinson - Michael Clayton
Beaufort - Joseph Cedar - Israel
The Counterfeiters - Stefan Rudowitzky - Áustria
Katyn - Andezj Wajda - Polónia
Mongol - Sergei Bodrov - Cazaquistão
12 - Nikita Mikhalkov - Russia
e a cristina firmino gravou (tlm) o discurso do doutor honoris causa em literatura comparada especialização em literatura e cinema Manoel de Oliveira!
(é a mesma coisa, mas é só para dizer que abrimos uma conta no You Tube :D
isto é cinema!
NOVOS CORPOS GERENTES CINCELUBE DE FARO 2008 - 2009
MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
Presidente – Alberto Mendonça Neves – Sócio 2380
Vice-Presidente – Eduardo Coutinho – Sócio 1377
Secretária – Cristina Firmino – Sócia 3784
CONSELHO FISCAL
Presidente – João José Vargues – Sócio 2601
Secretária - Margarida Lopes da Costa – Sócia 4052
Relatora – Clarisse Rebelo – Sócia 3265
DIRECÇÃO
Presidente – Anabela Moutinho – Sócia 2954
Vice-Presidente – Graça Lobo – Sócia 2325
Tesoureira – Ana Lúcia Correia – Sócia 2431
Secretária – Veralisa Brandão – Sócia 4105
Vogal – Nuno Santos Silva – Sócio 4088
e é assim:
com a entrada da Ana Lúcia, a Veralisa e o Nuno, já começaram novas ideias a rolar..
entre as quais, abrir a organização do ccf a outros sócios que tenham projectos, queiram colaborar e, mesmo, ser responsáveis por eles!
assim:
está com vontadinha de fazer coisas giras? APAREÇA!!
(e não só neste blog!..)
Não está certo, não
O mais natural na gente é a gente morrer, mas a gente nunca gosta de ver quando a gente morre. E ainda gosta menos quando é gente nova e bonita e que faz filmes. Vão lá ver o que o Heath Ledger fez com uma câmara atrás de uma cantiga do Ben Harper. Ou confirmar a má reputação de Brad Renfro.




